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Sugestões

Surf Breakers Guide

Para quem faz surf, a procura nunca acaba. Há sempre outra onda, um novo spot ou uma razão para continuar a explorar.

Em Portugal, essa descoberta continua para lá do mar. Entre sessões de surf, há sabores para experimentar, trilhos para percorrer, cidades e vilas para conhecer e histórias para descobrir. Foi com este espírito que nasceu o Surf Breakers Guide, um guia com 49 experiências que ligam o melhor de Portugal a diferentes spots de surf. Cada break é uma nova descoberta. E cada descoberta pode levar à próxima onda.

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Porto e Norte

De Espinho a Viana do Castelo, a costa norte desenha-se entre beach breaks dinâmicos e reefs envolventes que pedem flexibilidade e o timing certo para apanhar as melhores condições. Mas a viagem ganha outra dimensão assim que se sai da água: o ritmo do surf cruza-se naturalmente com o terroir de Penafiel no The Cellar Break, o bem-estar revigorante do The Spa Break nas Termas de Chaves, a energia urbana do The Market Break no Mercado do Bolhão ou o património secular do The Sanctuary Break em Ponte de Lima.

Centro de Portugal

Esta é uma das zonas mais emblemáticas do surf mundial, onde a força do Atlântico se traduz na potência de Peniche, nas ondas gigantes da Nazaré e na consistência de spots como a Figueira da Foz, Mira e Barra. Fora de água, a ondulação interior ganha contornos de património e tradição: da imersão cultural no The Knowledge Break na Biblioteca Joanina de Coimbra à doçura icónica do The Sweet Break com ovos moles de Aveiro, passando pela grandiosidade histórica do The Devotion Break no Mosteiro de Alcobaça e a tranquilidade da natureza no The Forest Break na Mata Nacional do Buçaco.

Lisboa

Entre a Costa da Caparica, Carcavelos, Guincho e a Reserva Mundial de Surf da Ericeira, a costa de Lisboa oferece vagas para todos os níveis e direções de vento. A grande vantagem é não ter de escolher entre uma surf trip e uma escapadinha urbana: aqui, um set ao início da manhã pode dar lugar à criatividade urbana do The Open Air Break, aos aromas Atlânticos do The Terroir Break em Torres Vedras, ao conforto gastronómico do The Flavour Break com um prato de Bacalhau à Brás ou ao equilíbrio entre arte e natureza no The Canvas Break na Fundação Calouste Gulbenkian.

Alentejo

Na costa alentejana, o surf faz-se ao longo de praias extensas, selvagens e sem pressas, onde os horizontes parecem infinitos. Quando a sessão termina, a estrada convida a ir mais longe e a adotar o ritmo da região: da imponência de pedra do The Fortress Break no Castelo de Montemor-o-Novo à história milenar do The Heritage Break em Évora, Património Mundial da UNESCO, culminando na imensidão mágica do The Starlight Break no Dark Sky Alqueva ou no conforto rústico do The Shark Break, uma paragem gastronómica onde a tradição da sopa de cação retoma forças para a próxima sessão.

Algarve

Com duas fachadas marítimas à escolha, mudar de spot no Algarve é tão simples como mudar de direção. A costa vicentina recebe as ondulações de frente, enquanto a costa sul oferece abrigo e sessões perfeitas nos dias mais fortes de inverno. Longe da praia, o ritmo de descoberta continua na vivacidade de cores do The Fresh Break no Mercado de Olhão, nas marés calmas do The Lagoon Break na Ria Formosa, na expressão cénica do The Stage Break no Teatro Lethes ou nas notas singulares de vinho no The Reserve Break nas vinhas de Lagoa.

Madeira

Reconhecida no surf internacional pelos seus point breaks e reefs imponentes, a Madeira é um arquipélago de descobertas moldado por uma geografia dramática. Entre sessions, a ilha convida a restabelecer energias na força da água do The Reset Break na Cascata do Córrega da Furna, a mergulhar no tempo com o The Heritage Break nas caves de Vinho da Madeira, a saborear a tradição no The Butchers Break em Câmara de Lobos ou a percorrer o The Traverse Break pelas icónicas levadas do Funchal.

Açores

No meio do oceano, a experiência de surf ganha outra escala e revela a essência do Atlântico em estado puro. São Miguel oferece uma variedade incrível de fundos e condições, enquanto lugares míticos como a Fajã da Caldeira de Santo Cristo, em São Jorge, representam a simbiose perfeita entre a busca da onda e a natureza selvagem. Fora de água, o arquipélago descobre-se na imponência do The Crater Break na Lagoa das Sete Cidades, nas águas quentes do The Steam Break na Caldeira Velha, no sabor autêntico do The Tasca Break e na persistência humana talhada em lava no The Stone Break nas vinhas do Pico.

A próxima viagem começa agora. A próxima onda pode estar mesmo ali. Ou pode levar a uma nova descoberta pelo caminho. Explore 49 experiências para viver Portugal entre sessões de surf. Escolha o próximo break e continue a viagem.

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TEJ 2026


Stay Cool - Continue a explorar Portugal no verão

Os dias longos e soalheiros convidam a aproveitar Portugal ao ar livre, a percorrer cada destino ao ritmo da curiosidade e a descobrir tudo o que há pelo caminho. Quando as temperaturas sobem, adaptar a forma de explorar permite continuar a aproveitar cada momento da viagem.

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Com a Rede de Refúgios Climáticos | Stay Cool pode encontrar espaços preparados para proporcionar melhores condições de conforto térmico durante períodos de calor intenso. Ao alternar experiências ao ar livre com locais mais frescos, pode adaptar o percurso às diferentes horas do dia e continuar a descobrir cada destino de forma confortável.
Ao longo da viagem, esteja atento ao selo Stay Cool, que assinala espaços onde pode encontrar maior conforto nos dias mais quentes.

