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Sugestões

Vinha da Ilha do Pico, Património da Humanidade

Não deixe de…
  • tirar uma fotografia junto de um dos típicos Moinhos de cúpula vermelha

E que tal provarmos um vinho que cresce na rocha basáltica? Parece estranho que tais condições produzam um néctar delicioso, mas a verdade é que em tempos recuados, este vinho ia diretamente à mesa dos czares da Rússia.

A cultura da vinha na Ilha do Pico começou no final do séc. XV, quando se iniciou o povoamento da ilha. Graças ao solo vulcânico, rico em nutrientes, ao micro clima seco e quente das encostas protegidas do vento por muros de pedra áspera e escura e aquecidas pelos raios do sol, as vinhas, da casta verdelho, conseguiram aqui condições excecionais de maturação. Mais tarde, foi exportado para muitos países da Europa e América, e chegou até a mesa da corte russa. As vinhas, que marcam a paisagem da ilha, produzem ainda um fresco vinho frutado, seco e leve, que é o companheiro ideal de um prato de marisco ou peixe e também o vinho de cheiro, cuja presença é obrigatória nas mesas em dias de festa.

Estes terrenos, Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, misto de natureza lávica e práticas culturais ancestrais foram em 2004 classificados como Património da Humanidade pela UNESCO. Os sítios do Lajido da Criação Velha e do Lajido de Santa Luzia são os maiores exemplos desta arte de parcelar a terra que esta distinção veio reconhecer. Estas vinhas plantadas em chão de lava são enquadradas por apertadas paredes de pedra solta, chamadas de “currais” ou “curraletas”, que as protegem do vento marítimo mas deixam entrar o sol necessário à sua maturação.

Inúmeras são as espécies de flora e fauna que fazem parte deste habitat natural, com uma rica presença de espécies endémicas das florestas da Laurissilva características da Macaronésia.

Outros testemunhos da atividade vinícola são as “Rilheiras”, sulcos deixados pelas rodas dos carros de bois que transportavam uvas e barris, e nos portos e portinhos junto à beira-mar a “rola-pipas”, rampa escavada junto ao mar, através da qual se rolavam as barricas de vinho que eram, posteriormente transportadas em barcos para o Faial. Também associado à cultura da vinha, foi construído um património edificado como solares, adegas, armazéns, poços de maré, conventos e ermidas, merecedores de uma visita durante a estadia nesta ilha.

Depois de apreciarmos o desenho deste gigantesco labirinto de pedra à beira mar é altura de provar o vinho. Seco ou doce e reconfortante, sabe ainda melhor numa pitoresca adega. Nas Adegas do Pico, por vezes adaptadas ao turismo rural, as paredes de pedra vulcânica entrelaçam-se com o mar e a vegetação. A memória viva do ciclo do verdelho tem novo capítulo no Museu do Vinho. Instalado na Madalena, num antigo convento carmelita, tem coleção de alfaias, alambiques e pipas. A sua frondosa mata de dragoeiros dá um remate cénico ao lagar que resistiu à passagem do tempo.

Continuando ao longo dos tempos a produzir vinhos de excecional qualidade, recentemente a Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico tem lançado novos vinhos, nomeadamente o "Lajido", legítimo herdeiro do velho "verdelho", e distintos vinhos de mesa, branco e tinto.

Os vinhos do Pico têm tradição. O VLQPRD, aperitivo, os vinhos de mesa, brancos, tintos, o vinho de cheiro, a angélica e as aguardentes do Pico, podem ser encontrados em qualquer restaurante ou supermercado, tornando-se fácil prová-los e trazê-los connosco.


Rota do Românico

Não deixe de…
  • visitar Amarante, uma bonita cidade atravessada pelo rio Tâmega, onde se destaca a Igreja de S. Gonçalo e o Museu Amadeo de Sousa-Cardoso
  • desfrutar das esplanadas à beira do rio, onde pode provar os doces conventuais de Amarante
  • Em Felgueiras, provar o célebre pão-de-ló de Margaride

A Rota do Românico é um percurso por 58 monumentos localizados no norte de Portugal, junto aos rios Sousa, Douro e Tâmega.

