Visita de Cidade
Angra do Heroísmo - Itinerário Acessível
Na terceira ilha dos Açores a ser descoberta pelos navegadores do séc. XV, Angra do Heroísmo foi a primeira cidade do arquipélago, estrategicamente situado no Oceano Atlântico.
Angra ganhou importância como entreposto comercial e serviu de escala nas rotas de navegação entre a Europa, as Américas e a Índia, servindo como ponto de escoamento dos diversos produtos das outras ilhas assim como um dos principais pontos de chegada, o que se mantém até aos dias de hoje devido ao Aeroporto Internacional das Lajes.
A sua longa história e o património construído ao longo de séculos levaram a que o centro histórico fosse classificado Património Mundial. A cidade, assim como muitas outras localidades dos Açores, tem uma beleza especial que resulta do contraste entre a natureza exuberante e a pedra escura utilizada na construção, reveladora da origem vulcânica das ilhas.
Photo: Marina de Angra do Heroísmo ©Arquivo Turismo de Portugal
Acompanhe o seu itinerário com o mapa
Para visitar a cidade, sugerimos um itinerário com início na Marina de Angra, subindo a Rua Direita (9) para chegar a um ponto central da cidade, a Praça Velha (8), de onde pode definir a visita aos vários pontos de interesse. Também o poderá fazer pela Rua do Espírito Santo mas nesse caso, os passeios estreitos forçarão a que se desloque na via destinada a veículos.
Encontrará ruas em bom estado de conservação, em calçada de calcário e basalto, ou com lajes de basalto, permitindo uma deslocação estável e regular. No entanto, existem muitos planos inclinados, como por exemplo a Rua da Sé (5), que poderão dificultar o percurso, pelo que se sugere que quem tenha mobilidade reduzida seja acompanhado, para mais facilmente ultrapassar alguns obstáculos.
Em geral, os passeios são amplos nas vias principais, ao contrário do que acontece nas ruas secundárias, onde são mais estreitos. Verifica-se ainda, no geral, uma grande ausência de rebaixamento nas passadeiras. Na área comercial, em que se nota a ausência de rampas de acesso às lojas, é frequente a existência de esplanadas ou o estacionamento abusivo em cima do passeio, causando situações inesperadas na circulação. Devido a todas estas situações, aconselha-se o uso do mapa disponibilizado no topo, onde estão assinalados os diferentes graus de acessibilidade no centro histórico de Angra do Heroísmo.
Photo: Igreja da Misericórdia © Turismo dos Açores
Começando o percurso pela Rua Direita (9), verá certamente a imponente Igreja da Misericórdia (11) construída no séc. XVIII. A entrada é feita por uma escadaria e as cadeiras de rodas não conseguem aceder a todos os espaços no interior, mas o corredor central é amplo e permite usufruir da visita que é guiada. Chegando à Praça Velha (8), siga pela Rua da Sé (5) para visitar a Igreja do Santíssimo Salvador da Sé (4), um dos mais importantes edifícios da cidade. A entrada é acessível e os espaços interiores são amplos e sem obstáculos, permitindo que se admire mais facilmente o trabalho de talha dourada dos altares do Espírito Santo e do Santo Cristo das Misericórdias. Próximo da Sé, vemos o Palácio Bettencourt (3), um belo palácio do séc. XVIII que pertenceu a um Capitão-Geral dos Açores e que é a Biblioteca Pública atualmente.
Voltando à Rua da Sé e seguindo pela Rua do Palácio ou pela Rua Direita, vê-se o antigo Colégio Jesuíta, dividido entre o Palácio dos Capitães Gerais (6), símbolo do poder regional civil desde o séc. XVIII e atual sede da presidência do governo regional, e a Igreja de Nossa Senhora do Carmo (7). A entrada na igreja é feita por escada ou por uma rampa muito inclinada e a circulação acessível no interior é garantida apenas no corredor principal. No interior, merece referência o trabalho em talha dourada e os painéis de azulejo seiscentistas.
Photo: Jardim Duque de Terceira ©Turismo dos Açores
Na Rua do Marquês, fica a entrada para o Jardim Duque de Terceira (10), onde pode fazer uma pausa e apreciar um pouco da natureza e da vegetação que pode encontrar em toda a ilha. O jardim é acessível e com rampas que garantem o acesso aos vários patamares. Ao cimo da Ladeira de São Francisco, encontra o edifício de um antigo convento onde está instalado o Museu de Angra do Heroísmo (12). A diversidade do acervo, relacionado com a história da Ilha Terceira e dos Açores, é de assinalar. Embora a ladeira seja inclinada, a entrada no espaço é acessível e a circulação no interior tem apenas algumas barreiras pontuais. É possível fazer uma visita guiada adaptada, para pessoas com necessidades especiais e existem várias áreas com informação áudio e vídeo sobre a exposição.