Encontre um refúgio climático

Descubra o lado mais fresco das cidades
Há diferentes formas de continuar a explorar com maior conforto. Ao ar livre, entre cultura e património ou noutros espaços aderentes à Rede, procure o símbolo Stay Cool ao longo da sua viagem.


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Ao ar livre
Parques e jardins urbanos, zonas ribeirinhas, praias e outros espaços exteriores oferecem sombra, vegetação ou proximidade da água, proporcionando condições mais confortáveis para continuar a desfrutar do destino.

Cultura e Património
Museus, bibliotecas, equipamentos culturais, igrejas, mosteiros, palácios e monumentos permitem continuar a explorar Portugal em ambientes interiores mais frescos, combinando conforto, cultura e património no mesmo percurso.

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Espaços de apoio ao visitante
Empreendimentos turísticos, centros comerciais e outros espaços aderentes à Rede proporcionam condições de conforto térmico que podem ser integradas no seu percurso durante os períodos de maior calor.

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Aproveite melhor cada dia de verão
Nos dias mais quentes, adaptar o percurso e o horário permite continuar a descobrir Portugal com maior conforto. Algumas escolhas simples podem ajudar:
1. Comece mais cedo ou explore ao final do dia - Reserve as atividades ao ar livre para a manhã e o final da tarde, quando as temperaturas tendem a ser mais confortáveis.
2. Alterne entre o exterior e espaços mais frescos - Combine passeios pela cidade com visitas a museus, monumentos, bibliotecas, jardins e outros Refúgios Climáticos.
3. Escolha percursos com sombra - Sempre que possível, opte por ruas arborizadas, parques, jardins e outros espaços protegidos da exposição direta ao sol.
4. Mantenha-se hidratado - Tenha água consigo e hidrate-se regularmente ao longo do dia.
5. Adapte o ritmo - Aproveite cada lugar ao seu tempo e ajuste os planos às condições meteorológicas e às necessidades de quem viaja consigo.

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O seu percurso continua

Há sempre mais uma rua para percorrer, uma história para conhecer ou um lugar para descobrir. Nos dias mais quentes, adapte o percurso, procure os espaços identificados e continue a desfrutar de Portugal ao seu ritmo.

Stay Cool - Continue a explorar Portugal no verão.


Não procures mais longe

Durante muito tempo, viajar foi sinónimo de distância. O valor de uma experiência parecia medir-se pelo número de quilómetros percorridos, pela ideia de ir longe para mudar de ritmo, desligar ou sentir algo diferente. Mas aquilo que procuramos quando saímos não depende necessariamente do lugar onde estamos. Depende do que nos faz sentir. E a verdade é que não precisamos de procurar mais longe para encontrar paz, sabor, calma, espanto ou liberdade. Tudo isso já existe, aqui mesmo, em Portugal. 

QUIETUDE

A quietude não se explica. Sente-se na mudança de ritmo, no silêncio e na paisagem que parece ficar intacta durante muito tempo. Há lugares onde o som baixa naturalmente e o tempo deixa de ser urgente.

No Parque Natural de Montesinho, aldeias pequenas, trilhos longos e natureza preservada criam uma sensação rara de afastamento e tranquilidade. Caminha-se entre bosques, rios e caminhos antigos, quase sempre sem pressa. No Parque Nacional da Peneda-Gerês, na Serra do Buçaco ou no Parque Natural da Serra da Estrela, essa mesma relação entre natureza e silêncio prolonga-se entre montanha, floresta e paisagens onde tudo abranda naturalmente.

PAZ

Paz, por vezes, é só isso. Água, sombra e frescura nos dias mais quentes. Um ritmo que abranda sem esforço e muda o dia quase de imediato. Há momentos em que basta entrar na água para tudo parecer diferente.

Nas Fisgas do Ermelo, a cascata, as lagoas naturais e a paisagem envolvente criam condições ideais para parar e refrescar. Trilhos pedestres atravessam a serra e conduzem a zonas de mergulho rodeadas de natureza. Nas serras do Gerês, do Alvão ou junto às praias fluviais espalhadas pelo interior do país, a combinação entre vegetação, altitude e água volta a transformar o calor em pausa.

CALMA

A calma revela-se em pequenos gestos. Caminhar devagar, observar com atenção, deixar o tempo de lado. O silêncio deixa de ser ausência e passa a ter presença.

Nas Aldeias do Xisto, como o Talasnal, a escala reduzida convida a uma experiência mais próxima, feita de ruas estreitas, casas recuperadas e paisagens serranas. Percursos pedestres ligam várias aldeias e permitem explorar a região ao próprio ritmo. Em locais como Piódão, Sortelha ou Monsanto, o património preservado e a ausência de grandes fluxos mantêm essa sensação de pausa, ideal para escapadinhas de fim de semana em qualquer altura do ano.

LEVEZA

A leveza encontra-se no movimento contínuo. Entre o verde e o som da água, o corpo segue e a cabeça acompanha. Sem dar conta, tudo se torna mais simples.

Nos Passadiços do Paiva, o percurso ao longo do rio combina natureza, acessibilidade e diferentes ritmos de caminhada, com zonas de descanso e pontos de entrada na água durante os meses mais quentes. É possível percorrer troços mais curtos ou seguir vários quilómetros sempre acompanhado pela paisagem. Outros percursos, como os Passadiços do Mondego e os trilhos junto ao Rio Zêzere, oferecem experiências semelhantes, entre natureza preservada e contacto constante com a água.

CERTEZAS

Há lugares que permanecem. Na paisagem, na memória e na forma como resistem ao tempo. Há lugares onde a história continua presente sem precisar de explicação.