Inclui mosteiros, igrejas e memoriais, pontes, castelos e torres que têm em comum a arquitetura românica caraterística desta região. No seu conjunto, situam-se afinal no centro dum triângulo cujos vértices são Património da Humanidade: o Porto, Guimarães e o Vale do Douro.

A Rota do Românico divide-se na realidade em 3 rotas que se ligam entre si por estrada, seguindo os vales dos rios: Rota do Vale do Sousa com 19 monumentos; Rota do Vale do Tâmega com 25 monumentos; e Rota do Vale do Douro, sensivelmente entre Castelo de Paiva e Resende, com 14 monumentos.

Esta região e o seu património arquitetónico estão indelevelmente associados ao início da nacionalidade portuguesa, já que aqui residiam famílias nobres que ajudaram os primeiros reis na Reconquista cristã do território que é hoje Portugal. Por outro lado, o clero e as ordens religiosas ajudavam a fixar as populações, razão por que num reduzido espaço se concentram igrejas, mosteiros e outros monumentos com caraterísticas arquitetónicas singulares, tendo muitas vezes assumido funções defensivas, marcadas por torres ameadas e contrafortes.

Igreja de São Vicente de Sousa - Felgueiras
Igreja de São Vicente de Sousa,  Felgueiras © Rota do Românico

O caráter peculiar deste legado histórico e artístico baseia-se entre outros motivos na decoração evidenciada por exemplo em portais de igrejas e conjuntos monásticos, onde o recurso a temas animalistas, vegetalistas ou geométricos, aliado a uma patente qualidade escultórica, confere uma visão de conjunto às edificações reunidas neste roteiro, tipificando-os no contexto do românico português. Por outro lado, embora datáveis na sua maioria entre os séc. XI e XIII, verifica-se que estas técnicas construtivas prolongaram-se no tempo, quando soluções góticas já predominavam noutras paragens, o que é mais uma particularidade da presente Rota do Românico.

Rota do Românico - Igreja de Tarouquela
Igreja de Tarouquela © Rota do Românico

Numa viagem pela história, a rota do Românico constitui um excelente ponto de partida para desfrutar de uma visita em pleno à região e a outras marcas de identidade regional como a gastronomia tradicional, os vinhos, as festas, os mercados onde se encontra o artesanato local ou o próprio contacto com as gentes. Sempre em comunhão com a natureza encontramos ainda trilhos e caminhos para passeios a pé ou de bicicleta. Para os mais afoitos o rio Paiva desafia-nos para experiências únicas, com descidas de rafting inesquecíveis.


Visitar Viana do Castelo

Não deixe de…
  • conhecer o Porto de Pesca, assistindo à partida dos barcos para a faina

Viana do Castelo é uma das mais bonitas cidades do norte de Portugal. A sua participação nos Descobrimentos portugueses e, mais tarde, na pesca do bacalhau mostram a sua tradicional ligação ao mar.

A Viana do Castelo depressa se acede a partir do Porto, ou de Valença para quem vem de Espanha. Do monte de Santa Luzia pode observar-se a situação geográfica privilegiada da cidade, junto ao mar e à foz do rio Lima. Esta vista deslumbrante e o Templo do Sagrado Coração de Jesus, edifício revivalista de Ventura Terra, de 1898, podem ser o ponto de partida para visitar a cidade.

Viana enriqueceu-se com palácios brasonados, igrejas e conventos, chafarizes e fontanários que constituem uma herança patrimonial digna de visita. No Posto de Turismo pode-se pedir uma brochura e fazer percursos de inspiração manuelina, renascença, barroca, art deco ou do azulejo. Percorrendo algumas das ruas do centro histórico sempre se chega à Praça da República, o coração da cidade. É onde ficam o edifício da Misericórdia e o chafariz, quinhentistas, assim como os antigos Paços do Concelho. Não longe fica a românica Sé ou Igreja Matriz.

Virada para o mar que fez a história de Viana, uma igreja barroca guarda a imagem da Senhora da Agonia, da devoção dos pescadores. Sai todos os anos a 20 de agosto para abençoar o mar numa das festas mais coloridas de Portugal, onde são de referir a beleza e riqueza dos trajes típicos que desfilam nas festas.