Voltando à Baía de Angra e seguindo junto ao mar, chega-se ao Forte de São Sebastião (14), atualmente transformado numa unidade hoteleira, mas com uma área de miradouro a que se pode aceder através de rampa. O percurso no interior é regular, com a presença de barreiras pontuais.
No outro extremo da Baía, ainda poderá visitar a Igreja e Convento de São Gonçalo (2). É o maior espaço conventual da ilha e foi o primeiro a ser construído, em 1545. A fachada é muito simples mas no interior vai encontrar retábulos em talha dourada notáveis e painéis de azulejo dos séculos XVII e XVIII que justificam a entrada, apesar da escadaria de acesso. No interior, os espaços são amplos embora com alguns degraus, mas um elevador dá acesso aos andares superiores. Habitualmente, a visita é acompanha por um profissional.
Photo: Monte Brasil, Angra do Heroísmo © Maurício Abreu | DRTA
A alguns minutos, encontra-se a Fortaleza e Igreja de São João Baptista (1). Foi mandada construir pelo rei D. Filipe II de Espanha e I de Portugal, no final do séc. XVI, com o objetivo de proteger as armadas vindas das Índias e das Américas que passavam pelo Arquipélago dos Açores. Pode ser visitada, mas o acesso a cadeira de rodas não é possível em todos os espaços e o pavimento é no geral irregular. Este monumento encontra-se na subida para o Monte Brasil, um percurso que sugerimos fazer em veículo adaptado. Certamente valerá a pena, para apreciar a vista deste miradouro natural sobre a cidade de Angra do Heroísmo.
Funchal - Itinerário Acessível
Um bom clima e a beleza natural fazem do arquipélago da Madeira uma escolha segura para visitar em qualquer altura do ano. Para além dos passeios na natureza, das atividades ao ar livre e de uma volta pela ilha, não deixe de fazer um itinerário pela cidade do Funchal.
O Funchal foi distinguido com o Prémio Cidade Acessível 2017 (“Access City”), atribuído pela Comissão Europeia, resultado dos esforços que têm sido feitos para assegurar o acesso de pessoas com mobilidade reduzida a praias, pontos turísticos, hotéis e a espaços públicos na cidade madeirense.
Para o ajudar na visita, acompanhe este itinerário com o mapa.
Há 500 anos, a baía do Funchal era paragem obrigatória nas rotas comerciais da expansão marítima, uma importância que se reflete no património secular e nos diversos pontos de interesse da cidade, que pode começar por conhecer com um passeio junto à Marina (2) e pela Avenida do Mar (4). O pavimento em cimento ou em pavê permite uma deslocação regular e estável, o que, aliás, é representativo do que vai encontrar pois, no geral, as ruas são regulares e sem inclinação, permitindo uma circulação bastante confortável. Mesmo na zona velha, onde o pavimento é de empedrado irregular, existem corredores centrais que facilitam a deslocação. Os passeios são amplos e contínuos, com passadeiras rebaixadas ou niveladas, sem obrigar a alterações de percurso e, nas zonas de maior trânsito, existe sinalização luminosa e sonora de apoio. No entanto, é necessário ter em conta que a cidade não tem pavimento tátil.
Entrando no centro histórico, um dos primeiros monumentos a visitar é a Sé do Funchal (5). Datada do séc. XVI, e em estilo gótico na origem, tem um interessante teto de alfarge em madeira trabalhada ao gosto mudéjar que justifica a visita. Na parte traseira, existe uma entrada nivelada e no interior encontram-se alguns degraus, embora seja um espaço amplo.
Muito próximo, encontra-se o Museu de Arte Sacra (6) e a Igreja de São João Evangelista (8), ambos na Praça do Município (7). Este edifício jesuíta, também conhecido como Igreja do Colégio, de fachada austera, tem uma decoração interior surpreendente, ao gosto barroco português, em que se combina na perfeição a talha dourada e os painéis de azulejo. Neste caso, o acesso a pessoas em cadeira de rodas não é fácil devido aos degraus na entrada, mas é assegurada por uma rampa na porta lateral direita. O interior é amplo, embora tenha algumas barreiras como degraus e áreas salientes, sobretudo nas naves laterais. Quem desejar, tem disponível um equipamento áudio de apoio à visita. No caso do Museu de Arte Sacra, a entrada e a circulação podem ser dificultadas por degraus mas têm disponível material em Braille e documentos ampliados.
