Santarém
Cenotáfio de D. Duarte de Menezes
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Foi mandado fazer pela viúva, D. Isabel de Castro, para a capela que tinham no Convento de São Francisco. É um delicado trabalho do séc. XV, ao gosto gótico-flamejante, seguindo a linguagem decorativa do túmulo dos Fundadores do Mosteiro da Batalha.
Conta-se que, na impossibilidade de encontrar o corpo, o cenotáfio serviu para guardar apenas um dente de D. Duarte de Menezes, que a viúva tinha em seu poder.
De Scalabis a Santarém
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O nome da cidade está relacionado com duas lendas que fazem parte do imaginário local: a lenda do Rei Abidis e a lenda de Santa Iria.
Lenda do Rei Abidis
Conta-se que Ulisses de Ítaca, ao passar por terras lusitanas se apaixonou por Calipso, filha do rei visigodo Gorgoris. Desse encontro nasceu o indesejado Abidis, que o avô logo mandou abandonar. Metido numa cesta, foi atirado ao rio Tejo. Milagrosamente, a cesta subiu o rio contra a corrente e foi recolhida por uma loba na praia de Santarém, que alimentou e protegeu Abidis. Após algumas peripécias foi finalmente reconhecido por sua mãe Calipso, que o tornou o legítimo herdeiro, escolhendo o sítio de Santarém para capital do reino. Chamou-lhe Esca Abidis (o manjar de Abidis), que derivou em linguagem corrente para Scalabis. Para os romanos foi Scalabicastrum. A origem permanece ainda hoje na designação dos habitantes, conhecidos por escalabitanos.
Lenda de Santa Iria
No final do séc. VII, a localidade recebeu a designação de Santa Irena. Adotada mais tarde pelos mouros como Chanterein ou Chantarim, daqui terá derivado o nome de Santarém. O facto deve-se à história de Santa Iria.
Iria era uma convicta religiosa do convento beneditino de Nabância (Tomar). Vítima da paixão do seu guia espiritual, o monge Remígio, tomou obrigada uma tisana que lhe fez inchar o ventre, facto visto por todos como uma suposta gravidez. Mas havia um jovem pagão que também se tinha interessado por Iria. Este, na impossibilidade de ter o seu amor, mandou-a matar no momento em que orava junto ao Rio Nabão, um afluente do Rio Tejo. Embora o crime se tenha descoberto e os criminosos se tenham arrependido, não conseguiram encontrar o corpo da mártir, arrastado pelas águas do rio.
De visita a Santarém em 1324, a Rainha Santa Isabel, soube em visões do local exato onde o corpo de Santa Iria teria vindo ter, desde o Rio Nabão até às margens do Rio Tejo junto à cidade. Quando o rei D. Dinis, seu marido, soube do facto, logo decidiu assinalar o local da sepultura com um padrão. Em 1644, o Senado da Câmara colocou no topo uma escultura de pedra, em homenagem à santa. Devido à localização do padrão, no século XX foi instalado um hidrómetro que serve para assinalar os níveis das águas do rio.
Sugestões de visita
Outros
Santarém Romana
- Templo Romano de Scalabis
Santarém Gótica
- Fonte das Figueiras
- Igreja de Santa Clara
- Convento de São Francisco
- Museu Arqueológico de Santarém / Igreja de São João de Alporão
- Igreja da Graça
- Igreja de Santa Cruz da Ribeira
- Núcleo Museológico do Tempo / Torre das Cabaças
Santarém Manuelina e Renascentista
- Igreja de Santa Maria de Marvila
- Igreja de Santo Estevão ou do Santíssimo Milagre
Santarém Maneirista
- Igreja da Misericórdia de Santarém
- Seminário Patriarcal - Antigo Colégio dos Jesuítas
- Igreja de Nossa Senhora da Piedade
- Igreja de Hospital de Jesus Cristo
Núcleo Museológico do Tempo - Torre das Cabaças
Museus e Palácios
No Largo Zeferino Sarmento, perto da igreja de São João de Alporão, encontramos a Torre das Cabaças. De planta quadrangular, com 22 metros de altura, é um imponente testemunho tardo-gótico do sistema defensivo da cidade durante o século XV. Durante o século XVII, foi-lhe colocado uma cimalha maneirista, numa tentativa de melhoramento estético. Embora as muralhas e o edifício do Senado da Câmara, a que pertencia, já tenham desaparecido, manteve até hoje a sua função de Torre do Relógio.