É que Viana - conhecida também pela filigrana em ouro - tem sabido manter as suas tradições, como se pode ver no Museu do Traje (traje e ouro), no Museu Municipal (especial relevo para a típica louça de Viana que aqui se expõe) ou no navio Gil Eanes. Construído nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo para apoiar a pesca do bacalhau, o navio aqui está de novo ancorado para memória das tradições marítima e de construção naval da cidade.

Mas Viana do Castelo é também considerada uma “Meca da Arquitetura” graças aos muitos e importantes nomes da arquitetura portuguesa contemporânea que assinam equipamentos e espaços da cidade. É o caso da Praça da Liberdade de Fernando Távora, da Biblioteca de Álvaro Siza Vieira, da Pousada da Juventude de Carrilho da Graça, do Hotel Axis de Jorge Albuquerque ou ainda do Centro Cultural de Viana do Castelo, de Souto Moura, entre muitos outros.

Nas redondezas da cidade podemos fazer um passeio pela ciclovia litoral ou fluvial ou por um dos muitos trilhos assinalados, assim como praticar surf, windsurf ou kitesurf e bodyboard em praias de areia fina e dourada. E ainda fazer jet-ski, vela, remo ou canoagem no rio Lima


Relaxar no Alqueva, o Grande Lago

Não deixe de…
  • dormir sob as estrelas do Alqueva num barco casa
  • provar o vinho da região
  • deliciar-se com a gastronomia tradicional
  • subir ao castelo de Monsaraz

Para passar uns dias descontraídos e em boa companhia, o Grande Lago em que se transformou a albufeira do Alqueva é o pretexto perfeito para relaxar.

Falamos de um dos maiores lagos artificiais da Europa, construído sobre o Rio Guadiana. Tem uma albufeira de 250 km2 e abrange cinco concelhos do Alentejo, com muitos pontos de interesse. Na margem direita, recebem-nos os castelos de Juromenha, Alandroal, Terena, Monsaraz e Portel e, na margem esquerda, Mourão e Moura são miradouros privilegiados sobre este espelho de água. 

O lago veio dar uma atmosfera surpreendente a esta região. Onde antes havia campo, com oliveiras, sobreiros e azinheiras, hoje vemos água e vida renovada, com ótimas condições para atividades ao ar livre e para a prática de desportos náuticos como a vela, o ski e wakeboard ou para passeios em canoa e kayak, sempre tão revigorantes. Para os amantes das caminhadas e da bicicleta, há percursos cursos sinalizados que se podem fazer. São uma boa forma de descobrir costumes e tradições e nos integrarmos com as populações locais.

É um bom sítio para fazer uma surpresa à família, para a levar num passeio pelas estradas panorâmicas em redor do Alqueva ou, melhor ainda, alugar um barco-casa e dormir debaixo de estrelas. O que também é uma ideia a considerar para um fim-de-semana romântico. Não podemos esquecer que estamos numa região onde o céu foi considerado pela UNESCO uma reserva para observação de estrelas. À noite, as luzes públicas são reduzidas ao mínimo, para possibilitar as condições perfeitas para ver o céu, mesmo para os mais astrónomos mais principiantes.

Não podemos deixar de ir à nova Aldeia da Luz, a única povoação submersa pelas águas da barragem que teve de ser literalmente mudada de sítio. A propósito, foi criado um Museu, em que grande parte do espólio é constituída por objetos dos habitantes e onde todas as memórias da antiga aldeia ficaram registadas.

Também a localidade de Monsaraz é incontornável. Uma vila-museu medieval preservada, com muralhas e ruas de xisto que encanta e surpreende. Muito próximo, na área do Convento da Orada, o Cromeleque do Xerez, de forma quadrada, é uma visita obrigatória.

Naturalmente, no Alqueva, como por todo o país, não é possível resistirmos aos sabores da comida regional. Neste caso, destacam-se as açordas, as migas, os pratos de carne de porco, os enchidos e os vinhos do Alentejo.

No Grande lago, é fácil deixarmo-nos cativar pelo turismo rural enquanto apreciamos os prazeres da vida simples do campo e contemplamos a natureza em redor.