Photo: Funchal©Turismo da Madeira
Seguindo a Rua 31 de Janeiro em direção ao mar, irá encontrar a Rua Fernão de Ornelas que vai até à Rua do Visconde de Anadia. Do lado esquerdo, a uns minutos, fica o Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira (10), onde se pode saber um pouco mais sobre estes produtos regionais tão apreciados. No entanto, ter em atenção que a entrada é inacessível e a circulação no interior é dificultada por algumas barreiras que poderão impedir a visita a todos os espaços.
Também perto da Rua do Visconde de Anadia, o Mercado dos Lavradores (10) é uma visita a não perder sobretudo pelo colorido das bancas de frutas exóticas e de flores. É uma oportunidade de ver e mesmo comprar os ingredientes da saborosa gastronomia madeirense. Durante a estadia irá certamente provar as diversas especialidades, como as lapas, os bifes de atum e os filetes de peixe-espada, a espetada de carne de vaca em pau de louro com o milho frito e ainda o bolo de mel. Assim como o vinho licoroso Madeira, que foi tão apreciado nas cortes europeias onde ganhou fama durante os séculos XVII e XVIII.
Photo: Mercado dos Lavradores, Funchal ©Arquivo Turismo de Portugal
Continuando pela rua do Hospital Velho ou pela Rua de Santa Maria, ruas parcialmente acessíveis com empedrado irregular e trepidação, chegar-se-á ao Forte de São Tiago (12), um bom miradouro sobre o Funchal.
A Madeira é reconhecida pela natureza exuberante e pela existência de muitos jardins e zonas verdes. O Jardim Municipal (3) e o Parque de Santa Catarina (1) são dois bons exemplos de espaços acessíveis que podem ser muito apreciados para uns momentos de puro lazer e descanso.
Faro - Itinerário Acessível
Faro, a principal cidade e capital do Algarve é também a sua porta de entrada para todos os que chegam de avião já que fica a apenas cerca de seis quilómetros do aeroporto internacional.
Junto à Ria Formosa e ao mar, é uma cidade que vale a pena conhecer passeando pelas suas ruas conquistadas aos muçulmanos por D. Afonso III, rei de Portugal no século XIII.
Acompanhe este itinerário com o mapa
Como centro deste itinerário propomos o Jardim Manuel Bívar (8), o principal largo da cidade aberto para o porto de recreio. A partir daqui sugerimos-lhe percursos em três direções por diferentes zonas da cidade – Ria Formosa, baixa de Faro e centro histórico. Se quiser conhecer Faro no comboio turístico, adaptado para pessoas com mobilidade reduzida, fique a saber também é no Jardim Manuel Bívar que a viagem tem início e se prolonga por 50 minutos. Espaçoso, com pavimentos regulares, árvores e esplanadas, este largo é um sítio muito agradável para passear ou descansar, com o bónus garantido de ver cegonhas a cruzarem os céus, num vaivém entre a Ria e os ninhos instalados em pontos altos como os candeeiros das ruas ou as torres das igrejas.

Doca de Recreio - Faro © ATA | Pedro Reis
Em frente ao largo, o Porto de Recreio (9), que capta a atenção pelo colorido dos barcos, tem uma envolvente acessível onde todos podem circular sem barreiras. O porto está inserido na Ria Formosa, uma zona lagunar que é possível visitar de barco, existindo empresas de animação turística que disponibilizam passeios dirigidos a pessoas com mobilidade reduzida. Muito perto, a Praia de Faro-Mar acessível por estrada ou por barco foi galardoada como praia acessível e está equipada com cadeira anfíbia permitindo que todos tenham acesso à água.
Do Jardim Manuel Bívar partem diversas ruas pedonais em direção ao interior da cidade e à Rua de Santo António (10), uma das principais. Esta é uma zona animada com muitas lojas e espaços de restauração, no entanto em alguns deles a entrada faz-se por degraus não permitindo o acesso autónomo a pessoas que se desloquem em cadeira de rodas. Já o pavimento das ruas em calçada portuguesa é confortável e regular, sem inclinações, existindo apenas algumas barreiras constituídas por esplanadas que facilmente se contornam.
A oeste da Rua de Santo António, situam-se as Igrejas de São Pedro e do Carmo. Para lá chegar deve seguir pela Rua Vasco da Gama e pela Rua do Carmo até ao Largo de São Pedro, mas o percurso é longo e não totalmente acessível, pelo que será aconselhável optar por um veículo adaptado. A Igreja de São Pedro (11), que é a Matriz de Faro, tem um acesso por uma escadaria e foi erguida no lugar de uma primitiva ermida mandada construir por mareantes. Um pouco mais à frente, destaca-se a Igreja do Carmo (12) com uma fachada imponente com entrada acessível. No seu interior, encontra-se uma curiosa Capela dos Ossos que, pela presença de degraus e de um corredor estreito, não é totalmente acessível.

