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Sugestões

Ponte de Sor

Na margem direita da Ribeira de Sor, Ponte de Sor é um destino para atividades ao ar livre, em que se destaca a área da Barragem de Montargil muito apreciada para desportos náuticos, e para descobrir o Roteiro Literário, em Galveias, dedicado ao autor português José Luís Peixoto.

As origens da cidade remontam à época romana, quando se situava na via que ligava Mérida (Emerita Augusta) a Lisboa (Olissipo), lugar de passagem mantida ao longo dos séculos. Esta localização continua a ser importante como ponto de paragem para quem atravessa o país de norte a sul, uma vez que se situa no km 435 da Estrada Nacional 2, entre Chaves e Faro, um itinerário ideal para conhecer a diversidade de Portugal.


Centro de Artes e Cultura ©C.M. Ponte de Sor

Visite o Centro de Artes e Cultura, um espaço multidisciplinar dedicado às artes plásticas e a artes performativas, onde se pode apreciar o maior mosaico do mundo de cortiça. Referenciado no Guinness Book of Records em 2014, é da autoria do artista albanês Saimir Strati que assim promove, de forma artística, uma das indústrias mais importantes do concelho, a cortiça. O Centro integra igualmente um Núcleo de Arqueologia Industrial, onde se guardou a memória do edifício, uma antiga fábrica de moagem de cereais e de descasque de arroz. 


Parque da Frente Ribeirinha ©C.M. Ponte de Sor

Esteja atento às obras do Roteiro de Arte Urbana que o irão surpreender e passeie-se pelo Parque da frente ribeirinha, onde também encontra um campo de ténis, piscinas e uma pista de skate.

Ao longo da Ribeira de Sor, existiam vários moinhos de rodízio que trabalhavam com a força da água, complementados pelo Moinho de Vento da freguesia de Foros de Arrão, que se pode visitar. Ainda de referir, nas proximidades, a Ermida da Nossa Senhora dos Prazeres, enquadrada por uma paisagem de sobreiros e azinheiras muito agradável e característica da região. 


Centro de Interpretação José Luís Peixoto ©C.M. Ponte de Sor

Galveias
Na margem esquerda da Ribeira de Sor, situa-se a vila de Galveias, onde merece referência o conjunto da Igreja da Misericórdia, do século XVIII, classificado como Imóvel de Interesse Público, e o Centro de Interpretação José Luís Peixoto, dedicado ao escritor português, instalado numa antiga casa senhorial. Será o ponto de partida ou de chegada da Rota Literária José Luís Peixoto, com 22 pontos de interesse que o acompanharão na descoberta da escrita do autor e da região.


Balonismo na Barragem de Montargil ©Flydreams

Montargil
A grande atração do concelho é a Barragem de Montargil, integrada numa paisagem de montado, e o seu Centro Náutico. Neste grande espaço de lazer, com praia fluvial, área de piquenique e um miradouro sobre a albufeira, pode-se praticar vela, wakeboard, canoagem, jet ski, passeios pedestres e observação de aves. E para apreciar a tranquilidade alentejana e a beleza da paisagem, nada melhor do que um passeio de balão de ar quente ao sabor do vento. 

Na pequena vila com o mesmo nome, de referir o património cultural, em que se destaca a Igreja Matriz, dos séc. XVI e XVIII, a Necrópole romana de Santo André, do séc. I-II, e o Núcleo Megalítico de Montargil, em que se identificaram cerca de 40 antas.


©C.M. Ponte de Sor

As Festas da Cidade de Ponte de Sor acontecem no início do mês de julho, oportunidade para apreciar as especialidades gastronómicas com produtos locais, como as Migas de Espargos, a Sopa de Cação, o Cozido, o Ensopado de Cabrito ou Borrego estufado e a Sopa de Cachola.


Chaves

Situada junto ao Rio Tâmega, a cidade de Chaves é conhecida pela qualidade das águas termais.

Apreciadas desde o tempo da ocupação romana, receberam o nome de “Aquae Flaviae” pelo Imperador Tito Flávio Vespasiano, no séc. I, reconhecendo as propriedades curativas das águas, das mais quentes da Europa, que nascem com uma temperatura de cerca de 73º C.

A ponte romana sobre o Rio Tâmega, um ex-libris da cidade, é um dos legados romanos mais importantes, concluída por ordem do Imperador Trajano, entre o final do séc. I e o início do séc. II. Essa época áurea da cidade é revelada ao pormenor no Museu das Termas.


Igreja da Misericórdia©C.M. Chaves

Chaves teve sempre importância do ponto de vista estratégico-militar. Do tempo medieval, resta a Torre de Menagem do castelo mandada construir pelo rei D. Dinis, no séc. XIII, alguns troços da muralha que circundam o núcleo histórico mais antigo e os Fortes de São Neutel e São Francisco, do séc. XVII.

Próximo da Torre de Menagem, o Museu da Região Flaviense, instalado num edifício do séc. XV, antigo Paço dos Duques de Bragança, dá a conhecer a história desta cidade. A visitar ainda a Igreja Matriz de Santa Maria Maior e a Igreja da Misericórdia. No séc. XIX, foi em Chaves que as tropas invasoras de Napoleão sofreram a sua primeira derrota em solo português. 


Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso ©C.M. Chaves

Com um passado rico em história e património, Chaves também é reconhecida pela arte contemporânea. O Museu dedicado a Nadir Afonso, além da coleção permanente com obras do pintor português, exibe exposições temporárias, num moderno edifício da autoria do arquiteto Álvaro Siza Vieira. Próximo de Chaves, na vila de Vidago, além das igualmente reconhecidas Termas de Vidago, visite a Casa-Museu João Vieira, um dos maiores artistas plásticos portugueses do séc. XX, que aí nasceu em 1934.


Trilho de Quinta do Rebentão ©C. M. Chaves

Situada quase junto à fronteira com Espanha, é na rotunda do Jardim Público de Chaves que fica o Km 0 da Estrada Nacional 2 – EN2 -, a mais longa estrada portuguesa que percorre o país de norte a sul, até Faro, no Algarve, à beira do Oceano Atlântico. Com cerca de 739 quilómetros e muitas histórias para contar, é um itinerário perfeito para descobrir a cultura e a paisagem autênticas de Portugal.

Quem gosta de atividades ao ar livre, em particular de passeios a pé e caminhadas, tem uma escolha diversificada. Um dos mais importantes é o Caminho Interior Português para Santiago de Compostela que passa pela cidade, vindo de Viseu. Os Trilhos de visitação do Património natural e cultural de Chaves são constituídos por 80 km de caminhos rurais que acompanham o Rio Tâmega e passam por igrejas, santuários, antigas rotas de fronteira, vias romanas e moinhos. Já a Ecovia do Tâmega, sempre à beira-rio, une Chaves e a cidade espanhola de Verín. Pode-se ainda seguir a antiga linha ferroviária do Rio Corgo, construída no séc. XIX – a Ecovia Internacional do Tâmega e do Corgo - transformada atualmente num caminho pedonal com 12 km, ligando as unidades termais de Chaves, Vidago e Pedras Salgadas.

No concelho, em Vilas de Nantes, o Roteiro Camoniano dá a conhecer casa onde terá nascido o grande poeta português do séc. XVI, Luís Vaz de Camões, assim como os locais que o acolheram. A localidade é um dos quatro locais do país com produção artesanal de olaria em barro negro.


Pastéis de Chaves © C.M. Chaves

Chaves é também conhecida pela riqueza gastronómica, de que se destacam os Pastéis de Chaves, o Folar de Chaves, os enchidos e o presunto, ingredientes importantes de pratos tradicionais como o arroz de fumeiro, a sopa de couve penca e o caldo de unto.