Ilha das Flores

Não deixe de…
  • visitar o Centro de Interpretação Ambiental do Boqueirão

Integrada na rede mundial de Reservas da Biosfera da Unesco, a ilha das Flores, território mais ocidental dos Açores e da Europa, tem paisagens que são verdadeiros paraísos. Esta ilha integra o Grupo Ocidental do arquipélago dos Açores em conjunto com a ilha do Corvo.

Se há lugares privilegiados pela natureza, a ilha das Flores é um deles, e aos seus 141,4 km2 de superfície repartidos por 2 concelhos, o de Santa Cruz e o das Lajes, acresce a simpatia da população, tornando-a num destino obrigatório nos Açores.

Calcula-se que a sua descoberta terá ocorrido por volta de 1452 pelo navegador Diogo de Teive e embora Inicialmente denominada de ilha de São Tomás ou de Santa Iria, em breve o seu nome seria mudado para Flores, devido à abundância de flores amarelas, os cubres, que revestiam toda a ilha.

Caracterizada por uma costa muito recortada e extremamente escarpada, as Flores conjugam-se sob o elemento água: cascatas, lagoas, ribeiras e poços formam um catálogo de experiências inesquecíveis, parecendo que concentram dentro de si toda a beleza natural que se encontra dispersa pelas outras ilhas do Arquipélago.

Devido à sua pequena dimensão não é difícil percorrer toda a ilha, e uma boa sugestão para começar a sua descoberta é iniciar o dia a fazer um passeio de barco, onde podemos vislumbrar uma vista diferente com estruturas rochosas e grutas de cortar a respiração. É o caso do Arco de Santa Cruz das Flores ou do Ilhéu de Maria Vaz, apenas visíveis pelo mar. E ainda da Gruta dos Enxaréus e da Gruta do Galo.

A Baía de Alagoa, constituída por um conjunto de ilhéus e baixios, é perfeita para fazer mergulho, especialmente na Baixa do Amigo, Ponta da Caveira e no ilhéu do Garajau, onde é habitual a aparição de meros. Adicionalmente podemos pescar em rochedo, no mar ou nas ribeiras, onde há trutas em abundância. O canyoning é também uma excelente opção para explorar esta ilha, sendo os melhores locais para o praticar as Ribeiras dos Algares, do cabo, dos Mosteiros e do Monte Gordo.

Regressados a terra aproveitamos para relaxar um pouco nas piscinas naturais. Podemos optar pelas de Santa Cruz ou pelas praias junto às Lajes das Flores. Para algo mais “selvagem” então a escolha deverá recair nas poças formadas na base das cascatas, já que a ilha tem inúmeras, sendo a da Ribeira Grande, com uma queda de água de 300 metros e a do Poço do Bacalhau, com 90 metros de altura de água metros, imperdíveis!

Enquanto se percorrem os diversos trilhos da ilha, podem observar-se as diversas aves migratórias que por aqui voam, pois as Flores são um dos melhores destinos dos Açores para o birdwatching, especialmente na Lagoa Branca, na zona central da ilha, sendo os meses de setembro a novembro os melhores para esta atividade.

Chegada a hora do almoço não podemos deixar de desfrutar dos pratos típicos da ilha: a linguiça com inhames, a sopa de agrião, e a abundância de peixes e mariscos acompanhados de queijo da ilha e vinho da região.

À tarde, aproveitamos para visitar a zona central da ilha, onde existem sete crateras vulcânicas que se transformaram em belas lagoas, as quais constituem uma paisagem magnífica, merecendo especial relevo a Lagoa Funda, com 105 metros de profundidade. Mas as seis restantes - Branca, Seca, Comprida, Rasa, Lomba e Funda das Lajes – são igualmente belas e merecedoras de uma visita. 

No passeio por terra, um dos monumentos naturais mais famosos dos Açores é a Rocha dos Bordões. Trata-se de um conjunto de grandes colunas verticais de basalto que, no seu conjunto, se assemelham a um gigantesco órgão de tubos.