A denominação de Torre das Cabaças, deve-se à existência, no alto, de uma armação de ferro sustentando oito cabaças (actualmente substituídas por vasilhas cerâmicas) que servem de reforço acústico ao sino, que se deveria ouvir nas povoações mais próximas de Santarém. Desde longa data, a opinião popular viu nelas a representação das cabeças ocas dos vereadores que ordenaram a construção de tão tosca e bruta torre.
Em 1999, a Câmara Municipal delineou um projecto de recuperação da Torre e reabilitação da área envolvente. Actualmente, de visual completamente renovado (substituído o reboco e restaurado o sistema de relojoaria), apresenta-nos no seu interior um interessante Núcleo Museológico do Tempo com uma exposição de objectos alusivos ao tema.
2000-121 Santarém
Igreja da Graça - Santarém
Monumentos
O esplendor do gótico-flamejante.
Embora a sua construção só tenha sido concluída no início do século XV, a primeira pedra da Igreja da Graça terá sido colocada em 1380 por iniciativa de D. Afonso Telo de Menezes, primeiro Conde de Ourém, que resolveu fundar na cidade um convento segundo as regras da Ordem de Santo Agostinho. Este edifício trouxe para Santarém o esplendor do estilo gótico-flamejante, seguindo as inovações arquitetónicas e decorativas já usadas no Mosteiro da Batalha.
A fachada é um dos aspectos mais interessantes da igreja: marcada por um elegante pórtico de arquivoltas, sobreposto por um arco conopial, muito frequente na linguagem do gótico-flamejante, e envolvido por uma moldura finamente decorada que preenche todo o espaço do corpo central. Por cima, uma impressionante rosácea trabalhada com grande primor, que se diz ser feita de um único bloco de pedra, revela a maturidade estilística dos artistas.
Uma das características particulares deste templo é o seu desnível em relação ao exterior. Só após descer alguns degraus temos acesso ao interior amplo, de três naves, com o espaço marcado por grandes colunas. A cabeceira, um pouco mais baixa, é coberta por uma abóbada de cruzaria de ogivas e decorada por altas janelas que iluminam o altar. A iluminação é completada pela rosácea e pelas várias fenestras ao longo do corpo da igreja, revelando um entendimento perfeito da estrutura gótica.
No braço direito do cruzeiro (lado da Epístola), assente sobre oito leões, está o túmulo comum de D. Pedro de Menezes, neto do fundador, e de sua esposa D. Beatriz Coutinho, com esculturas jacentes de mãos dadas, à maneira dos túmulos reais que estão no Mosteiro da Batalha. Na decoração do túmulo, entre elementos vegetalistas e heráldicos, encontra-se repetidamente a figuração da sua divisa: um ramo de zambujeiro e a palavra «Aleo», aludindo ao orgulho do guerreiro que em 1415 participou na conquista de Ceuta e foi depois governador da cidade.
Frente ao altar, num absidíolo do lado sul, encontramos a sepultura em campa rasa do descobridor do Brasil, Pedro Álvares Cabral, e de sua esposa D. Isabel de Castro, quarta neta do fundador deste templo.
2000-091 Santarém
Igreja de Santa Clara - Santarém
Monumentos
A Igreja de Santa Clara está situada num dos termos de Santarém, numa zona que ficava fora das muralhas. É um templo do século XIII, mandado construir por D. Afonso III (1248-1279) para a sua filha D. Leonor Afonso, que aí professou.