No Castelo de Porto de Mós, muralhas, torres e vistas abertas ajudam a contar a história da região e do território ao redor. A poucos quilómetros, mosteiros, grutas e vilas históricas completam uma paisagem marcada pelo património. Em Óbidos, Guimarães ou Marvão, essa mesma ligação entre memória, arquitetura e identidade permanece viva nas ruas, nos monumentos e nas tradições locais.

ESPANTO

O espanto acontece sem aviso. Na luz, na transparência da água, na forma como a paisagem se abre de repente. Há momentos que interrompem tudo o resto.

No Parque Natural da Serra da Arrábida, praias de água clara e a paisagem protegida criam um contraste inesperado, tão perto da cidade de Setúbal. Entre trilhos na serra, mergulho, observação da costa ou simplesmente tempo de praia, a sensação é sempre a de descobrir um lugar improvável. Mais a sul, no Algarve, na Praia da Marinha ou ao longo da Costa Vicentina, o mar e as falésias repetem esse mesmo impacto visual.

PERTENÇA

A pertença está nas raízes. Na história que se lê nas ruas, nas casas e na paisagem. Um sentimento que liga o presente ao que já estava lá.

Em Mértola, o rio, as casas brancas e as marcas deixadas por diferentes culturas fazem parte da identidade do lugar. A herança islâmica, o património arqueológico e a relação próxima com a paisagem criam uma ligação forte com o território. Em Monsaraz, Castelo Rodrigo ou nas Aldeias Históricas espalhadas pelo interior, essa sensação prolonga-se nas tradições, na arquitetura e na vida local.

ÍMPETO

O ímpeto surge com o vento, o mar e o espaço aberto. O corpo responde, acompanha, move-se. Há dias em que parar não faz parte.

Na Zambujeira do Mar, as falésias, as praias amplas e o oceano aberto criam o cenário ideal para dias mais ativos. Caminhadas costeiras, surf, percursos de bicicleta ou simplesmente longas horas junto ao mar fazem parte do ritmo natural da costa alentejana. Na Ericeira, em Peniche ou ao longo da Costa Vicentina, o contacto direto com o oceano continua a alimentar essa energia em movimento.

ALEGRIA

Onde a água se encontra, o espaço abre-se e o tempo deixa de ter direção. Há paisagens que criam imediatamente uma sensação de felicidade.

No Rio Arade, o percurso entre o interior e o mar revela margens tranquilas, pequenas praias e diferentes formas de explorar o território, entre passeios de barco, caiaque e zonas naturais. No Parque Natural da Ria Formosa, na Reserva Natural do Estuário do Sado ou ao longo do Rio Douro, a água continua a criar percursos abertos, ritmos mais leves e uma sensação constante de espaço.

SORRISO

E o sorriso aparece sem esforço. Na luz do fim do dia, na paisagem que muda devagar, naquele momento em que se fica só a olhar. Há finais de tarde que parecem prolongar o tempo.

Em Sagres, o pôr do sol marca o ritmo do final do dia, entre falésias, mar aberto e horizonte sem fim. Ao longo da costa, diferentes pontos de observação convidam a parar e simplesmente acompanhar a mudança da luz. No Cabo da Roca, na Madeira ou em várias zonas costeiras do país, essa experiência repete-se de formas diferentes, mas com a mesma sensação de liberdade e contemplação.

No fim, não é sobre ir mais longe. É sobre encontrar o que faz falta. E a verdade é que tudo isso pode estar mais perto do que imaginas. Em Portugal.

Não procures mais longe. Encontra o teu país.


Portugal means Business

Em Portugal, reuniões, eventos, conferências e encontros profissionais encontram o equilíbrio perfeito entre produtividade e inspiração.

Aqui, cada agenda ganha um cenário que eleva ideias, fortalece equipas e cria momentos memoráveis.

Seja uma board meeting junto ao oceano, uma round table entre vinhas ou uma closing session ao pôr do sol, Portugal oferece o lugar certo para qualquer encontro profissional.

Planeie o seu próximo evento em Portugal e descubra mais em MeetingsInPortugal.com 

Um Destino Pensado para Reuniões e Eventos Profissionais

Portugal é um dos destinos mais atrativos da Europa para o setor MICE, o segmento que reúne reuniões, programas de incentivos, conferências e grandes eventos profissionais.. Seguro, acolhedor e bem ligado ao mundo, combina infraestruturas modernas, espaços profissionais e uma elevada qualidade de vida. Mais do que um local para acolher eventos, Portugal oferece um ambiente onde trabalho e estilo de vida fluem naturalmente, criando condições ideais para encontros produtivos.

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Em todo o país, os organizadores encontram uma grande diversidade de espaços adaptados a diferentes escalas e formatos, desde grandes congressos e exposições a reuniões corporativas, programas de incentivos e retiros executivos. Cidades como Lisboa e Porto recebem eventos internacionais com facilidade, enquanto regiões como o Centro de Portugal, Alentejo, Algarve, Madeira e Açores oferecem ambientes distintos que se ajustam aos objetivos de cada programa, sejam eles urbanos, costeiros, rurais ou ligados à natureza.

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A conectividade desempenha também um papel central. Com aeroportos em Lisboa, Porto, Faro, Madeira e Açores, Portugal mantém ligações durante todo o ano aos principais mercados internacionais, garantindo acesso facilitado para participantes de todo o mundo. As redes de transporte nacionais tornam igualmente simples a deslocação entre cidades e regiões.