Também a não perder é a vista que se obtém a partir do Morro Alto, o ponto mais elevado da ilha com 911 m de altitude, de onde se vislumbra uma paisagem de verde intenso, onde a nativa floresta de Laurissilva ainda marca presença.

Nas Flores fica também o ponto mais ocidental da Europa, o Ilhéu de Monchique, que serviu no tempo da navegação astronómica, como ponto de referência para acerto das rotas e verificação dos instrumentos náuticos.

Em Santa Cruz das Flores, podemos visitar a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, que sobressai dos restantes edifícios pela sua grandiosa fachada e a central Praça do Marquês do Pombal com o seu colorido Império. De destacar ainda a igreja de São Boaventura, e o Museu Regional das Flores que engloba o Museu Etnográfico e a Casa Museu Pimentel de Mesquita.

Nas Lajes das Flores, destaca-se a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, de onde se avista o porto e parte da vila e de onde se pode partir à descoberta dos impérios, das casas de cantaria de basalto e da ponte de 1743 sobre a Ribeira dos Morros.

As Flores ganham mais animação durante as Festas do Espírito Santo, que têm profundo significado também nesta Ilha, bem como nas festas de Santa Cruz e na festa do Emigrante, nas Lajes.

Para levar uma recordação desta viagem para casa, as rendas e os bordados, as mantas tecidas em antigos teares e as flores de miolo de hortênsia são boas opções.


Silves

No antigo reino árabe do Algarve, Silves era a cidade mais importante, a sua capital. Essa época traçou-lhe um perfil senhorial coroado por um castelo de cor vermelha, que apetece explorar.

Considerado o mais belo monumento militar islâmico de Portugal, este castelo é também o maior do Algarve. As suas torres e muralhas construídas sobre uma colina da Serra de Monchique com o propósito de vigiar e defender o território, hoje são excelentes miradouros sobre estes campos férteis cobertos de laranjeiras em redor do Rio Arade. Foi erguido pelos árabes, provavelmente sobre uma antiga fortificação romana do século IV/V. Ainda rodearam a povoação de mais duas cercas de muralhas, das quais subsistiram apenas alguns troços. No seu interior podemos ver a antiga alcáçova árabe e duas cisternas, uma das quais, segundo dizem, comunica com o rio.

Silves foi conquistada aos mouros em 1189 por D. Sancho I, mas só foram expulsos definitivamente em 1242 no reinado de D. Afonso III. Pensa-se que é dessa época a antiga Mesquita maior, transformada na Sé, um dos templos mais importantes do Algarve, iniciado em estilo gótico e concluído na época barroca. Fica em frente ao castelo e tal como este, foi construída em arenito vermelho, o grés de Silves. 

O centro histórico mantém o traçado da Idade Média e o encanto das ruas da antiga almedina, um ambiente elevado ao expoente máximo durante a Feira Medieval em meados de Agosto, reconstituição histórica a não perder. Podemos ver alguns objetos destas épocas no Museu arqueológico, que conserva um poço-cisterna do século XI de origem islâmica, muito profundo e acessível por uma escada em caracol.

Merece ainda visita a Igreja da Misericórdia com um belo pórtico lateral em estilo manuelino. Já no exterior das muralhas, a Capela de Nossa Senhora dos Mártires do século XII, a que foram acrescentados elementos góticos e barrocos, e a Cruz de Portugal, junto à estrada que fazia a ligação com o norte. 

Atravessado por uma ponte de origem medieval, o Rio Arade foi durante séculos, talvez milénios, a grande via de comunicação com o litoral. Por aqui circulavam barcos vindos do Mediterrâneo e do Atlântico, e foi também por aqui que chegaram os cruzados que ajudaram na Reconquista cristã. Para conhecer a beleza das suas margens, há que experimentar um dos muitos passeios de barco que fazem a descida até Portimão e às fortalezas que defendiam a entrada do rio. 