Arco da Vila - Faro © Câmara Municipal de Faro | Ana Abraão
A partir do Jardim Manuel Bívar poderá seguir também um percurso pelo centro histórico da cidade, mas antes e ainda neste largo visite a Igreja da Misericórdia (7), um edifício com planta em cruz grega que é totalmente acessível situado muito perto do Arco da Vila (6) que dá acesso à parte mais antiga da cidade, conhecida como “vila adentro”. No interior deste arco, um outro - a Porta Árabe (5) do século XI que era nessa época a porta de entrada nas muralhas para quem chegava por mar. O percurso segue pela Rua do Município, em que a inclinação, os passeios estreitos e o pavimento irregular exigem maior esforço e cuidado.
No Largo da Sé, dominado pelos edifícios do Paço Episcopal, destaca-se a Catedral (4) erguida no século XIII. A entrada faz-se por uma escadaria que impossibilita o acesso autónomo, e no interior também existem escadarias para os andares superiores e espaços estreitos que condicionam a visita. Nas proximidades, situa-se o Museu Municipal de Faro (2) que possui um importante espólio arqueológico. A sua entrada acessível e os espaços amplos no piso térreo permite que todos conheçam grande parte deste Museu, que promove atividades e visitas para pessoas com mobilidade reduzida.

Photo: Largo da Sé - Faro © Rui Morais de Sousa
O percurso segue pela Rua do Repouso, que tem passeios de reduzida dimensão, até à Igreja de São Francisco (1), um templo de entrada acessível e espaços amplos que permitem admirar os belíssimos painéis de azulejos do século XVIII existentes no seu interior. No final deste itinerário admire o Arco do Repouso (3), outro local histórico, onde segundo a lenda terá descansado o Rei D. Afonso III após a conquista do Algarve. Siga o exemplo deste nosso rei, e faça aqui uma pausa enquanto planeia novas viagens à descoberta de Portugal.
Porto – Itinerário Acessível
Em poucos dias ou num fim-de-semana prolongado, não deixe de conhecer os encantos do Porto. No centro histórico, a Estação Ferroviária de São Bento é um ponto de chegada e uma referência geográfica, de onde partem os três itinerários que sugerimos para visitar a cidade, assinalando os pontos de interesse mais importantes.
No geral, a cidade do Porto é acessível e dispõe de pavimentos em bom estado de conservação e maioritariamente regulares, em que os materiais utilizados com mais frequência são a calçada em basalto ou calcário e as lajes em granito, permitindo uma circulação estável e confortável para o visitante. No entanto, a inclinação de algumas ruas do centro histórico são uma condicionante a ter em conta, por dificultar a experiência. Quanto aos passeios, na generalidade, são amplos e regulares. As passadeiras encontram-se rebaixadas ou niveladas, facilitando a travessia e uma percentagem considerável já dispõe de sinalização tátil, tornando mais seguro o percurso, assim como de avisos sonoros, indicativos do tempo disponível para a passagem do peão.
Começamos por visitar o centro histórico e descer até à Ribeira, junto ao rio, para depois visitar a zona mais comercial da cidade, entre o Bolhão, Santa Catarina e a Batalha, com possibilidade de atravessar o rio para Vila Nova de Gaia, até à Serra do Pilar, e desfrutar de uma vista surpreendente sobre a cidade. O terceiro itinerário passa por monumentos de referência como a Torre dos Clérigos, um ex-libris do Porto, pelo Museu Nacional de Soares dos Reis e termina nos agradáveis Jardins do Palácio de Cristal.
Existem muitos outros pontos de interesse que não foram integrados nestes percursos e entre os quais vale a pena referir, por exemplo, a zona da Foz do Douro, a Casa da Música e o Museu de Serralves. São locais acessíveis que não pode deixar de visitar e onde pode chegar através dos transportes públicos regulares ou em meio próprio.
Poderá consultar os itinerários com mais detalhe nos separadores que encontra no topo. No separador “Informações úteis” irá encontrar referência aos transportes públicos acessíveis, o que o poderá ajudar a planear a viagem e a visita da cidade.