Para conhecer a cidade em festa, o melhor é o mês de agosto, em que se realizam as Festas dos Povos de Aquae Flaviae, momento de celebração dos tempos áureos do Império romano. Durante 3 dias, recria-se um mercado galaico-romano onde se degustam as iguarias da região enquanto se assiste a jogos, interpretações musicais, bailados e cortejos de época.  Os povos galaicos, legionários, gladiadores, senadores, músicos, bailarinos, mendigos, escravos, falcoeiros e divindades são representados, retratando o quotidiano de Aquae Flaviae.


Nisa

Nisa é uma genuína vila portuguesa do Alentejo, no distrito de Portalegre, conhecida pela produção artesanal de qualidade na olaria e pelos bordados.

No centro histórico, as ruínas do castelo oferecem uma vista sobre a localidade e seus arredores. Das antigas muralhas ainda se preservam a Porta da Vila e a Porta de Montalvão, que relembram o passado medieval e a sua importância na defesa das fronteiras. O território foi doado pelo rei D. Sancho I, no séc. XII, aos Templários, que o povoaram com colonos vindos do sul de França, mais precisamente de Nice, que deu origem a Nisa, assim como às localidades de Arês (de Arles), de Montalvão (de Mantauban) e de Tolosa (Toulouse).

Num passeio pela cidade, é obrigatório passar pela Rua de Santa Maria, entre a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Graça e a Praça do Município, identificada pelo pelourinho manuelino, do séc. XVI. Repare no chão, que é decorado com os mesmos motivos utilizados na olaria pedrada de Nisa, feita com pequenos pedaços de quartzo branco. Os vários tipos de bordados, como os alinhavados, as aplicações em feltro, as rendas de bilros, as frioleiras ou os pontos de cadeia, são de uma riqueza e singularidade ímpares. Estas artes e ofícios que fazem parte da identidade regional, são dados a conhecer em detalhe no Museu do Bordado e do Barro, que não pode deixar de visitar. 

Conhecedora da riqueza e da importância do artesanato de Nisa, a artista Joana Vasconcelos criou, em colaboração com os artesãos locais, uma espetacular “Valquíria Enxoval”, que pode ser vista numa sala do Cine-Teatro.

Nas artes e ofícios locais, é de referir igualmente o trabalho em cortiça e os cobres martelados.



O património megalítico é outro dos atrativos do concelho, retratado no Núcleo do Megalitismo. Entre os vários monumentos da região, destaca-se a Anta 1 de São Gens, classificada Monumento Nacional, e o Menir do Patalou, um monólito de granito com 4 metros e mais de 6000 anos. O percurso também servirá para apreciar a paisagem de sobreiros e azinheiras, tão característica da região, que envolve estes monumentos.

No concelho há outros motivos de interesse a não perder. O Castelo de Amieira do Tejo, do séc. XIII, é um bom exemplo das fortificações góticas portuguesas, nesse caso pertencente à Ordem dos Hospitalários. O Montalvão Vintage, na localidade do mesmo nome, Montalvão, é um espaço etnográfico que mostra os hábitos e costumes da vida no séc. XX, perpetuando a memória de outros tempos, também retratada na Casa do Brinquedo, em Alpalhão.

Na região, encontram-se vestígios da ocupação romana, na ponte de Albarrol, e em particular na exploração de uma valiosa mina de ouro, sobre a qual se pode saber mais no Centro Interpretativo do Conhal.



Quem gosta de atividades ao ar livre, pode fazer o “Trilho da Barca da Amieira”, um passadiço cujo ponto mais alto é o Sky Walk, um miradouro transparente sobre o Rio Tejo. Ao longo do percurso, desfrute dos pontos de observação da flora e da avifauna e descubra os baloiços com vista sobre a paisagem, a ponte pedonal suspensa e a Casa da Árvore, com vista sobre a foz do rio Ocreza. O trilho termina na Barca d’Amieira, onde encontra um espaço de lazer e uma plataforma flutuante que faz a travessia do Tejo. Em tempos serviu de transbordo a quem chegava de comboio à localidade de Envendos.

Nisa é um ponto central para conhecer a região. Fica perto das Portas de Rodão, um monumento geológico integrado na área do Geopark Naturtejo; de Castelo de Vide, onde pode visitar a judiaria medieval; da Barragem de Póvoa e Meadas; do Mosteiro de Flor da Rosa, no Crato; dos passadiços da Praia do Alamal, que passam pelo Castelo de Belver; da Praia Fluvial da Ribeira da Venda, na Comenda; e do Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado do Vale do Tejo, em Mação, uma referência na investigação arqueológica de arte pré-histórica. A 11 km da cidade, encontram-se as Termas de Nisa. A nascente da Fadagosa é conhecida pelas suas águas com propriedades medicinais, pelo menos desde o séc. XVIII. São indicadas no tratamento de doenças da pele, do aparelho respiratório e no reumatismo.



Durante a visita, aprecie a gastronomia regional. Os Queijos de Nisa são conhecidos, e muito apreciados como entrada, assim como os enchidos. Entre as especialidades encontram-se ainda as sopas, como a Sopa de Peixe do Rio, as Sopas de Sarapatel, Sopa de Cachola, Sopas de Tomate, Ensopado de Borrego e Migas, o que indica também a qualidade do pão e do azeite e refletem o melhor dos sabores e tradições da cozinha Alentejana.

As festas da cidade, Nisa em Festa, realizam-se no final de julho e são uma oportunidade para ficar a conhecer os produtos regionais, o artesanato e a gastronomia.


Castro Marim

De Castro Marim, de um lado, vê-se o Sapal, o Rio Guadiana e o mar e, de outro, os montes que se estendem até ao horizonte. É esta paisagem que desafia os que apreciam os grandes espaços, se interessam por identificar aves e plantas, gostam de passeios a pé ou de bicicleta ou de atividades na Natureza.

No alto, o Castelo de Castro Marim está estrategicamente alinhado com o Forte de São Sebastião e com o Revelim de Santo António. Entre eles estendem-se as casas brancas da cidade, com platibandas coloridas, açoteias e chaminés rendilhadas. Na sua simplicidade, as refletem a característica arquitetura algarvia em que o branco predominante é quebrado por barras ocres e azuis, que também decoram as platibandas com formas geométricas e motivos florais.

O Castelo medieval lembra o tempo em que Castro Marim foi conquistado, em 1242, pelos cristãos comandados por D. Paio Peres Correia, integrando-o no território português. Ainda no séc. XIII, durante o reinado de D. Dinis (1261-1325), tornou-se a sede da Ordem de Cristo, criada para substituir a Ordem dos Templários, antes de esta ser transferida para Tomar. A importância militar na defesa da fronteira foi reforçada no séc. XVII com a construção do Forte de São Sebastião e do Revelim de Santo António.

Na cidade, a Igreja Matriz dedicada a Nossa Senhora dos Mártires foi construída no séc. XVIII sobre uma antiga ermida em honra dos “Mártires”, os cristãos que se estabeleceram na localidade durante a época da Reconquista.

Na colina do Revelim de Santo António está instalado o Centro de Interpretação do Território, onde pode saber mais sobre a história da região. A vista é deslumbrante sobre a Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António e sobre a Foz do Rio Guadiana e é um bom ponto de partida para os itinerários que pode fazer..

Cerca de 30% da área do Sapal é ocupados por salinas, umas das riquezas deste território, onde ainda se faz a exploração artesanal do sal. Não deixe de as visitar e participar em degustações ou em visitas guiadas. Na Casa do Sal, situado na vila, irá perceber a importância do sal na economia local e na história da região.

O Sapal é também um local de excelência para conhecer a fauna e flora e para observar as aves aquáticas que aqui têm o seu local de repouso, alimentação e nidificação.