O que organizadores e participantes podem esperar em Portugal:
• Uma localização estratégica com ligações a grandes centros internacionais
• Infraestruturas fortes e diversificadas, desde centros de congressos a espaços culturais
• Espaços profissionais para eventos de todas as dimensões
• Um clima ameno que favorece atividades ao ar livre e formatos combinados
• Serviços de elevada qualidade, hospitalidade reconhecida e uma experiência confortável
• Ambientes culturais, gastronómicos e costeiros que enriquecem qualquer agenda
• Um compromisso claro com a sustentabilidade e o turismo responsável

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O Turismo de Portugal e os parceiros regionais prestam apoio aos organizadores, facilitando o acesso a contactos, informação e recursos relevantes para a preparação de eventos. Desde a pesquisa inicial até à seleção de espaços e à logística, Portugal oferece uma estrutura fiável que torna o planeamento mais simples e eficiente.

Explore espaços, ferramentas de planeamento e serviços de apoio em MeetingsInPortugal.com  


Visita a Sintra por Hans Christian Andresen

Roteiro literário | Percorrer Sintra pelas linhas de Hans Christian Andresen

Seguir os passos de Hans Christian Andersen por Sintra é mais do que visitar um património cultural, natural e arquitetónico: é deixar-se tocar pela atmosfera mística da vila, escutar os seus silêncios, perder-se nos caminhos e reencontrar-se nas paisagens. Traga um diário, prepare a câmara e leve consigo memórias repletas de fantasia.

“Todo o estrangeiro poderá encontrar em Sintra um pedaço da sua pátria. Eu descobri aí a Dinamarca…”, sublinhou Hans Christian Andersen. Nos bosques húmidos da serra, nos nevoeiros matinais e nos caminhos sombreados por carvalhos, o escritor dinamarquês sentiu que Sintra lhe devolvia memórias de casa. É essa familiaridade rara, num lugar distante da terra natal, que muitos visitantes ainda hoje encontram.

Nos finais do século XIX, o escritor que deu vida às obras A Pequena Sereia e O Patinho Feio passou pelo país durante as suas deambulações pela Europa, enquanto procurava material digno de nota para as produções artísticas. Da sua experiência de três meses e da sua imaginação fértil nasceu o diário Uma Visita a Portugal em 1866. Hans Christian Andersen escreveu: "Todo o caminho da serra é um jardim, onde natureza e arte maravilhosamente se combinam, o mais belo passeio que se pode imaginar".

Sintra: Um lugar de encanto e de inspiração para escritores

A Paisagem Cultural de Sintra, eleita Património Mundial da Humanidade em 1995, é sensorial e combina natureza exuberante, arquitetura romântica e história. Ao longo dos séculos, seduziu vários artistas, ao ponto de Lord Byron a descrever como “glorioso Éden” e de Ferreira de Castro, que produziu a maioria dos seus manuscritos na vila e que veio a ter uma Casa-Museu, ter doado o seu espólio à “poesia da natureza sintrense”, onde meditou e sonhou as suas criações.

Um século antes da distinção da UNESCO, Hans Christian Andersen chegou a Sintra e permaneceu pela zona cerca de duas semanas. Foi hóspede da família de José O’Neill, filho do Cônsul da Dinamarca, numa casa na Calçada dos Clérigos, e explorou os arredores na companhia do poeta britânico Edward Bulwer-Lytton. Juntos caminharam pela serra, visitaram palácios e jardins e descobriram uma Sintra literária onde natureza e arte se entrelaçavam, uma vivência que foi traduzida como “o mais belo passeio que se pode imaginar”.

Um itinerário pela vila

A visita de Andersen a Sintra pode ser reconstituída através dos locais que mencionou nos seus escritos e que ainda hoje mantêm o seu encanto. Percorra este itinerário e visite cada um dos pontos de referência.

Fonte da Sabuga
Entre os muros da Quinta do Saldanha, existe este fontanário cuja história remonta ao período medieval, de acordo com as referências bibliográficas. Também há séculos são mencionadas as propriedades curativas das águas que nela correm, eternizadas pela rainha D. Luísa de Gusmão. Este exemplar arquitetónico, que sofreu várias alterações e que foi reconstruído após o terramoto de 1755, integra o Roteiro de Fontes de Sintra. É, até aos dias de hoje, um ponto de encontro e de descanso para os caminhantes e viajantes. Abeirando-se desta fonte, Hans Christian Andersen refrescava-se e observava a vida tranquila da vila. Hoje, a fonte mantém o seu charme e continua a oferecer um momento de pausa antes de subir as encostas da Serra de Sintra.

Igreja de Santa Maria
Este templo erguido por altura da fundação de Portugal, quando D. Afonso Henriques conquistou a vila de Sintra aos Mouros, está rodeado por vegetação - e era esta ambiência natural que transmitia a Hans Christian Andersen uma ideia de recolhimento. Também o terramoto abalou a sua estrutura, mas manteve-se o pórtico gótico original, ao qual foram adicionados detalhes renascentistas. Passando as suas portas, é possível encontrar capitéis e uma abóboda artesoada medievais, pias batismais e uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. A sua arquitetura simples contrasta com a exuberância natural à volta, criando um cenário que parece suspenso no tempo.

Igreja de São Pedro de Penaferrim
Localizada no Largo do Adro da Igreja, em São Pedro de Sintra, esta igreja guarda séculos de história religiosa. Hans Christian Andersen descobriu-a numa das suas caminhadas pela zona, tendo sido atraído, mais uma vez, pela serenidade e pelo enquadramento rural. Combinando elementos medievais e barrocos, este monumento tem um pórtico barroco com o brasão do cardeal D. Tomás de Almeida, esculturas notáveis e uma sequência de azulejos do século XVIII com episódios da vida de São Pedro.