Porto - Mapa do itinerário acessível
Mapas
Lisboa - Itinerário Acessível
Conhecida como a cidade das sete colinas, Lisboa tem vindo a tornar-se cada vez mais acessível pela eliminação de barreiras arquitetónicas e desníveis. Através da introdução de novos pavimentos, rampas e sinalização adequada têm sido criadas condições para facilitar a deslocação de pessoas com dificuldades de mobilidade e tornar possível que todos possam usufruir dos espaços públicos, deslocando-se autonomamente.
Sugerimos-lhe três itinerários para conhecer as zonas mais emblemáticas de forma autónoma: Belém, um bairro monumental que foi o porto de partida de naus e caravelas para a epopeia marítima dos Descobrimentos, um passeio entre o Bairro Alto e o Castelo de São Jorge, o centro nevrálgico de Lisboa onde vai encontrar maior animação, e o Parque das Nações, um espaço moderno requalificado para a Exposição Universal de 1998 que celebrou os feitos dos grandes navegadores portugueses dos séculos XV e XVI. 
Photo Ponte 25 de Abril - Lisboa © Turismo de Lisboa
Para seguir estes percursos consulte os respetivos separadores (ao cimo deste texto), onde vai encontrar informações detalhadas sobre cada um deles e mapas que poderão servir de apoio à sua visita.
Para se deslocar entre as várias áreas pode contar com uma rede de transportes públicos que assegura as ligações na região. No interior da cidade a Carris, a empresa que gere os autocarros e elétricos, disponibiliza transportes adaptados, tal como o Metro, embora neste caso nem todas as estações sejam acessíveis. Já em relação aos comboios da CP, em algumas das ligações é possível a utilização autónoma e noutras será necessitário pedir apoio com antecedência. O transporte em táxi é uma alternativa que pode ser considerada, existindo diversas empresas que disponibilizam veículos adaptados. Para informações detalhadas sobre os transportes públicos em Lisboa consulte por favor o separador “Informações úteis”.
Lisboa e Porto: 2 cidades, 2 rios
Tem poucos dias e quer conhecer um pouco de Portugal? Porque não começar pelas principais cidades do país a poucas horas de voo das mais importantes capitais europeias? Lisboa, uma cidade cheia de luz junto ao rio Tejo e ao mar, ou o Porto que partilha o seu nome com o do famoso vinho, criado nas encostas de outro rio – o Douro.
A quem optar por Lisboa, a capital portuguesa, é começar a visita na Baixa Pombalina, no coração da cidade, que termina na larga Praça do Comércio, que se abre ao rio. Para apreciar as vistas, é subir ao Castelo de São Jorge, ao Elevador de Santa Justa ou a outros miradouros como o de São Pedro de Alcântara e o da Graça. De experimentar, também, passear de elétrico pelos bairros populares de Alfama e Mouraria e surpreender-se pelo horizonte de edifícios históricos à beira Tejo, que se descobrem ao virar de cada esquina; e quem sabe, até pela intensa melodia do fado.
Outras experiências a não perder incluem uma visita a Belém, para saborear os famosos pastéis locais, e visitar o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, que tal como o fado são Património da Humanidade. Há ainda para conhecer o Museu dos Coches e o Centro Cultural de Belém, e no outro extremo da cidade o Parque das Nações, um exemplo-bandeira da modernidade lisboeta, marcado por praças, jardins e um dos maiores oceanários da Europa. E para quem procura uma noite à moda de Lisboa, é seguir esta faixa ao longo do rio ou ir até ao Bairro Alto.
Lisboa é também um sítio excelente para ir às compras. As lojas mais célebres ficam entre a Avenida da Liberdade e o Chiado, no Príncipe Real ou nos centros comerciais. Mas para o ritual, a cidade do Porto também não desilude. Da baixa, destaca-se a Rua de Santa Catarina, mas é até aos Clérigos ou ao eixo Boavista-Foz-Avis que se encontram as lojas com maior nome e marcas de topo. E nas redondezas, Gaia e Matosinhos completam a oferta com muita variedade.
Localizado na mais antiga região do país, o Porto é também uma cidade forte em riqueza patrimonial – desde logo o seu centro histórico, que a UNESCO classificou como património mundial. A descobrir, uma sucessão de monumentos em granito, que metem respeito na sua imponência, como a Sé, os Clérigos, o Palácio da Bolsa e a Igreja de São Francisco; todos guardam no interior uma riqueza surpreendente. Melhor, só passar pela Ribeira, bem castiça junto ao Rio Douro, de onde partem os cruzeiros que dão a conhecer a cidade de um outro ponto de vista ímpar. Nada como fazer a travessia num barco rabelo, em tempos usado para transportar as pipas de vinho, das quintas nas encostas do Douro até às Caves em Vila Nova de Gaia – e é lá que estão pontos de visita obrigatórios para provar esta bebida excecional.