Os passeios a pé e de bicicleta são uma das atividades mais apreciadas. A Grande Rota do Guadiana, com passagem obrigatória por Castro Marim, tem em Vila Real de Santo o ponto de partida ou de chegada. Para passear no rio, também pode optar por um passeio organizado numas das embarcações locais, muitos deles com almoço a bordo, uma oportunidade para conhecer a gastronomia regional.

Perto do mar, os pratos tradicionais são naturalmente de peixe. Recomenda-se o arroz de lingueirão, os carapaus alimados, a caldeirada de peixe ou o bife de atum em cebolada. Na doçaria, destacam-se os Figos cheios, o Bolo de amêndoa e o Bolo de mel.

Estando no Algarve, as praias mais próximas são uma das atrações durante todo o ano, seja para banhos de mar no verão ou longos passeios nos areais de Vila Real de Santo António e no Parque Natural da Ria Formosa.

A festa da cidade dedicada a Nossa Senhora dos Mártires realiza-se a 15 de agosto, mês que termina com muita animação com os Dias Medievais, um evento de cariz histórico que irá certamente apreciar. O castelo de Castro Marim volta a receber reis e rainhas, cavaleiros, bobos, jograis, nobres e damas. A magia de outros tempos é recriada em torneios a pé e a cavalo, espetáculos de teatro de rua, banquetes animados por música da época e uma feira de mercadorias e artesanato.


Descubra as cidades do interior

Prepare-se para uma viagem fascinante pelas cidades do interior de Portugal, onde a autenticidade se encontra em cada esquina e a história ganha vida em cada monumento. Deixamos-lhe dez convites para explorar, descobrir e apaixonar-se ainda mais pelo país.

Viaje até à região Porto e Norte

Miranda do Douro
Na margem do majestoso Rio Douro, Miranda do Douro encanta com a sua herança cultural e as suas inspiradoras paisagens. Não deixe de explorar o Parque Natural do Douro Internacional, onde poderá desfrutar de vistas de cortar a respiração e observar a vida selvagem única da região. Descubra também a gastronomia local, onde os sabores tradicionais se revelam em pratos singulares que irão satisfazer os seus sentidos.

Chaves
Conhecida pelas águas termais e pela sua história milenar, Chaves convida a visitar o castelo, uma impressionante fortaleza que oferece vistas panorâmicas sobre a cidade e os arredores. E, durante esta viagem, não se esqueça de provar os famosos pastéis de Chaves, uma iguaria que não pode perder.

Aventure-se no Centro de Portugal

Castelo Branco
Castelo Branco integra a Rede de Cidades Criativas da UNESCO, na categoria artesanato e artes populares, com o bordado das colchas. Com um castelo como símbolo icónico, a cidade convida a mergulhar na história e na cultura da região, a conhecer o Jardim do Paço Episcopal, um oásis de tranquilidade no coração da cidade, e a saber mais sobre o artesanato local. Visite o Museu Francisco Tavares Proença Júnior, que abriga uma coleção de arte portuguesa, de pintura, escultura, arqueologia e arte popular, e o Centro de Cultura Contemporânea. Já a gastronomia de Castelo Branco reflete a riqueza dos sabores regionais, por isso delicie-se com pratos tradicionais como o maranho e o bucho recheado.

Idanha-a-Nova
Além de preservar as suas tradições ancestrais, como o artesanato e a gastronomia típica da região, Idanha-a-Nova destaca-se como um importante centro cultural, sendo palco de eventos de música de renome internacional. Esta vila preserva e celebra a sua herança musical, com o adufe a fazer-se ouvir nas ruas. Explore também a natureza intocada da região, através de trilhos, rios e montanhas que maravilham os sentidos.

Covilhã
Nas encostas da Serra da Estrela, a Covilhã tem uma vasta tradição na indústria de lanifícios, além de combinar história e cultura graças à vibrante vida académica da Universidade da Beira Interior. Explore o centro histórico, onde poderá admirar a arquitetura tradicional, e suba ao ponto mais alto da Serra da Estrela, para desfrutar de vistas inspiradoras sobre a região e experimentar atividades ao ar livre, como esqui, snowboard e caminhadas. Anote ainda na sua rota: deleitar-se com as iguarias locais, como o queijo da Serra da Estrela, os enchidos e o borrego e cabrito assados.

Explore a serenidade do Alentejo

Arraiolos
Conhecida pela geometria dos padrões de tapetes bordados à mão, pelas oliveiras centenárias e pelas paisagens, Arraiolos é uma vila com um centro histórico bem preservado e tradições enraizadas. Dominando o horizonte da vila, encontra-se um dos poucos castelos circulares em Portugal, o Castelo de Arraiolos, uma fortaleza circular construída no século XIII, que recebe eventos culturais e festivais ao longo do ano. Além do castelo, esta localidade alentejana é também conhecida pelas suas muralhas históricas e pelo aqueduto que as rodeia. Se procura perder-se na paz e na serenidade do sul do país, em família, aqui a simplicidade da vida rural funde-se com a natureza.

Marvão
Localizada no topo de uma colina, Marvão é uma vila medieval que desafia a passagem do tempo e que parece recortada das páginas de um conto de fadas. O castelo destaca-se na paisagem, uma fortaleza que serviu como uma importante linha de defesa ao longo dos séculos e que permite ter uma visão panorâmica sobre a planície e o pôr do sol desta zona alentejana. Deambule pelas ruas estreitas de Marvão, onde as casas caiadas de branco e as flores coloridas criam um cenário pitoresco, ou opte por um passeio de bicicleta pelos trilhos no meio da natureza. Das praças tranquilas às igrejas antigas, motivos não faltarão para colocar este destino no seu mapa.

Évora
Como Capital Europeia da Cultura 2027 e Património da UNESCO, Évora é uma cidade que respira património e cultura. Explore alguns dos monumentos mais imponentes, como o Templo Romano que remonta ao século I, a Sé Catedral de Évora de estilo gótico e a lúgubre Igreja de São Francisco/Capela dos Ossos, que são testemunhos significativos do passado. Passeie pelas ruas, onde poderá descobrir lojas de artesanato local e experimentar a gastronomia e os vinhos alentejanos, conheça o Centro de Arte e Cultura Eugénio de Almeida e reserve algumas horas para explorar os recantos da Universidade de Évora e da Biblioteca Pública de Évora. Nas redondezas, caminhe pelo Parque Natural da Serra de São Mamede, desfrute da beleza natural da região e observe a vida selvagem única que aqui prospera.

Pelo sul do país, no Algarve

Alcoutim
Situada nas margens do Rio Guadiana, Alcoutim encerra em si mesma um segredo histórico: o legado de contrabando, que, durante vários séculos, levou os habitantes locais a desafiar as fronteiras políticas e económicas como meio de subsistência na região. Também o Prémio Nobel da Literatura nacional José Saramago manifestou a sua curiosidade pelos tempos antigos desta zona ribeirinha algarvia no livro Viagem a Portugal – uma nota revisitada pelo escritor José Luís Peixoto no projeto Viagem a Portugal Revisited, que destaca as atividades contrabandistas e a história dos pescadores entre duas margens. Entre tranquilos passeios de barco até Sanlúcar, visitas ao castelo amuralhado e às praias fluviais, como a do Pego Fundo, explore as paisagens verdejantes e deguste os produtos agrícolas locais e o peixe fresco pescado no rio.

Castro Marim
Conhecida pelas salinas de qualidade, pelo castelo medieval e pelas praias intocadas, Castro Marim é um convite para conhecer o coração do Algarve e evadir-se do bulício das grandes cidades. Explore a imponente fortaleza desta vila raiana, que oferece vistas deslumbrantes sobre a região, e descubra os segredos da sua história através de uma visita ao Museu Arqueológico Regional. Passeie pelos campos salgados, com um ecossistema único, e demore-se neste refúgio costeiro, para relaxar e desfrutar do sol e do mar.