Palácio Nacional de Sintra
No coração de Sintra, com as suas chaminés brancas demarcadas na paisagem, o Paço da Vila, como também é conhecido, foi descrito pelo autor dinamarquês como tendo “duas garrafas de champanhe acopladas”. As decorações das Salas dos Cisnes e dos Brasões que ilustram a vida monárquica, uma das maiores coleções de azulejos mudéjares in situ da Península Ibérica, as chaminés cónicas e a cozinha mantêm preservada a atmosfera que o escritor experienciou. Utilizado pela Família Real Portuguesa até ao final da Monarquia como residência e para caçadas reais, o Palácio Nacional de Sintra foi palco de anúncios e de tomadas de decisão importantes para a História de Portugal, sendo exemplos disso a proclamação de reis e o anúncio da descoberta do Brasil.

Palácio Nacional da Pena
Hans Christian Andersen descreveu a subida pela Serra de Sintra em direção ao Palácio da Pena como um passeio por um “jardim encantado”. O percurso do Parque da Pena, ladeado por árvores centenárias e espécies exóticas, revela vislumbres do palácio colorido entre a folhagem, criando expetativa a cada curva. Residência de verão de D. Fernando II, o rei consorte de D. Maria II, que adquiriu as ruínas do monumento e as suas terras no século XIX. Combina diferentes estilos arquitetónicos, sendo um exemplo do revivalismo romântico em Portugal. No exterior, destaca-se a Gruta do Monge, um antigo espaço de meditação, contemplação e recolhimento, o Jardim das Camélias e a Feteira da Rainha, onde existe uma das árvores mais impressionantes, uma Tuia-gigante. Já no interior, é imperdível a capela com um vitral de D. Fernando II, na parede oposta ao altar-mor. Aqui, o escritor ficou fascinado pela forma como a arquitetura dialogava com a natureza, criando um cenário digno de um dos seus contos de fadas.

Parque e Palácio de Monserrate
Para o escritor dinamarquês, Monserrate era “uma verdadeira vinheta das Mil e Uma Noites”. Com inspiração oriental e (re)construído em 1858, com uma traça romântica, sobre as ruínas de uma mansão neogótica, o Palácio foi residência de verão da família de Sir Francis Cook, visconde de Monserrate. Além de ter sido visitado por Lord Byron, no início do século XIX, que se inspirou neste monumento para o livro Childe Harold's Pilgrimage, e de ter servido de pano de fundo a um episódio da série As Viagens de Gulliver, de 1996, com o ator Ted Danson a vestir o protagonista criado por Jonathan Swift. Os jardins botânicos, com espécies vindas de todo o mundo, cascatas e lagos, oferecem-lhe uma experiência sensorial e estética únicas.

Sintra além do roteiro de Andersen

Depois de seguir os passos do célebre escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, vale a pena prolongar a viagem e deixar-se guiar pela intuição e pela beleza natural do Parque Natural de Sintra-Cascais. Há tesouros escondidos entre a serra e o mar que convidam à contemplação, ao sabor e à descoberta.

Colares e Janas
Aninhada entre a serra e o Atlântico, Colares é uma vila discreta, mas rica em tradição. O seu vinho da casta Ramisco, cultivado em solos arenosos junto à costa, é uma raridade que carrega séculos de história e de resistência. Provar este vinho é como saborear a paisagem, intensa e profundamente ligada à terra. As ruas tranquilas, ladeadas por casas antigas e vinhas, convidam a uma pausa demorada.

Por sua vez, Janas representa um ponto de encontro entre património, ancestralidade e práticas sustentáveis que respeitam o território. Nesta aldeia rural encontra-se uma capela circular dedicada a São Mamede, uma construção invulgar que poderá ter origem em práticas religiosas anteriores ao cristianismo. Nas redondezas, foram identificados vestígios arqueológicos que apontam também para ocupações humanas desde a pré-história, reforçando a importância histórica da zona. A aldeia tem vindo ainda a afirmar-se como um espaço onde se promove a sustentabilidade, através de projetos ligados à agricultura biológica, à educação ambiental e à valorização dos saberes locais.

Praia das Maçãs, Praia Grande e Azenhas do Mar
Ligada ao coração de Sintra pelo elétrico centenário que serpenteia pela paisagem, acompanhado das suas paragens pitorescas, a Praia das Maçãs é um lugar onde o tempo parece abrandar. Com ambiente familiar e descontraído, mistura tradição balnear com cafés acolhedores e mercados locais; e ainda com uma antiga colónia de férias que foi transformada numa pequena aldeia de praia, com vários espaços dedicados ao bem-estar. É o sítio ideal para um mergulho seguido de uma conversa demorada.

Já a Praia Grande e as Azenhas do Mar, dois postais marítimos, proporcionam pausas contemplativas, uma conexão com o mar através do surf e tratamentos terapêuticos, graças aos benefícios da água salgada. Se a talassoterapia integra a lista de requisitos para uma visita revitalizante a Portugal, a Praia Grande dispõe de uma piscina de água salgada diretamente ligada ao oceano, ao passo que as Azenhas do Mar, zona de casas brancas encaixadas na falésia, convidam a mergulhar em piscinas naturais com vista para o Oceano Atlântico. É possível também fazer trilhos de BTT e rotas de cicloturismo, para usufruir de vistas incríveis da costa, ladeados pela natureza do Parque Natural de Sintra-Cascais. Um roteiro à beira-mar que não pode terminar sem uma degustação de peixe e marisco frescos, embalada pelo som das ondas e da fauna local. 

Um convite à descoberta
Em Portugal, há sempre uma paisagem por contar, uma arquitetura que é base e traço de narrativas, um sol que sublinha as estórias de quem procura mais de 300 dias de luz dourada para as memórias. Sintra, que foi musa de escritores nacionais como Almeida Garrett no romantismo e Eça de Queiroz no realismo, inspirou o autor dinamarquês de contos de fadas Hans Christian Andersen a criar um roteiro literário pela mística vila às portas de Lisboa. Experimente-o!