No Porto localiza-se também um sem-número de edifícios de arquitetura moderna, como a Fundação Serralves e a Casa da Música, que oferecem uma programação cultural eclética e de qualidade. E para uns momentos de puro relax, nada como uma ida de elétrico até à Foz, ou saborear o pôr-do-sol numa esplanada com vista para o rio ou para o mar.
Cultura Top 10
A cultura portuguesa está ligada à localização geográfica e percurso histórico do país. Portugal é a mais antiga nação da Europa e a sua abertura ao mar lançou-a nos Descobrimentos. O seu património cultural foi marcado por influências de África, América, Ásia e dos povos que aqui viveram antes da fundação, assim como o caráter afável e acolhedor dos portugueses.
Património Mundial
Portugal tem 17 sítios classificados como Património Mundial, que abrangem monumentos, centros históricos de cidades, paisagens e património imaterial. Nos “conteúdos relacionados”, abaixo, encontra informação sobre cada um deles.
De destacar que antes da classificação de Sintra não havia a categoria de Paisagem Cultural,criada pela Unesco para aplicar a uma Serra e um Parque Natural de natureza exuberante, salpicados de palácios e quintas recheados de história e cultura.

Azulejo
É uma presença constante na arquitetura portuguesa e em nenhum outro país reveste tantos exteriores e interiores de casas, igrejas, palácios, etc.. De origem muçulmana, começou a ser produzido em Portugal no fim do séc XV, mas atingiu maior produção no séc. XVIII, com o azulejo azul e branco.
No Museu Nacional do Azulejo, em Lisboa, ilustra-se a sua história, mas basta andar de comboio pelo país, visitar cidades ou andar no Metro da capital para apreciar belos exemplos desta arte decorativa tão característica de Portugal.
Estilo Manuelino
Quando em toda a Europa se construíam catedrais góticas, em Portugal introduziram-se na arquitetura e escultura elementos de inspiração marítima e símbolos do poder real, como a esfera-armilar, no que veio a ser conhecido como estilo manuelino. Assim designado por ter tido início no reinado de D. Manuel I (1495-1521), época magna dos Descobrimentos portugueses, este estilo tem como maiores exemplos o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, o Mosteiro da Batalha e o Convento de Cristo, mas em todo o país se podem encontrar construções e decorações de sabor manuelino em igrejas, palácios, pelourinhos e até na arquitetura civil.
Barroco
O barroco é sinónimo de esplendor e ostentação vividos sobretudo no reinado de D. João V (1707-1750), quando o ouro e pedras preciosas vinham do Brasil e começou a exportação de vinho do Porto. Foi marcado por grandes obras, como o Convento de Mafra, o Aqueduto das Águas Livres de Lisboa ou a Biblioteca da Universidade de Coimbra, mas está presente em todo o país, como nos templos forrados a talha dourada e azulejo. No norte destaca-se o nome de Nasoni, que assinou entre outros a Torre e Igreja dos Clérigos, no Porto, ou o Palácio de Mateus, em Vila Real, mas também o encontramos, por exemplo, na faustosa coleção do Museu dos Coches, em Lisboa.

Tavira ©Turismo do Algarve
Aldeias e Cidades
Portugal é conhecido pelo seu património e arquitetura. Além das cidades do Património Mundial, entre muitas outras distinguem-se Viana do Castelo, Braga, Caminha, Barcelos, Ponte de Lima ou Amarante, no norte, Viseu no Centro, assim como Santarém ou Setúbal, mais perto de Lisboa, Tavira e Silves no Algarve, ou Funchal e Ponta Delgada na Madeira e Açores, respetivamente.
Se o românico do norte evidencia que aí começou Portugal, também os Castelos de Fronteira ou as Aldeias Históricas do Centro de Portugal testemunham quase nove séculos de história. Tal como as Aldeias do Xisto ou as muitas aldeias e vilas muralhadas, de que Óbidos, Marvão e Monsaraz são apenas alguns exemplos. No Alentejo encontramos mármores e casas térreas, caiadas de branco. Como as do Algarve, coroadas de açoteia.
São muitos os arquitetos contemporâneos que elevam bem alto o nome de Portugal, mas basta referir os detentores do Prémio Pritzker: Álvaro Siza Vieira recebeu-o em 1992 e Eduardo Souto de Moura em 2011.