Planeie a sua escapadela e embarque numa viagem inesquecível pelas cidades do interior de Portugal, para descansar, em família, do burburinho e azáfama dos grandes centros urbanos.


Fundão

Em Portugal, o Fundão é conhecido pela qualidade das cerejas produzidas na região, um produto de excelência, mas há outras maravilhas e muitas histórias por descobrir.

No centro histórico, visite o Museu Arqueológico, instalado num antigo solar do séc. XVI, para desvendar a ocupação deste território desde há milhares de anos. Já na Igreja Matriz de São Martinho, vale a pena entrar para admirar o trabalho barroco de talha dourada. Saiba que foi nesta igreja que a fadista Amália Rodrigues foi batizada. Passeie-se pelas ruas apreciando a Arte Urbana e descanse numa das agradáveis esplanadas da Praça do Município, à sombra das árvores, ou descontraia no Parque Verde, um espaço de lazer da cidade.


Casa do Bombo de Lavacolhos ©C. M. Fundão

O Fundão integra a Rede Global de Cidades de Aprendizagem da UNESCO. O reconhecimento internacional pela preservação de ofícios locais e pela vontade de aprender ao longo da vida da população é visível na rede de “Casas e Lugares do Sentir”. A Casa do Barro do Telhado, a Casa das Tecedeiras de Janeiro de Cima ou a Casa do Bombo de Lavacolhos mostram as várias dimensões da arte popular de forma singular e enriquecem a experiência da visita à região.


Caas da Memória ©C.M. Fundão

Se gosta de visitar os lugares onde os escritores se inspiraram, no Fundão, estará numa das paragens na Viagem do Elefante, de José Saramago, Rota que pode ir seguindo, recriando o percurso do elefante Salomão. Também no Fundão, nasceu o escritor Eugénio de Almeida, que dá o nome à biblioteca municipal, assim como o político e governante António Guterres, cujo espólio doado à cidade pode ser visitado na Casa da Memória. Uma bandeira portuguesa oferecida por Xanana Gusmão e um presépio oferecido por Yasser Arafat são peças que se destacam entre as que fazem parte da coleção. Na aldeia de Póvoa da Atalaia, terra do poeta Eugénio de Andrade, não deixe de conhecer a Casa da Poesia, dedicada à sua vida e obra.


Chocalho - Festival da Transumância ©C.M. Fundão

No concelho, visite as Aldeias do Xisto da Barroca, de Janeiro de Cima e de Janeiro de Baixo, conhecidas pelos ofícios tradicionais e pelas praias fluviais, e a Aldeia Histórica de Castelo Novo, onde se realiza um festival de música antiga que procura recriar as sonoridades de peças dos períodos medieval, renascentista e barroco a partir de instrumentos originais.

Na aldeia de Alpedrinha, de referir o Chocalhos - Festival da Transumância, que se realiza no outono, em que se celebra a tradição do pastoreio, acompanhando os pastores que trazem os rebanhos das pastagens de montanha para os vales e planícies, para passar o inverno.


Parque Fluvial de Janeiro de Cima ©C. M. Fundão

Situada entre a Serra da Estrela e a Serra da Gardunha, o Fundão tem uma diversidade de paisagens, que podem ser apreciadas no Miradouro da Pedra d’Hera ou no Miradouro da Torre de Vigia de Alcongosta, e que convidam à prática de atividades ao ar livre, como os passeios pedestres, os trilhos de BTT ou o arvorismo. O Rio Zêzere dá a frescura aos dias mais quentes, assim como as praias fluviais – de Castelo Novo, Barroca, Janeiro de Cima e Lavacolhos - onde se pode praticar canoagem paddle ou simplesmente dar um bom mergulho.


©C.M. Fundão

Na gastronomia regional, as cerejas têm naturalmente um lugar especial. Na Casa da Cereja, instalada na antiga escola primária de Alcongosta, descobrem-se os mais variados aspetos e características deste fruto tão apreciado, que é usado em muitos pratos e doces da região. As cerejeiras em flor são um espetáculo da natureza a não perder na primavera, assim como a Festa da Cereja, que se realiza em junho.

Numa região de pastores, provar o queijo feito de forma tradicional é obrigatório. A Casa do Queijo da Orca faz-lhe a justa homenagem. Outros sabores regionais, como os pratos de cabrito e borrego, enriquecem a visita ao Fundão, aproveitando os produtos de qualidade oferecidos pela terra, como a castanha, o mel, a noz, o milho, o marmelo, os cogumelos e o azeite.


Monsaraz

De origem medieval, Monsaraz conseguiu manter as suas características ao longo dos séculos. Um passeio na vila é uma viagem no tempo, pois é um local único onde ainda se consegue encontrar a paz e a tranquilidade.

O Castelo, do séc. XII, destaca-se num dos extremos, mas dentro das muralhas encontram-se outros pontos de interesse, como a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Lagoa e o Museu do Fresco, instalado no edifício dos Antigos Paços de Audiência. Percorrendo as ruas da antiga judiaria, poderá visitar a Casa da Inquisição, um Centro Interativo da História Judaica.

A vila de casas brancas e xisto anima-se durante o mês de julho, de dois em dois anos,  no evento "Monsaraz Museu Aberto". É uma boa oportunidade para conhecer os hábitos e costumes alentejanos no artesanato, na gastronomia e nos vários espetáculos culturais que aí têm lugar, incluindo a música, o teatro, a dança e exposições de artes plásticas.

A história da cidade de Reguengos, confunde-se com a de Monsaraz ao longo da história, uma vez que os limites do concelho foram os mesmos até 1838. No centro histórico, pode-se visitar a Igreja matriz, do séc. XIX, em estilo neogótico, onde se destaca a combinação entre o branco da cal e o granito.

Faça o itinerário pelos monumentos megalíticos, neste território com vestígios de ocupação há mais de 6000 anos. Perto de Monsaraz, em frente ao Convento da Orada, o Cromeleque do Xerez, de curioso formato quadrado é um dos monumentos mais singulares da região. De referir ainda, entre outros, o Complexo dos Perdigões, a Rocha dos Namorados ou o Menir da Abelhoa.

Do alto de Monsaraz, avista-se o grande Lago do Alqueva na larga planície alentejana. A região foi a primeira a ser reconhecida internacionalmente como um local privilegiado para a observação do céu noturno, pela baixa poluição luminosa e pelo número de noites com céu limpo. Nos observatórios Dark Sky® Alqueva e OLA, usufrua de visitas guiadas pelo céu estrelado e do programa de atividades dedicadas à família.

Numa das margens, a praia fluvial de Monsaraz, com Bandeira Azul e serviços para pessoas com mobilidade condicionada, é um espaço de lazer muito apreciado nos dias mais quentes. O Centro Náutico de Monsaraz inclui ainda um ancoradouro para embarcações e a possibilidade de fazer passeios de barco na albufeira.



Vale a pena conhecer o artesanato local, em que se destacam as peças de olaria, sendo a aldeia de São Pedro do Corval um dos centros de produção mais importantes, graças à existência de depósitos de argila na região.



Saborear os pratos tradicionais da região irá completar a visita. A não perder a Açorda alentejana e as Migas, que podem ser de espargos bravos com ovos ou de porco, o  ensopado de borrego ou os pratos de caça confecionados com coelho, lebre, perdiz ou javali.

Reguengos é também conhecido pela produção de vinho e pertence à Região Demarcada do Alentejo. Os solos graníticos e xistosos, por um lado, e o clima quente, por outro, são propícios ao cultivo da vinha e à produção vinícola de qualidade.