Arte Equestre portuguesa

Classificada em 2024 como Património Imaterial da Humanidade, a arte equestre portuguesa possui uma expressão erudita e outra mais popular, interligando as dimensões funcionais e artísticas.

A arte de montar lusitana distingue-se das escolas de outros países pelos trajes dos cavaleiros e a sua posição na sela, pelos arreios dos cavalos e sobretudo pela forma de lidar com o cavalo. O cavaleiro desenvolve um conhecimento do animal, procurando e incentivando a sua colaboração sem recorrer ao uso da força. Existe uma harmonia e respeito entre cavaleiro e cavalo.

Arte Equestre Portugusa
Escola Portuguesa de Arte Equestre © Pedro Yglesias

Para apreciar em toda a dimensão esta arte, nada como assistir a um espetáculo da Escola Portuguesa de Arte Equestre. As sessões realizam-se regularmente no Picadeiro Henrique Calado, situado em Lisboa, na zona de Belém. Um espetáculo a não perder durante a sua visita a Portugal.

Arte Equestre Portugusa
Escola Portuguesa de Arte Equestre © Pedro Yglesias

Os cavalos utilizados são na maioria de raça puro-sangue lusitano, o cavalo de sela mais antigo do mundo que é montado há mais de cinco mil anos. Trata-se de um animal de tamanho e porte majestosos, que se distingue também pelas tranças que habitualmente os criadores fazem nas suas crinas. Grande parte destes animais são criados no Alentejo, na Coudelaria de Alter em Alter do Chão, a mais antiga coudelaria do mundo a funcionar ininterruptamente no mesmo local. Este é um espaço que vale a pena visitar para saber mais sobre este nobre animal, ou até para praticar algumas das atividades equestres disponíveis. Um momento imperdível numa visita é a saída para o campo de uma eguada com mais de 60 éguas, que por vezes vão acompanhadas pelos seus potros.

Feira Nacional do Cavalo
Feira Nacional do Cavalo - Golegã

Ao longo do ano realizam-se em Portugal diversos eventos e competições em que o cavalo é a estrela principal. De entre estes, destaca-se a Feira Nacional do Cavalo, o maior evento equestre do país e que tem lugar em novembro na Golegã e a Feira do Cavalo de Ponte de Lima que se realiza em junho/julho. São eventos a não perder para conhecer melhor a tradição da arte equestre portuguesa.



Roteiro de Arte Urbana

Roteiro de arte para celebrar abril

Os murais são manifestações artísticas que representam verdadeiras janelas para a história e identidade de Portugal. Por todo o país, cada obra convida a conhecer a Revolução de 25 de Abril de 1974 através da arte, explorando o património cultural e turístico.

A arte urbana sempre foi um espelho dos tempos e com a celebração dos 50 anos do 25 de Abril, as cidades ganham novas cores para lembrar e celebrar a história. Se antes os murais revolucionários serviam para afirmar a liberdade recém-conquistada, hoje continuam a ser uma poderosa manifestação artística que liga passado e presente.

Após a Revolução, os murais surgiram como forma de expressão coletiva, carregados de simbolismo e de mensagens de resistência. Cinco décadas depois, a arte volta às ruas com novas linguagens e com o mesmo compromisso: celebrar a democracia.

Um dos exemplos é o projeto Murais da Liberdade, que convida a uma viagem artística, expondo a temática da Revolução em 14 localidades, ao longo do país. Cada mural conta uma história, através dos rostos de figuras incontornáveis como o capitão Salgueiro Maia e o músico Zeca Afonso, e de símbolos, como os cravos vermelhos. Há cidades que pedem uma paragem para um panorama artístico mais alargado, como Faro, no Algarve, a propósito das intervenções do Festival F, ou Ponta Delgada, nos Açores, que convida a um mergulho imersivo na criatividade com o Walk&Talk — Bienal de Artes.

Se gosta de descobrir cidades através da sua arte, este roteiro leva-o a murais que homenageiam o 25 de Abril.

PORTO E NORTE

Em Valença, o Circuito de Arte Pública Urbana, dedicado aos 50 anos do 25 de Abril, transformou a cidade num museu a céu aberto. Os murais e instalações interativas espalhados por esta cidade única convidam a uma reflexão sobre liberdade e a participação, ao mesmo tempo que embelezam o centro histórico.

Aprecie o encontro perfeito entre a arte contemporânea e a imponência da Praça-forte de Valença, que se ergue sobre a paisagem. Cada obra do circuito oferece uma nova perspetiva, tornando a cidade um destino perfeito para quem aprecia arte ao ar livre. Conheça as tradições e explore o artesanato local e os produtos típicos, celebrando a herança cultural da cidade.

Valença é o destino perfeito para quem procura uma experiência autêntica, onde a arte, a história e a tradição se encontram em cada rua e em cada canto da cidade.

LISBOA

Lisboa, Almada e Setúbal tornaram-se telas vivas com murais de celebração da Revolução e a Liberdade. 

Lisboa
é uma cidade onde a história se foi escrevendo na rua. No bairro de Belém, visite o maat – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, onde a arte contemporânea e o design desafiam os limites da criatividade. Nos Jardins, o mural coletivo "48 Artistas, 48 Anos de Liberdade" reinterpretou em 2022 o icónico Painel do Mercado do Povo de 1974. A obra foi feita por alguns dos artistas que participaram na versão original, como Teresa Magalhães e Guilherme Parente, e por novos criativos, como Vhils, Joana Vasconcelos e Maria Imaginário, refletindo a diversidade da arte portuguesa contemporânea. Admire mais arte urbana na zona ribeirinha, como o painel de Bordalo II no CCB, os murais em Alcântara ou na estação de comboio de Santos.