Espaços sagrados
De norte a sul de Portugal e ilhas, são muitos os espaços sagrados que merecem visita, mas culminam todos em Fátima, com o culto a Nossa Senhora. Entre tantos que se poderiam enumerar, refiram-se as Sés de todo o país, que remontam quase todas ao período da fundação de Portugal, mas acompanharam os movimentos artísticos posteriores. Excluindo os templos mais famosos e visitados, vale a pena destacar a expressão rural dos “Impérios” ligados às Festas do Espírito Santo nas ilhas dos Açores e ainda as Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, na ilha de S. Miguel.
Do tempo dos mouros restam-nos poucos vestígios do culto sagrado, mas a vila-museu de Mértola, no Alentejo, é uma exceção que merece visita.
Temos felizmente muitos vestígios doutra crença religiosa, o judaísmo, com marcas medievais um pouco por todo o país, como na antiga sinagoga de Tomar, e especialmente junto à fronteira com Espanha, nomeadamente em Belmonte, Guarda, Trancoso e Castelo de Vide.

©Museu do Fado
Fado
O Fado é Património Imaterial da Humanidade desde 2011. Esteve durante muitos anos ligado ao nome de Amália, mas hoje é tão grande a nova geração de fadistas, que Mariza, Gisela João, Camané, Carminho ou Ana Moura são apenas alguns dos nomes mais conhecidos internacionalmente.
Para o sentir em toda a profundidade, nada como ouvi-lo numa casa de fados, à luz da vela e da emoção das vozes e da guitarra portuguesa. O Museu do Fado, em Lisboa, também é um bom local para se familiarizar com esta música tão característica de Portugal.
Literatura
Portugal é conhecido como um país de poetas. A nossa poesia teve início ao mesmo tempo que a nação com a poesia trovadoresca, mas subiu a um patamar cimeiro da epopeia, no Renascimento, com a publicação dos Lusíadas, em que Luís de Camões (1524-1580) canta os feitos dos portugueses a propósito dos Descobrimentos. Já no início do séc. XX adquiriu contornos mais universalistas com a obra de Fernando Pessoa (1888-1935), o mais traduzido poeta português. Porém, foi a prosa de José Saramago (1922-2013) que conquistou um Prémio Nobel, em 1998.
Festa e Festivais
Portugal, sobretudo no verão, fervilha de festas tradicionias, como em Viana do Castelo, Tomar, Campo Maior, ou na Festa da Flor do Funchal, Madeira. Não esquecendo os Santos Populares, com ponto alto em Lisboa, a 13 de junho, e no Porto, a 24 de junho.
Também os festivais vão da música rock, ao jazz, étnica... enfim, há música para todos os estilos, sendo alguns realizados em locais tão atrativos quanto os artistas em cartaz. É o caso do Festival do Sudoeste, de Paredes de Coura, do Super Bock Super Rock e do Nos Alive.

Festas Santos Populares
Gastronomia
Portugal assiste hoje a uma autêntica exaltação de sabores, onde novos chefs combinam produtos e receitas tradicionais com cozinha contemporânea. Cinco ícones da nossa gastronomia têm lugar de destaque: o melhor peixe do mundo; a cataplana (símbolo vivo da cozinha mediterrânica); o vinho do porto (inimitável); o pastel de nata (“doce celestial”); os nossos chefs (fundem tradição com inovação e criatividade). O que anda a par dos princípios por que a Unesco recentemente reconheceu Portugal como detentor da Dieta Mediterrânica. Além do mais, porque gostamos de receber e conviver em volta da mesa, fazendo de cada refeição um momento de partilha.
Turismo Industrial em São João da Madeira
Em São João da Madeira, pode-se ver como são preservadas as indústrias tradicionais em Portugal.
As antigas indústrias da região, que ainda se mantêm e fazem parte da história local, são os pontos de interesse desta visita. Há circuitos predefinidos pelo património industrial mas, quem preferir, pode ir à sua própria descoberta.
A não perder, uma entrada no Museu da Chapelaria, único na Península Ibérica, onde são homenageados todos os que tornaram o fabrico de chapéus numa das atividades mais importantes da zona. A viagem pelos tempos em que era moda usar chapéu passa pela Fepsa: esta empresa dedicada ao fabrico de feltros para chapéus mantém ligações fortes a grandes marcas mundiais, ao teatro e ao cinema. É que daqui saíram inúmeros chapéus para muitos filmes de Hollywood.