Murais de Liberdade

Faça o roteiro de arte urbana “Murais de Liberdade” para celebrar o 25 de Abril de 1974, um momento de renovação, liberdade e unidade que assinalou a transição para a democracia, em Portugal.

Conheça melhor o que aconteceu nesta data histórica apreciando obras de arte urbana da autoria do grupo “Ruído”, enquanto se passeia pelas cidades onde tiveram lugar os acontecimentos mais importantes da Revolução dos Cravos. Em 14 localidades, representando todas as regiões do continente e ilhas, a história é contada em murais em que se destacam temas e símbolos relacionados com a liberdade, o humanismo e a democracia.

Bragança | Manifestações Populares 

No extremo nordeste de Portugal, Bragança foi um importante ponto de defesa da fronteira portuguesa, onde ainda se preserva o núcleo urbano medieval dentro das muralhas do castelo. Fique a conhecer o património desta localidade, em que se destaca a Domus Municipalis, a Sé, o Centro de Arte Contemporânea de Graça Morais, o Museu Ibérico da Máscara e do Traje, entre os vários pontos de interesse.

Não deixe de fazer o percurso de arte urbana em Bragança. Ao passar no Largo Forte São João de Deus, nas paredes do antigo quartel, será surpreendido pelo mural dedicado à primeira manifestação popular que foi organizada pelo MFA – Movimento das Forças Armadas e aconteceu no dia 27 de abril de 1974. As manifestações mostraram o apoio do povo ao movimento revolucionário e foram fundamentais para consolidar os ideais da democracia, evidenciando o papel ativo da sociedade civil na mudança de políticas e o seu poder transformador.

São João da Madeira | “Lápis azul nunca mais”

Em São João da Madeira, as fábricas antigas fazem parte da história local e são pontos de interesse a visitar na cidade, em circuitos predefinidos de património industrial ou para serem descobertos de forma autónoma. Visite o Museu da Chapelaria, o Centro de Arte Oliva, uma antiga fábrica de máquinas de costura transformada num espaço dedicado à Arte Contemporânea, ou a fábrica de lápis Viarco, que serviu de inspiração ao mural “Lápis azul nunca mais”, mote para a celebração do 25 de abril e da Liberdade nesta cidade.

Durante o regime do Estado Novo em Portugal, o "lápis azul" foi o símbolo da censura sobre a produção cultural e artística. Era usado para cortar os textos considerados inaceitáveis pelo regime, principalmente as passagens que poderiam ser interpretadas como críticas à ideologia vigente. Com o 25 de Abril, o fim da censura permitiu que vozes antes silenciadas pudessem ser ouvidas, possibilitando a expressão livre de ideias e de opiniões.

Coimbra | Movimento estudantil e resistência Cultural

Nas margens do Rio Mondego, Coimbra é conhecida pela sua Universidade e celebrada como sendo a “cidade dos estudantes”. Fundada no séc. XII, é a mais antiga de Portugal e uma das mais antigas da Europa, tendo sido considerada Património da Humanidade pela UNESCO, classificação que inclui a Rua da Sofia e a Alta da cidade. Em Coimbra, destaca-se ainda o Mosteiro de Santa Cruz, onde se encontra o túmulo do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, a Sé Velha, e o Museu Nacional Machado de Castro, entre outros monumentos de referência.

Durante as décadas de 1960 e de 1970, os estudantes de Coimbra foram protagonistas de várias manifestações e greves que desafiaram o regime autoritário vigente e foram fundamentais para a criação de um ambiente de contestação que culminou na Revolução dos Cravos. Adriano Correia de Oliveira foi uma figura central neste movimento, um dos mais influentes cantores de intervenção da época, cujas canções se tornaram hinos da luta estudantil.

Caldas da Rainha | Resistência


A cidade onde a Rainha D. Leonor (séc. XIV) mandou construir um hospital para beneficiar das águas termais, dando-lhe o nome, tornou-se um centro artístico de referência ao longo da história, o que lhe justifica o título de Cidade Criativa da UNESCO. Nas Caldas da Rainha, visite o Museu José Malhoa, pintor português de referência em finais do séc. XIX, e o Museu da Cerâmica, testemunho da importância dos centros cerâmicos da região, em que se destacam as obras de Rafael Bordalo Pinheiro, expostas igualmente na Casa-Museu de São Rafael.

Na intitulada Cidade Criativa da UNESCO, justificou-se pintar um mural dedicado à liberdade e relembrar um episódio histórico. Cerca de um mês antes do 25 de abril de 1974, no dia 16 de março, deu-se nas Caldas da Rainha a primeira tentativa de um golpe para derrubar o regime ditatorial em vigor, organizada por um grupo de oficiais descontentes. Apesar de fracassado, o evento evidenciou a fragilidade do governo de Marcelo Caetano e impulsionou o Movimento das Forças Armadas a intensificar os seus esforços de mobilização e planeamento.

Vila Franca de Xira | O papel da imprensa na Revolução 


Os passeios junto ao rio são uma boa forma de conhecer Vila Franca de Xira, enquadrada na paisagem da lezíria do Tejo. Na cidade ribeirinha, vale a pena visitar o Museu do Neo-Realismo, um espaço dedicado ao trabalho de artistas e escritores neorrealistas que marcaram a cultura e a história contemporânea portuguesas durante o séc. XX. Muito próximo, a Reserva Natural do Estuário do Tejo é local de passagem de muitas aves migradoras e, por isso, um excelente ponto para a observação de aves. De referir ainda, a tradição tauromáquica da região, um tema central nas festividades locais como a Festa do Colete Encarnado.

Em Vila Franca de Xira, destaca-se a arte urbana, em que se integrou um mural dedicado ao papel da imprensa na Revolução dos Cravos. A imprensa foi muito importante, tanto na preparação quanto na difusão dos acontecimentos. Muitos jornalistas corajosamente enfrentaram a censura antes do 25 de Abril e, no dia da Revolução, rádios e jornais rapidamente transmitiram notícias e orientações, ajudando a coordenar as ações do Movimento das Forças Armadas e a mobilizar a população. Posteriormente, a liberdade de imprensa foi um dos principais ganhos, permitindo um fluxo livre de informações e ideias.

Palmela | O Papel da Mulher na Revolução

No alto da Serra da Arrábida, Palmela fez parte da linha de defesa a sul do Rio Tejo desde a época romana, tendo tido um papel importante com o rei D. Afonso Henriques (séc. XII) que doou este território à Ordem de Santiago de Espada. Do Castelo, pode-se admirar toda a região que se estende entre o Rio Tejo e o Rio Sado, antes de explorar o Parque Natural da Serra da Arrábida, onde se destacam as praias de areia fina e água transparente. Palmela integra uma região vitivinícola importante, onde se produzem vinhos de mesa de excelente qualidade, o que dá o mote às Festas das Vindimas, que se realizam o início de setembro.

Palmela foi o local escolhido para pintar um mural a lembrar o papel essencial que as mulheres tiveram na Revolução de 25 de Abril. Participaram ativamente em manifestações, na organização de atividades revolucionárias e na luta pela liberdade e pelos direitos civis. A sua contribuição foi vital para o sucesso da revolução e para a implementação de mudanças sociais significativas. Após a revolução, os direitos das mulheres sofreram transformações profundas. A nova Constituição de 1976 consagrou a igualdade de género, garantindo direitos iguais no trabalho, na família e na participação política. Essas mudanças não só melhoraram a vida das mulheres em Portugal, mas também contribuíram para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária em Portugal.