É do litoral que vêm os peixes e mariscos imprescindíveis na gastronomia local. São deliciosos grelhados ou em caldeiradas, mas também se apreciam de outras formas, como as sardinhas albardadas ou os carapaus alimados. E saboreiam-se ainda receitas próprias da zona serrana como as fatias do Barrocal (com carne de porco e sumo de laranja) ou as papas de milho. Dos doces, o Morgado de Silves, feito à base de ovos e amêndoa e decorado com folhas e flores de açúcar, é um dos mais apreciados do Algarve. Mas há outros, como as lesmas recheadas de ovos-moles ou os folhados de Messines. E a qualquer hora do dia sabem sempre bem as laranjas e os figos que aqui se produzem em abundância. Que também são uma “herança árabe”, pois foram eles que introduziram estas culturas tão emblemáticas na região.


Fim de semana em Troia

Não deixe de…
  • Passear na praia
  • Andar de bicicleta na ciclovia que atravessa a península de Troia
  • Fazer um passeio de barco para ver os golfinhos

Passeios de barco à procura de golfinhos, praias a perder de vista, restaurantes com peixe fresquinho e esplanadas em cima da areia... é a mais simples descrição de umas férias em Troia, ideal para viajar em família.

A cerca de uma hora de Lisboa, em Setúbal, pode apanhar o ferry-boat que atravessa o rio Sado e chegar ao complexo turístico de Troia. Nessa margem, encontra-se um dos mais extensos areais de Portugal, com 18 km de comprimento, que ficará por sua conta. Seja verão ou inverno, o microclima com temperaturas amenas permite passar uns dias com muitas atividades.

No areal dourado a perder de vista, com o mar de água límpida de um lado e pinhal do outro, poderá divertir-se com toda a família e se o tempo o permitir, até aproveitar para se dedicarem aos desportos náuticos. A zona é muito propícia ao windsurf e à vela, como se poderá perceber pela ocupação da Marina de Troia.

Também pode escolher Troia para fazer umas férias de golfe. O Troia Golf Championship Course, desenhado pelo famoso arquiteto americano Bobby Jones e verdadeiramente integrado na paisagem, é ótimo para ter a experiência de um bom desafio. Está na lista dos melhores campos de golfe da Europa e faz parte de algumas competições internacionais.

Neste ponto de encontro do rio Sado com o mar, é muito frequente ver golfinhos e fazer um passeio de barco com tempo para os observar é sempre uma boa sugestão. Ou para fazer observação de pássaros. Com o Parque Natural da Serra da Arrábida e a Reserva Natural do Estuário do Sado, motivos de interesse não faltam. Não muito longe, fica a Carrasqueira, um porto de pesca muito tradicional, construído sobre palafitas.

Em Troia, encontram-se sinais de ocupação humana desde há muitos séculos. As Ruínas Romanas são um dos vestígios arqueológicos mais importantes, datadas do séc. I. Eram o maior complexo de produção de conservas e molho de peixe no ocidente romano, o que também comprova a importância da pesca na economia local desde longa data.

Seguindo a estrada que atravessa esta língua de areia chega-se a outras praias, como a da Comporta, do Carvalhal ou do Pego, onde é muito fácil encontrar um bom restaurante para almoçar peixe fresco ou provar os petiscos da gastronomia local. Mas basta andar poucos quilómetros para variar de cenário. A seguir à praia da Galé, as dunas interrompem-se para dar lugar à lagoa de Melides, com uma falésia de arenito com cinco milhões de anos, e à Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha.

Já perto de Grândola, encontramos o Badoca Park, motivo de divertimento para toda a família, onde podemos fazer um "safari" e ver veados, búfalos, avestruzes, girafas, antílopes, zebras e outros animais ao ar livre que todos vão adorar, bem no meio do Alentejo.


São Miguel, a ilha verde

A ilha de São Miguel é a maior dos Açores, formando o Grupo Oriental do Arquipélago juntamente com a ilha de Santa Maria, situada a 81 km de distância.

O seu povoamento teve início em 1444 na Povoação e depois em Vila Franca do Campo, a primeira capital da ilha, mais tarde transferida para Ponta Delgada, atualmente também sede do Governo Regional dos Açores.