Por sua vez, a iniciativa "5 Décadas, 5 Artistas, 5 Murais" espalha pela cidade diferentes visões sobre a liberdade, criando um percurso que convida à descoberta e à reflexão. Cada mural conta uma história única: em Campolide, revive-se a Revolução com cenas marcantes do dia que mudou Portugal; perto do Castelo de São Jorge, na rua Costa do Castelo, a resistência e o papel do teatro ganham forma na parede, num mural de Kruella D‘Enfer; e na Rua dos Caminhos de Ferro, em Santa Apolónia, uma tela em tons de rosa e azul, produzida por Arisca, destaca uma simbologia de Igualdade e Sabedoria.

Se passar pela Avenida de Berna, perto da Fundação Calouste Gulbenkian, repare no mural  que presta mais uma homenagem ao capitão Salgueiro Maia e destaca igualmente o papel das mulheres nos movimentos de libertação das antigas colónias portuguesas. Feito originalmente, em 2014, por Vhils, Miguel Januário (+maismenos+), Frederico Draw, Diogo Machado (Add Fuel) e Gonçalo Ribeiro (Mar), foi recentemente renovado por quatro artistas: Tamara Alves, Sara Fonseca da Graça (Petra Preta), Moami e Mariana Malhão.

Outro projeto a destacar é o mural "1.500 Azulejos para Celebrar 50 Anos de Abril”, coordenado por Miguel Januário (+maismenos+). Criado com a participação de centenas de pessoas, a ideia distribui-se entre Lisboa e Porto, utilizando a tradição do azulejo para simbolizar um futuro democrático ainda em construção.

Para quem aprecia a ligação entre tradição e arte contemporânea, vale a pena visitar o Museu Nacional do Azulejo, onde a azulejaria portuguesa ganha novas leituras, e descobrir outros exemplos de arte urbana em Xabregas e Marvila, onde a vibrante cultura se revela no Festival Iminente.

Em Almada, o projeto "Conta-me Histórias", desenvolvido pelo Centro Artístico A Casa ao Lado, une gerações através da arte mural. Jovens artistas inspiraram-se em relatos de quem viveu o 25 de Abril, transformando as ruas numa exposição a céu aberto. Aproveite para explorar os murais espalhados pelo centro da cidade, onde vários artistas têm deixado a sua marca. Para um olhar mais experimental, a Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea é uma paragem obrigatória.

Em Setúbal, a iniciativa "Histórias Que as Paredes Contam – 50 Anos de Muralismo", coordenada pelo chileno Alejandro "Mono" González, reuniu artistas de diferentes gerações à volta de um mural que ganhou vida à medida que a criatividade e a inspiração fluíam. Um projeto que refletiu a evolução do muralismo enquanto ferramenta política e artística. Quem quiser mergulhar ainda mais na identidade artística local pode visitar a Casa da Cultura de Setúbal, onde exposições temporárias exploram novas linguagens visuais.

Seja em Lisboa, Almada ou Setúbal, os murais de Abril transformaram as cidades em espaços de memória e criatividade.

ALENTEJO

Se procura destinos onde a história se cruza com a expressão artística, o Alentejo tem várias paragens obrigatórias.

Em Estremoz, a combinação entre a memória histórica e a identidade local revelam-se no mural comemorativo junto ao Parque da Porta de Santa Catarina. Criado pelos artistas Davide Alves e Miguel Gustavo, a obra assinala o papel da cidade na Revolução dos Cravos, homenageando o Regimento de Cavalaria nº 3 (RC3) e duas figuras locais: o Capitão Andrade de Moura e o Sargento Brás. A cidade é conhecida pelos tradicionais bonecos de barro, classificados como Património Cultural Imaterial da UNESCO, que podem ser vistos no Centro Interpretativo. Não deixe de passar no centro histórico, bem preservado, e entrar no Museu Berardo Estremoz, onde se valoriza a arte e a tradição da azulejaria.

Mais a norte, em Nisa, a arte ganha outras formas de expressão através da reinterpretação das tradições locais. A Rua de Santa Maria foi transformada numa tela contemporânea, em que a decoração das fachadas e pavimentos se inspirou nos bordados e rendas típicas. Os motivos geométricos e florais, característicos da olaria pedrada desta vila, desenham um percurso visual único que valoriza o património. Também em Nisa se pode admirar a Valquíria Enxoval, uma instalação têxtil da artista Joana Vasconcelos, que celebra o artesanato através de uma peça de grande impacto visual.

Os murais que celebram os 50 anos do 25 de Abril transformaram Portugal numa galeria ao ar livre, onde arte e memória se entrelaçam para contar a história da Revolução. De Norte a Sul, das ilhas ao continente, cada obra reflete a identidade e o espírito democrático do país, dando voz a novas gerações de artistas e reafirmando o papel da arte urbana como meio de expressão e de reflexão.

Celebre a liberdade num roteiro de cores, de formas e de histórias que marcam os muros das cidades portuguesas.


Rota dos Vinhos do Tejo

A região onde se produzem os “Vinhos do Tejo” é uma vasta área atravessada pelo rio que lhe dá o nome. Muitos tons de verde marcam a paisagem e refletem-se no grande lençol de água que ciclicamente se expande para lá das margens, tornando mais férteis os campos em redor.

Ao percorrer o território, o Rio Tejo influencia o clima e os terrenos agrícolas, criando condições para o crescimento das vinhas em três terroirs distintos. A noroeste, entre o Vale do Tejo e os contrafortes das serras de Candeeiros e Montejunto, o “bairro” é uma área ideal para cultivar as castas tintas. Nas extensas planícies junto ao rio, sujeitas a inundações periódicas, o “campo” é a zona de excelência para a produção de vinhos brancos. Mais a sul, na margem esquerda, a “charneca” possui solos arenosos onde se produzem tanto vinhos tintos como brancos. A variedade de néctares da região é ainda completada pelos rosés, espumantes, frisantes e vinhos licorosos, em que são utilizadas castas como Fernão Pires, Arinto, Chardonnay e Sauvignon.