No século passado, durante os anos 40, sofreu um polémico restauro que a despojou completamente de todos os elementos decorativos, perdendo-se para sempre um pouco da história artística e da evolução espacial do templo durante várias gerações. No entanto, recuperou a austeridade das regras da Ordem de Santa Clara. De notar que não existe porta na fachada da igreja, cujo acesso é apenas possível pela porta lateral. Esta particularidade deve-se ao facto de ser uma ordem de clausura sem contacto com a população.
Na arquitectura, segue os cânones do gótico mendicante: três longas naves de oito tramos, transepto saliente e cabeceira com cinco capelas adjacentes. No topo Norte a grande rosácea gótica, que ajuda a iluminar o interior, é sobrepujada por um escudo com as armas reais. As antigas dependências conventuais foram completamente destruídas.
No interior merece referência o túmulo de D. Leonor Afonso, do séc. XIV, de execução rigorosa. Nas faces da arca vêem-se representadas cenas da Anunciação e da Estigmatização de São Francisco, figuras de freires franciscanos e de monjas clarissas.
2005-021 Santarém
Igreja de Santa Maria de Marvila - Santarém
Monumentos
Localizada no centro histórico, esta igreja pertence a uma das mais antigas paróquias da cidade, tendo assumido um importante papel religioso durante a Idade Média.
Quando conquistou a cidade em 1147, o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, deixou que os Templários aqui fundassem uma igreja. Assim o fizeram com rendas dadas pelo bispo de Lisboa, D. Gilberto, em 1149.
Posteriormente, no séc. XVI, D. Manuel reconstruiu e enriqueceu esta igreja alterando-lhe a estrutura e a decoração. Dessa obra, destacam-se o portal, o arco triunfal de acesso ao altar-mor e a belíssima abóbada de nervuras na cabeceira. De notar ainda nos apontamentos reais que se vão encontrando e que fazem parte do nosso imaginário manuelino: a esfera armilar, a cruz de cristo, as flores de lis e as armas heráldicas. Em 1573, reuniu aqui o capítulo geral da Ordem de Cristo, dirigido pelo rei D. Sebastião.
Ao entrar na igreja, o seu interior impressiona pelas dimensões e pelo facto de estar completamente revestida de painéis azulejares. É uma verdadeira escola do azulejo, onde se podem admirar as variantes desta arte decorativa durante o séc. XVII.
2000-090 Santarém
Igreja de Almoster
Monumentos
Igreja do Hospital de Jesus Cristo - Santarém
Monumentos
Esta obra é particular de uma expressão artística periférica, lenta na interiorização das inovações artísticas do gosto barroco, que já se faziam sentir no resto da Europa. A fachada é austera e sóbria, de acordo com o programa decorativo do «estilo chão» português, marcada por três registos animados simetricamente por janelas e duas torres laterais no topo.
No interior, referência para o retábulo de mármore seiscentista na capela-mor, vindo da Capela de D. Gil Eanes na Igreja da Graça, e para as telas maneiristas expostas num altar do lado do Evangelho (lado esquerdo da igreja), trazidas da Igreja de Santa Clara durante o seu restauro em meados do séc. XX.
Igreja de Santo Estêvão ou do Santíssimo Milagre
Monumentos
Embora a sagração da Igreja de Santo Estêvão remonte ao séc. XIII, actualmente encontramos um edifício do séc. XVI, de fachada muito simples, com interessantes apontamentos renascentistas no seu interior.
Do estilo renascentista permaneceu a ampla divisão do espaço em quatro arcadas e alguns detalhes arquitectónicos e decorativos, utilizados nos arcos que ligam o corpo da igreja ao transepto e à capela-mor. De notar, os medalhões com personagens em alto relevo, e os grotescos esculpidos nas colunas (figuras fantásticas de pedra que nos transportam para um imaginário clássico «ao romano»). De referir ainda as figuras renascentistas de São Pedro e São Paulo, colocados em nichos antecedendo o arco triunfal.
O conjunto é um trabalho de grande elegância e qualidade que justifica a presença desta pequena igreja nos roteiros do Renascimento santareno.
Este templo é também conhecido por Igreja do Santíssimo Milagre, nome ligado a um episódio religioso de grande devoção popular.
2000-069 Santarém

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