A preparação da matéria-prima, a partir de pelo de coelho, lebre e castor, faz-se na Cortadoria Nacional de Pelo, onde dá para assistir a todo o processo. Já na Heliotextil está exposta a arte do fabrico de acessórios têxteis, como etiquetas, fitas e outros acabamentos, que fazem parte do dia-a-dia; tem um papel significativo como fornecedora na confeção de equipamentos para os maiores clubes de futebol. Não deixe de passar também pela Flexitex, onde se dedicam à produção de revestimentos em malha e tecido jacquard para colchoaria; é possível assistir a tudo, desde a preparação dos fios ao produto final. Cintos é na Belcinto, que desde os anos 60 chegam a todo o país, e agora até fabrica carteiras, malas e bolsas, entre outros artigos.
Também única é a Viarco, uma fábrica histórica de lápis que vale a pena conhecer; a funcionar desde 1907, esta empresa retém ainda o seu processo artesanal e desvenda todos os segredos ligados à produção de lápis de grafite e de cor. Já a Bulhosas, operacional desde 1935, dedica-se a produzir todo o tipo de etiquetas autoadesivas e peças plásticas, como cabides, grampos, porta-copos e muito mais. A CEI Solutions, criada em 1995, abre as portas à inovação, permitindo aos visitantes descobrir como a tecnologia de corte e robótica molda o futuro da indústria; e a Monte Campo, desde finais da década de 70, tornou-se uma líder de mercado em produtos de desporto e lazer ao ar livre, principalmente mochilas.
São João da Madeira sempre ocupou um lugar de destaque no mapa empresarial português, a exportar para todo o mundo, mas especialmente na área do calçado: podemos conhecer as ferramentas artesanais e as máquinas do passado no Centro de Formação Profissional da Indústria de Calçado, ou ver como funciona um laboratório de ensaios, no Centro Tecnológico do Calçado de Portugal.
Para a visita a São João da Madeira ser aproveitada da melhor forma, é sempre bom começar pelo Welcome Center na Torre Oliva; a antiga fábrica de máquinas de costura Oliva atualmente é um dos mais emblemáticos edifícios históricos da cidade e alberga um circuito temático acerca da indústria da metalurgia. Aí, é possível reservar a visita aos museus, ao próprio Centro de Arte Oliva, espaço dedicado à arte contemporânea e à arte bruta, e ter o apoio de um guia turístico para definir um circuito personalizado.
Festas dos Santos Populares
Junho é o mês dos Santos Populares com festas e arraiais por todo o país nas noites de Santo António, de São João e de São Pedro.
As principais são as Festas de Lisboa, de 12 para 13 de junho, dia de Santo António, e as do Porto, na noite de 23 para 24 de junho, quando se celebra o S. João. São festas muito animadas, em que a população vem para a rua comer, beber e divertir-se pelas ruas dos bairros populares, decoradas com arcos, balões coloridos e manjericos.
Em Lisboa, as marchas populares de cada bairro desfilam pela Av. da Liberdade em direção ao Rossio, enchendo a rua de centenas de figurantes, música e cores. Mas a enchente e a animação não são menores nas ruas desses bairros, com destaque para Alfama, mas também para a Graça, Bica, Mouraria ou Madragoa. Nos largos e vielas, come-se caldo verde e sardinha assada, canta-se e dança-se pela noite dentro. Outro momento forte é a procissão de Santo António, que no dia 13 sai da sua igreja, situada em Alfama, junto à Sé, no local onde este santo nasceu, por volta de 1193.
No Porto, a festa é idêntica em cor e alegria nos bairros mais tradicionais, como Miragaia, Fontainhas, Ribeira, Massarelos e outros. Mas nesta cidade há ainda outros usos e costumes: se antigamente os foliões batiam com o alho-porro na cabeça dos companheiros, hoje usam martelinhos de plástico; por outro lado, além do exuberante fogo-de-artifício que é lançado à meia-noite em pleno rio Douro, também se lançam balões de ar quente multicores, numa das mais bonitas celebrações destes festejos populares. A noite acaba para muitos junto à praia, para ver nascer o sol ou para um banho matinal, como manda a tradição.
A 29 de junho comemora-se ainda o São Pedro, também com festas populares em várias localidades do país, como Sintra ou Évora, ambas na lista do Património Mundial. Évora, aliás, tem a particularidade de celebrar dois santos populares, pois realiza desde o séc. XVI a feira de S. João, uma das maiores da região sul de Portugal, comemorando também o dia de S. Pedro como feriado municipal.
Nestas festas resistem práticas como saltar a fogueira e oferecer à namorada ou namorado pequenos vasos de manjerico, acompanhados de quadras escritas, que muitas vezes falam de amor, ou não estivesse a origem destas festividades ligada ao solstício de verão e a antigos rituais de fertilidade.
.

Recordar e Partilhar

