Debruçada em redor de uma baía natural, a cidade de Ponta Delgada possui uma rica história e património construído. As Portas da Cidade são o ponto de partida perfeito para a explorar da cidade, rapidamente identificadas pelos seus três arcos que fazem a ligação entre a zona marginal e a Praça da República. De prestar atenção à arquitetura típica, de que ressalta o contraste entre o branco das paredes e os pormenores em basalto, embelezada com varandas em ferro rendilhado. Os seus monumentos mais emblemáticos, são a igreja matriz de São Sebastião, do século XV, a Igreja de São José e a de São Pedro, o Convento e Capela de Nossa Senhora da Esperança (é aqui que se venera a imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres), o antigo Colégio dos Jesuítas, o Palácio de Sant’Ana (onde está instalada a Presidência do Governo Regional), o Museu Carlos Machado, o Forte de São Brás, os Paços do Concelho, e ainda o renovado Coliseu Micaelense e o bem conservado Teatro Micaelense, entre outros.

Num passeio marítimo até à Marina encontramos as “Portas do Mar” onde para além do cais de cruzeiros, podemos desfrutar de uma piscina oceânica e de uma zona com diversos bares e usufruir de momentos muito agradáveis de lazer.

Mas para descobrirmos a apelidada “ilha verde”, temos que sair da capital e encontrar a verdadeira natureza. Esta ilha montanhosa, composta por dois maciços vulcânicos separados por uma cordilheira central de baixa altitude, tem como ponto mais alto, o Pico da Vara aos 1.105 m, que se situa no maciço oriental.

Saímos na direção ocidental, junto à costa, passando por Relva e Feteiras, sempre rodeados pelo verde e com o mar como pano de fundo. Começamos entretanto a subida para a emblemática Lagoa das Sete Cidades, alcançado o miradouro “Vista do Rei”. Daqui, onde podemos admirar toda a beleza da cratera gigante em cujo fundo coexistem as lagoas Verde e Azul, geminadas por uma ponte de arcos, que segundo reza a lenda tiveram origem nas lágrimas de uma princesa e de um pastor unidos por um amor impossível. Mas em São Miguel moram as grandes Lagoas dos Açores, e por isso o encanto prossegue logo ali ao lado nas Lagoas Santiago, Rasa, Canário, Éguas, Empadadas, Caldeirão Grande e do Carvão.


Lagoa do Fogo © Maurício Abreu/DRT

Daí rumamos em direção à Ponta da Ferraria, onde a mãe Natureza encarregou-se de aquecer a água do mar com águas termais vulcânicas, oferecendo uma talassoterapia atlântica em ambiente natural único ou, se preferirmos,  nas modernas Termas da Ferraria. Um pouco mais à frente, chegamos aos Mosteiros, onde vale a pena admirar a baía e os quatro ilhéus que deram o nome à localidade. A Ponta da Bretanha marca a viragem para o percurso pela costa norte, onde iremos encontrar a cidade da Ribeira Grande, a segunda maior da ilha de São Miguel, construída sobre uma pequena colina em torno da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Estrela e dos Paços do Concelho, com belos solares, moinhos, igrejas e jardins, e ainda o complexo de Piscinas Municipais das Poças, mesmo junto ao mar.

Tendo como próxima paragem a Lagoa do Fogo, seguimos na direção do interior da ilha subindo a serra de Água do Pau, e fazemos uma paragem na Caldeira Velha. O seu pequeno lago de águas tépidas, envolvido por uma frondosa mata de fetos, convida a um banho reparador! Ao chegarmos à Lagoa do Fogo, um dos ex-libris da ilha, deixamo-nos deslumbrar pelos seus diferentes matizes de azul e pela vista deslumbrante que se prolonga até ao oceano.

Descemos em direção a Lagoa onde podemos visitar a Fábrica de Cerâmica com sua típica louça, e mais à frente a Caloura, com o seu pitoresco porto de pesca artesanal “protegido” pelo Forte de Nossa Senhora da Conceição, com o seu Convento e a sua enseada, que convidam a uma paragem repousante. Já em Vila Franca do Campo, não podemos deixar de visitar o Ilhéu da Vila, Reserva Natural com uma belíssima piscina a cerca de 1 Km da costa, acessível de junho a setembro através de ligações de barco a partir do cais Tagarete, e de provar as célebres Queijadas da Vila. Próximo desta vila, a Lagoa do Congro, merece uma visita.