Vendas Novas | Símbolos do 25 de Abril

Situado na antiga estrada real de Lisboa para o Alentejo, no séc. XVI, Vendas Novas foi local de descanso de D. João III, durante as suas caçadas reais, e do Duque de Bragança, D. Teodósio, nas suas deslocações ao palácio de Vila Viçosa. No séc. XVIII, D. João V mandou construir um Palácio Real, onde está instalado atualmente o Regimento de Artilharia Nº 5, contexto que leva a uma visita ao Museu Militar da antiga Escola Prática de Artilharia e a Capela Real. É uma das localidades que se passam nas viagens para o Alentejo e um habitual ponto de paragem para apreciar as bifanas de Vendas Novas, uma das famosas sandes tradicionais portuguesas.

Esta cidade, muito ligada à vida militar durante o séc. XX, foi escolhida para relembrar o 25 de abril num mural onde se memorizaram os ícones históricos que simbolizam a Revolução dos Cravos. O megafone representa a voz do povo e dos militares que comunicavam a revolução. O cravo vermelho, colocado nos canos das espingardas pelos civis, simboliza a paz e a resistência não violenta. A chaimite, um veículo blindado utilizado pelos militares do MFA, tornou-se um símbolo de força e mudança, transportando a mensagem de que a transformação seria conduzida de forma ordeira e determinada.

Castelo de Vide | MFA - Movimento das Forças Armadas

Situada no Parque Natural de São Mamede, vale a pena visitar a vila histórica de Castelo de Vide onde se destaca o ambiente medieval e a sua herança judaica. Na bem preservada Judiaria, que remonta ao séc. XIII, pode-se visitar a Sinagoga, a Casa da Inquisição e o Museu Garcia de Orta. Entre o património histórico destaca-se também o Burgo medieval, o Centro de Interpretação do Megalitismo, numa região onde ainda subsistem muitos vestígios de dolmens e antas, e a Casa da Cidadania Salgueiro Maia, em honra do capitão de Abril. Além do património, a localidade sempre foi conhecida pelas suas riquezas naturais nomeadamente pelas termas, cuja água tem propriedades terapêuticas.

Sendo a terra natal do capitão Salgueiro Maia, foi o local certo para lembrar como o Movimento das Forças Armadas foi o principal motor da Revolução dos Cravos. Composto por oficiais militares descontentes com a guerra colonial e o regime ditatorial, o MFA planeou e executou o golpe de Estado de 25 de abril de 1974. A sua ação coordenada foi crucial para o sucesso da revolução, assegurando a transição pacífica do poder e iniciando um processo de democratização que mudou radicalmente o panorama político e social de Portugal.

Lagos | Primeiras eleições livres

Uma visita a Lagos é um convite a desfrutar do sol, da praia e dos sabores da cozinha algarvia, mas a cumplicidade com o mar é histórica. No século XV, foi em Lagos que o Infante D. Henrique armou as caravelas que alcançaram a costa de África, dando início à epopeia dos Descobertas portuguesas. O património mostra como a cidade foi importante para as viagens marítimas, espírito ainda vivo na sua marina internacional. A visitar, o Castelo dos Governadores, as Muralhas da cidade, o Mercado de Escravos, o primeiro que se realizou da Europa, no séc. XV, o Forte da Ponta da Bandeira, ponto de vigia sobre o mar, e a barroca Igreja de Santo António, com um valioso trabalho de talha dourada.

Na cidade, a escultura em homenagem ao Capitão de Abril, Salgueiro Maia, evoca a Revolução do 25 de Abril de 1974 e a conquista da Liberdade. Precisamente um ano depois, realizaram-se as primeiras eleições livres com sufrágio universal em Portugal. Foi um marco histórico. Milhões de portugueses, muitos pela primeira vez, exerceram o direito ao voto num ambiente de entusiasmo e participação cívica sem precedentes. As eleições para a Assembleia Constituinte, responsável por redigir a nova Constituição democrática do país, consolidaram os ideais de liberdade, igualdade e justiça social nas instituições políticas de Portugal.

Faro | Radiotransmissão durante o 25 de Abril

Junto à Ria Formosa e ao mar, numa posição estratégica, Faro foi um importante porto comercial ao longo dos séculos. A sua história ficou marcada por fenícios, romanos, visigodos e pela presença árabe entre o séc. VIII e o séc. XIII, altura em que foi conquistada pelo rei de Portugal, D. Afonso III. Voltou a ser um importante núcleo comercial durante o séc. XVI, época em que foram construídos uma grande parte dos monumentos religiosos, como a Igreja da Misericórdia e os vários conventos da cidade. No centro histórico, visite a Igreja Matriz de São Pedro, a Igreja do Carmo, com a sua curiosa Capela dos Ossos, o Paço Episcopal e a Sé Catedral, cuja torre é um excelente miradouro sobre a cidade e a Parque Natural da Ria Formosa.

Em passeio pela cidade, será surpreendido por obras de arte urbana, em que se integra o mural dedicado à importância da rádio durante A Revolução dos Cravos. A rádio desempenhou um papel crucial durante o 25 de Abril de 1974, uma vez que as emissoras foram usadas pelo Movimento das Forças Armadas para transmitir senhas e comunicados importantes no dia da Revolução. Canções como "E Depois do Adeus", de Paulo de Carvalho, e "Grândola, Vila Morena", de Zeca Afonso, serviram como sinais codificados para o início das operações. A rádio foi essencial para informar a população e coordenar os movimentos das tropas, tendo sido um dos fatores vitais para o sucesso da revolução e para a comunicação direta com os cidadãos. 

Ponta Delgada, Ilha de São Miguel | Arte e Cultura de Abril 

Ponta Delgada começou por ser um simples povoado de pescadores no séc. XV, mas depressa desempenhou o papel de principal porto da Ilha de São Miguel. No centro histórico, as Portas da Cidade são o ponto de partida para a explorar a cidade e os seus monumentos como a Igreja Matriz de São Sebastião, do século XV, ou o Convento e Capela de Nossa Senhora da Esperança, onde se venera a imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres, importante festividade local. Perfeito igualmente para iniciar um passeio pela “Ilha Verde”, conhecida pela sua origem vulcânica e natureza exuberante.

Natália Correia, uma importante escritora do séc. XX, nasceu em Ponta Delgada. A jornalista, poetisa e dramaturga, grande defensora da liberdade de expressão, foi a inspiração para pintar um mural dedicado às manifestações culturais que floresceram após a Revolução dos Cravos.

Antes de 1974, Portugal vivia sob um regime ditatorial que impunha severas restrições à liberdade de expressão. A censura era uma constante, afetando todas as formas de arte e cultura, desde a literatura e a música até ao teatro e ao cinema. Artistas, músicos, atores, escritores e outras figuras ligadas à cultura desempenharam um papel crucial na resistência contra a opressão, utilizando as suas obras para desafiar o regime. Uma dessas importantes figuras foi a poetisa, escritora e ativista Natália Correia, natural de Ponta Delgada, cuja voz e arte ajudaram a moldar uma nova era de liberdade cultural. Com a Revolução dos Cravos, as restrições à liberdade de expressão foram abolidas, permitindo que artistas e escritores explorassem novos temas e estilos sem receio de represálias.

Angra do Heroísmo, Ilha Terceira | Euforia popular pós-Revolução

O que torna a Terceira ilha dos Açores a ser descoberta no séc. XV é o magnífico contraste entre a beleza natural e o admirável trabalho do homem no centro histórico de Angra do Heroísmo, Património Mundial da UNESCO. Associada às Descobertas portuguesas nos séculos XV e XVI, a criação da cidade está intimamente ligada à sua função marítima, tendo sido porto de escala obrigatória das frotas de África e das índias. Na visita, não deixe de conhecer a Sé de Angra, a Igreja de São Gonçalo, o Palácio dos Capitães-Generais, os Fortes de São Sebastião e de São João Baptista, o Museu de Angra. São tesouros de arte guardados durante séculos. Do miradouro Monte Brasil, observe a cidade onde a arte urbana também tem lugar e foi enriquecida a propósito das comemorações do 25 de Abril, com um mural de celebração coletiva da liberdade conquistada.