Vinhos do Tejo
Vinhos do Tejo @ Gonçalo Villaverde 

Pensa-se que a produção vinícola no Ribatejo remonte a épocas muito antigas, talvez a 2.000 a.C. Certo é que a região já era referida como produtora de vinhos no foral concedido a Santarém, em 1170, por D. Afonso Henriques, 1º Rei de Portugal (algumas décadas depois da fundação de Portugal, em 1143). Datam do séc. XII alguns dos monumentos mais importantes da região como o castelo e convento de Cristo de Tomar e os castelos de Santarém, Abrantes ou Torres Novas, os quais tiveram um papel preponderante na formação de Portugal e da nacionalidade. A riqueza do património histórico atravessa vários séculos e estilos com destaque para o gótico em Santarém.

Convento de Cristo
Convento de Cristo © Shutterstok_kelifamily

A produção de vinhos nem sempre foi constante, tendo tido um grande impulso nas últimas décadas do século XX com o reconhecimento oficial que permitiu que as garrafas ostentassem as designações DOC (denominação de Origem controlada) ou IGP (indicação geográfica de proveniência).

Vinhos do Tejo
Vinhos do Tejo @ Gonçalo Villaverde 

Para conhecer a essência da região e os seus vinhos sugere-se um passeio pela Estrada Nacional 118, designada por Tejo Wine Route 118. Ao longo de cerca de 150 km na margem esquerda do rio Tejo, atravessa 7 concelhos: Abrantes, Constância, Chamusca, Alpiarça, Almeirim, Salvaterra de Magos e Benavente. Podem-se visitar diversos produtores para provar e comprar vinhos ou conhecer vinhas e adegas. Nalguns casos, proporcionam refeições e alojamento, que convém reservar antecipadamente, de forma a garantir disponibilidade ao melhor preço.

Vinhos do Tejo
Vinhos do Tejo @ Gonçalo Villaverde 

Neste território de fortes tradições agrícolas e pecuárias, uma das atividades com maior destaque é a criação de cavalos e touros, celebrada em eventos como a Feira do Cavalo, na Golegã, ou a Feira da Agricultura, em Santarém. A Arte Equestre tem tradições enraizadas e a equitação ou os passeios a cavalo são atividades que se podem experimentar. Os passeios de barco são outra sugestão, para observação de aves ou simplesmente para apreciar as vistas deslumbrantes sobre o rio e conhecer as aldeias piscatórias “avieiras”, como Escaroupim ou Palhota.

Vinhos do Tejo
Rio Tejo @ Gonçalo Villaverde | Vinhos do Tejo

Nenhuma visita fica completa sem experimentar a saborosa gastronomia, em que se destacam pratos de carne e de peixe de rio. São acompanhados na perfeição pelos Vinhos do Tejo e complementados por doces deliciosos, como as Fatias de Tomar ou as Tigeladas de Abrantes.


Ferreira do Zêzere

Dedique uns dias a visitar Ferreira do Zêzere, para conhecer o património, histórias de Templários e dedicar-se às atividades ao ar livre na albufeira da Barragem de Castelo de Bode. 

O rio Zêzere e a localização estratégica proporcionaram as condições para que a região fosse habitada desde tempos longínquos, como se pode observar nos vestígios arqueológicos desde a Pré-História, inscrições romanas e toponímia árabe. No séc. XII, o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, doa as Terras de Riba-Zêzere, à Ordem dos Templários. No séc. XVI, D. Manuel elevou Ferreira do Zêzere a vila.

Situada no território templário do Médio Tejo, entre o rio e uma grande mancha florestal, Ferreira do Zêzere é uma vila tranquila, em que se destacam algumas casas apalaçadas e a Igreja Matriz de São Miguel.

Na povoação de Areias, destaca-se a Igreja de Nossa Senhora da Graça, uma igreja de origem medieval mandada ampliar pelo rei D. Manuel no séc. XVI. A galilé na fachada está atribuída a João de Castilho, um dos artistas que trabalhou no Convento de Cristo em Tomar.

Um dos maiores pontos de interesse do concelho é a aldeia de Dornes, uma península idílica junto ao rio, com a sua curiosa torre pentagonal e o Santuário de Nossa Senhora do Pranto, um dos mais antigos destinos de romaria e de culto mariano. Foi mandado construir por D. Gonçalo de Sousa, Comendador da Comenda Mor da Ordem de Cristo, em 1453, sobre uma igreja do séc. XIII, cuja construção tinha sido ordenada pela Rainha D. Isabel de Aragão, esposa do rei D. Dinis. No exterior, ao lado da igreja, a singular Torre Templária, de forma pentagonal, destinada a ser posto de vigilância e defesa do território durante a Reconquista Cristã.

Quem gosta de atividades ao ar livre, pode desfrutar da albufeira da Barragem do Castelo de Bode, onde existem áreas de lazer e praias fluviais que convidam a um mergulho nos dias mais quentes. As piscinas flutuantes da Praia Fluvial da Castanheira são muito apreciadas e pode fazer ski aquático, windsurf, canoagem, remo, SUP ou wakeboard, com o apoio do Centro Náutico. Na Praia Fluvial de Dornes é possível fazer passeios de barco.

Na gastronomia regional, referência para a Sopa de Peixe à Moda de Ferreira do Zêzere, os Bifinhos no Chapéu, o Cabrito assado, o Lagostim e peixe do rio. Na doçaria, vale a pena saborear as tigeladas e os bolos regionais “Bons Maridos” e “Boas Esposas”.


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