Após a Revolução dos Cravos, Portugal vivenciou uma explosão de alegria e exaltação, com o fim de quase meio século de ditadura. A população tomou as ruas para celebrar a nova liberdade conquistada, expressando-se livremente sem medo de repressão. A música, os discursos e as manifestações espontâneas foram marcados por um sentimento coletivo de esperança e renovação, que celebrava a liberdade de expressão e de pensamento.

Santa Cruz | Literacia após o 25 de Abril e o acesso à educação

Santa Cruz é uma das povoações mais antigas da Madeira, descoberta por João Gonçalves Zarco no séc. XV. Com uma forte ligação ao mar e à natureza, a 18 km do Funchal, é um exemplo da paisagem madeirense, onde se pode desfrutar de praias, miradouros e jardins. Como em toda a ilha, as atividades ao ar livre, como os passeios a pé, são muito apreciadas, destacando-se ainda a Reserva Natural Parcial do Garajau, local exemplar de biodiversidade marinha e com boas condições para a prática de mergulho.

Associando-se às celebrações dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, a localidade de Santa Cruz assinalou a data com a pintura de um mural dedicado à educação, numa antiga Escola Primária.

A Revolução de 25 de Abril de 1974 trouxe mudanças significativas no campo da educação e da literacia. Antes da Revolução, o país enfrentava altos níveis de analfabetismo, com uma grande parte da população sem acesso adequado à educação básica. Após a revolução, foram implementadas campanhas de alfabetização de adultos e expandiu-se o acesso à educação em todos os níveis, o que permitiu aumentar significativamente a taxa de alfabetização e promover uma maior consciência cívica e a participação democrática entre os cidadãos.

Machico, Madeira | Música de Abril

A agradável baía em que se situa a cidade de Machico convida a passear junto ao mar e a conhecer as suas tradições culturais, os monumentos históricos, os miradouros, as praias e os espaços verdes. Na baía, ponto de partida privilegiado para a observação de cetáceos, podem-se praticar desportos náuticos como a canoagem, o windsurf ou o stand up paddle. Já as paisagens deslumbrantes das encostas viradas ao mar são apreciadas pelos praticantes de trail running e para passeios a pé. No extremo oriental, a Reserva Natural Parcial da Ponta de São Lourenço é relevante enquanto património natural, pela paisagem deslumbrante e por ser local de várias espécies de plantas raras e de aves marinhas protegidas.

Entre o património cultural de Machico, de referir a Casa da Música, o local escolhido para lembrar como a música teve um papel importante na luta pela liberdade em Portugal, tanto antes como depois da Revolução dos Cravos, com a pintura de um mural. Durante o regime ditatorial do Estado Novo, músicos e compositores encontraram maneiras de usar a sua arte como forma de resistência e protesto. O Padre José Martins Júnior, retratado no mural, é um exemplo desse facto. Embora conhecido pelo seu papel como sacerdote e ativista social na Madeira, utilizou a música como forma de resistência, musicando versos que refletiam as dificuldades da população e serviam como forma de protesto e expressão cultural. Após o 25 de Abril de 1974, a música continuou a ser uma ferramenta poderosa para a consolidação da democracia e para a promoção da liberdade de expressão. 

Na linguagem artística do projeto “Ruído”, outros murais serão realizados ao longo de todo o ano para celebrar o momento histórico e os valores conquistados pela Revolução dos Cravos.


25 Abril, Dia da Liberdade

Em Portugal, celebra-se a liberdade todos os anos no dia 25 de abril, mas também todos os dias em que se pode exprimir a opinião, dizer o que vai na alma, ser o que se quiser, escolher o destino. 

25 de abril de 1974. Neste dia histórico aconteceu a Revolução dos Cravos que acabou uma ditadura de 48 anos em Portugal. Para saber mais sobre o que aconteceu, evocam-se os símbolos, reconhecidos no mundo inteiro, dão-se a conhecer os lugares onde aconteceram os momentos mais importantes e há um programa alargado de eventos por todo o país.

OS LUGARES


Largo do Carmo

LISBOA
Apesar de terem existido ações em todo o território nacional, foi Lisboa, onde estava o governo, que se tornou o principal cenário de operações da Revolução. Durante a visita ao centro histórico, faça um itinerário pelos lugares onde se passaram os acontecimentos mais importantes do dia 25 de Abril: o Terreiro do Paço, o Largo do Carmo e o Chiado.

Quem quiser, pode repetir o percurso do dia da Revolução passando por 14 locais, como a Ribeira das Naus, o Terreiro do Paço e a Rua do Arsenal, entre outros, que estarão assinalados no chão por pequenas placas, com um QR Code para obter mais informação.

Não deixe de visitar o Museu do Aljube. Instalado numa antiga cadeia política, é dedicado à memória do combate à ditadura e à resistência, em prol da liberdade e da democracia. 

Seguir a linha de costa entre Lisboa e Cascais é um passeio cénico obrigatório. Ao passar pelas várias localidades – Algés, Caxias, Paço de Arcos, Oeiras, Carcavelos, Parede, São Pedro do Estoril, São João do Estoril, Estoril, Cascais - irá ver vários fortes que fizeram a defesa do Estuário do Rio Tejo ao longo dos séculos. Em Caxias, é de assinalar a referência a um dos Fortes, o que fica mais afastado da costa, que durante a ditadura serviu de cadeia da Polícia Internacional de Defesa do Estado, a PIDE.


Forte de Peniche ©Shutterstock / JPF

Peniche
Peniche é conhecida por ser palco das grandes competições de surf, pelas suas ondas perfeitas na Praia dos Supertubos. Vale a pena conhecer o património natural e cultural desta região, em que merece referência a Fortaleza de Peniche.

O Forte, construído no séc. XVI, foi uma importante praça militar da costa portuguesa durante séculos e voltou a ter um papel importante durante a ditadura, quando foi transformada em cadeia destinada a opositores políticos do regime. Atualmente é o Museu Nacional Resistência e Liberdade, para manter a memória desse período histórico.


Jardim Portas do Sol, Santarém

Santarém
Miradouro sobre a região fértil do vale do rio Tejo, em Santarém há um património histórico que vale a pena visitar. Como um livro de pedra, na cidade pode ficar a conhecer a história de arte portuguesa através dos monumentos, com particular destaque para os exemplos de arquitetura gótica. Foi de Santarém, da Escola Prática de Cavalaria, que partiu a coluna militar comandada pelo Capitão Salgueiro Maia, em direção a Lisboa, iniciando o golpe militar.


Forte de Santa Luzia, Elvas ©Christophe Cappelli / Shutterstock

Grândola
A sucessão de praias do litoral alentejano, entre Troia e Melides, pertence ao concelho de Grândola. Além de ter algumas das praias mais apreciadas da costa portuguesa, a localidade ficou para a história por ser o nome da canção de Zeca Afonso,  “Grândola, Vila Morena”.

A música foi escolhida pelo Movimento das Forças Armadas como o segundo sinal transmitido pela rádio, dando a indicação aos militares que se podiam pôr em marcha em direção a Lisboa. Iniciava-se assim a Revolução dos Cravos. A canção tornou-se um hino do acontecimento histórico e relembra os valores conquistados: a liberdade, a igualdade e a solidariedade.

Alcáçovas
No concelho de Viana do Alentejo, Alcáçovas é referência na lista de Património Imaterial classificado pela UNESCO, por ser o centro de fabrico tradicional de chocalhos, um saber transmitido de geração em geração, que obedece a um processo manual muito próprio. No Museu do Chocalho, conta-se essa história através de uma coleção particular com mais de 3.000 peças recolhidas ao longo de 60 anos. Perto da localidade, foi no Monte Sobral que se realizou a primeira reunião entre os Capitães de Abril e onde se começou a delinear a Revolução dos Cravos.


Elvas
Sendo uma cidade perto da fronteira, a importância militar de Elvas é natural e por isso o elaborado complexo de fortificações militares justificou a sua classificação de Património Mundial pela UNESCO. No seu itinerário pela cidade, visite o Museu Militar de Elvas, onde se conservam os chaimites e veículos blindados que participaram na Revolução.


Murais de Liberdade, São João da Madeira © Ruído

Roteiro Artístico “Murais de Liberdade”
A partir de 1974, paredes e muros serviam de tela a mensagens destinadas a mobilizar quem passava na rua para os valores em luta. Atualmente, a arte urbana ocupou esses lugares e continua a ser uma forma de expressão de intervenção muito apreciada, que veio modificar a paisagem das cidades.

Num roteiro de norte a sul do país, em 14 localidades, os “Murais de Liberdade” revelam obras de arte urbana da autoria do projeto “Ruído”. Enquanto se passeia pelas cidades onde tiveram lugar os acontecimentos mais importantes da Revolução dos Cravos, poderá relembrar a história em murais onde se destacam temas e acontecimentos significativos, através dos símbolos representativos da liberdade, do humanismo e da democracia.

COMEMORAÇÕES

Por todo o país, há um programa alargado de atividades para assinalar a data e comemorar a Liberdade. Destacam-se as exposições de fotografia e de registos documentais da época, que mostram um Portugal diferente dos dias de hoje, e os concertos, que recordam uma das expressões mais importantes e universais de intervenção, a música. Consulte o programa das Comemorações, que em 2026 destaca a Constituição da República proclamada em 1976. No dia do 25 de Abril, terá a oportunidade de participar ou assistir a iniciativas nas principais cidades, com destaque para os desfiles da Avenida da Liberdade, em Lisboa, e da Avenida dos Aliados, no Porto.

SÍMBOLOS


©ChayTessari / Unsplash

O Cravo vermelho
O cravo vermelho no cano de uma espingarda ou na mão é uma imagem icónica do 25 de Abril. Sendo uma flor da época, a história desse momento está ligada ao gesto de uma mulher, Celeste Caeiro. Vivia no Chiado e trabalhava num restaurante que no dia 25 de abril de 1974 celebrava o primeiro aniversário e tinha cravos vermelhos para oferecer aos seus clientes. Quando o dono percebeu pela rádio o que estava a acontecer nas ruas da cidade, fechou o restaurante e deu os cravos a Celeste. A caminho de casa, no Rossio, Celeste, ao ver os chaimites passar em direção ao Largo do Carmo perguntou a um soldado o que se passava e ofereceu-lhe um cravo que o colocou na espingarda. Assim foi dando os cravos a outros soldados que os iam colocando nas espingardas e outras floristas da Baixa fizeram o mesmo.
O cravo na espingarda ajudou o povo a identificar as tropas da revolução e ficou para a posteridade nas muitas imagens que se captaram desse dia.

O lápis azul
Durante a ditadura, nada se publicava em Portugal sem o visto prévio da Comissão de Censura do governo. Na imprensa, nos meios de comunicação social e em todo o género de manifestações culturais os censores vigiavam, riscavam os textos a lápis azul e proibiam tudo o que pudesse apresentar alguma ideia que pusesse em dúvida o regime e a ditadura. A liberdade de expressão foi uma das maiores conquistas de Abril.

A música
Ao dia da Revolução dos Cravos ficaram diretamente associadas duas músicas, transmitidas pela rádio, que foram usadas como sinais para dar início ao golpe de Estado que poria fim à ditadura do Estado Novo.

A primeira música foi “E depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, transmitida pelos Emissores Associados de Lisboa às 22h55, na véspera, para que os militares iniciassem os preparativos para a operação militar desencadeada pelo Movimento das Forças Armadas.

Às 00h20, tocaria a canção “Grândola Vila Morena”, de José Afonso (ou Zeca Afonso), na Rádio Renascença. Era a senha para a operação militar avançar, com forças vindas de Almada, Aveiro, Estremoz, Figueira da Foz, Mafra, Santa Margarida, Santarém, Serra da Carregueira, Tancos, Vendas Novas e Viseu.


A Demanda do Graal

Imagine-se um cavaleiro da corte do Rei Artur a participar na busca do Cálice Sagrado. Essa demanda não terá lugar no Reino de Logres, mas no coração de Portugal, nestas paisagens do oeste da Europa, outrora dominadas por cavaleiros templários e monges cistercienses. Este é o mote para um roteiro de dois dias em que poderemos redesenhar uma geografia mítica e partir numa busca imaginária que irá culminar em Tomar, o ponto de reunião dos heróis da demanda.

O percurso começa em Alcobaça, no Mosteiro erguido pela Ordem de Cister que adaptou os contos pagãos da Demanda do Graal segundo os preceitos das virtudes cristãs. Este é também o primeiro templo gótico em Portugal e lembra a abadia de Uter Pendragon, onde Galaaz fez a vigília e conheceu a sua missão. Prosseguimos para o Campo militar de Aljubarrota, palco da batalha em que D. João I venceu os castelhanos garantindo a independência de Portugal, tal como em Ginzestre, Lancelot derrotou o Rei Lionel. O Mosteiro de Santa Maria da Vitória celebra esse feito extraordinário numa arquitetura sublime, que tem o seu expoente nas Capelas Imperfeitas. 


Castelo de Almourol ©Paulo Magalhães

Continuamos por cenários que podiam ilustrar contos de cavalaria. É assim o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros que lembra a Terra Foraia com lagos que aparecem e desaparecem como o Polje de Minde, e antros profundos nas belíssimas grutas. Já o Castelo de Almourol, inacessível numa ilhota no meio do rio Tejo, foi um importante bastião defensivo da Ordem do Templo e palco imaginário de lendas de gigantes e donzelas.

Dedicamos o segundo dia a Tomar, cidade repleta de símbolos esotéricos. No Convento de Santa Iria, a imagem que a evoca no local do seu martírio revela, na base, uma figura conotada com o Rei Artur, um touro que olha para norte em direção à constelação do Boieiro onde cintila a estrela Arcuturus. Na Igreja de Santa Maria do Olival, panteão templário, descobrem-se os signos de Salomão e estrelas de David. Esta seria a Ermida da Oliveira Vermelha cenário das visões proféticas de Galvão e Estor.


Dornes

A cerca de 30 kms, fica a Torre atalaia de Dornes - o “castelo estranho” da amada do cavaleiro Dalides. Mais perto de Tomar existe uma piscina natural em forma de taça com o nome de “Agroal”, cujas letras colocadas por outra ordem formam “O Graal”. No centro da cidade, a roda do Rio Nabão lembra um selo rodado do 1º Rei de Portugal, D. Afonso Henriques no qual se lê “Portugral”. Seria este o “Porto do Graal”?


Mata Nacional dos Sete Montes

Ao visitar a Mata dos Sete Montes, o “Jardim de Urganda”, descobrimos a Charolinha no meio da vegetação frondosa e subimos a encosta para visitar o castelo e o Convento de Cristo. O conjunto reproduz o traçado dos muros de Jerusalém com o Santo Sepulcro no interior, e a Igreja Manuelina copia o Templo de Salomão nas suas proporções. A Charola, belíssima em forma de círculo, onde os cavaleiros templários assistiam à missa, rodeia o altar, uma távola redonda. Este poderia ser o Paço Espiritual onde a taça sagrada se manifestou e será o culminar deste roteiro, uma demanda em que o “Graal” não terá a forma de cálice, mas sim da descoberta de paisagens e monumentos deslumbrantes.


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