Jardins Terra Nostra © J. Marijs

Já na zona das Furnas são vários os atrativos a visitar. O Vale das Furnas, com as suas fumarolas (caldeiras), de água quente, lamas, águas medicinais e mais de vinte nascentes termais que a tornam uma das maiores hidrópoles do mundo. A Poça da Beija, é conhecida pelas piscinas de água cristalina e lamas tonificantes. Junto à Lagoa das Furnas, a ermida de Nossa Senhora das Vitórias e a zona onde se confeciona o "cozido nas caldeiras", aproveitando o calor da terra. O Parque Terra Nostra, um dos mais belos jardins de São Miguel do séc. XVIII, com um lago-piscina de água termal férrea, “dominado” pela imponente Casa do Parque. E para admirar a vista, os miradouros do Pico do Ferro e o do Salto do Cavalo.

De volta à costa, podemos ir até Ribeira Quente com a sua Praia do Fogo de águas tépidas ou seguir logo em direção à Vila da Povoação, local de fixação dos primeiros povoadores da ilha, rodeada pelas suas sete lombas. A partir daqui entramos no concelho de Nordeste, onde o relevo é mais acidentado e escarpado, mas preenchido com muita vegetação exuberante, que convida a explorar os diversos trilhos pedestres que aqui existem. Os seus muito bem cuidados e floridos miradouros obrigam a diversas paragens, como exemplo, nos miradouros da Ponta da Madrugada, da Ponta do Sossego, do Salto da Farinha e da Ponta do Estorninho, entre outros. Quem gosta de observação de aves, deve visitar o Centro Ambiental do Priolo.

Depois de passar o Nordeste e já na costa norte da ilha, continuamos o nosso itinerário parando na Gorreana e Porto Formoso, para observarmos a cultura do chá e visitarmos as respetivas fábricas. Um pouco antes de chegarmos novamente à Ribeira Grande, fazemos uma última pausa para admirar a vista no miradouro de Santa Iria e de seguida apanhamos a via rápida de regresso a Ponta Delgada.

Festividades


Festas do Santo Cristo © António Carvalho e Cunha/Visitazores

Diversas festas religiosas e profanas animam a ilha de São Miguel, mas a mais importante é a chamada Festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres, que se realiza anualmente no quinto domingo depois da Páscoa, em que a imagem do Senhor Santo Cristo, venerada no convento da Esperança, é levada em procissão pelas ruas de Ponta Delgada. Paralelamente acontecem diversas manifestações culturais e gastronómicas, que atraem a Ponta Delgada bastantes visitantes à ilha.

No primeiro domingo depois da Páscoa, ocorre nalgumas localidades a Procissão do Senhor dos Enfermos, sendo a das Furnas a que mais se destaca pela beleza dos tapetes de flores que decoram as ruas desta localidade.

De abril a junho realizam-se as famosas Festas do Divino Espírito Santo por toda a ilha, consideradas as de maior tradição nos Açores. Também durante os meses de verão, diversas localidades celebram as procissões e festas aos seus santos padroeiros, como é o caso de Vila Franca do Campo, que festeja o São João a 24 de junho, com marchas e espetáculos. Na Ribeira Grande, a 29 de junho realizam-se as Cavalhadas, em que homens montados a cavalo com vestes coloridas, desfilam pelas ruas até à Igreja de São Pedro, onde saúdam em verso o referido santo. As Cavalhadas terminam no pequeno palácio da Mafoma.

Os romeiros são outra manifestação religiosa única, que se realiza durante 8 dias no período da quaresma, em que grupos de homens rezando percorrem a pé toda a ilha.

Atividades


Caminho Costeiro, Ilha de São Miguel ©peresanz

Em São Miguel são muitas as opções de atividades que se podem praticar.

Em terra, admiram-se melhor as paisagens ao caminhar pelos inúmeros trilhos existentes, sozinho com mapas dos diversos percursos ou com a ajuda de guias credenciados. Passeios a cavalo e de bicicleta são outro modo de desfrutar a beleza da ilha. Mas quem prefere passeios mais citadinos, tem a possibilidade efetuar tranquilos circuitos de charrete ou de "lagarta" (comboio turístico) pelas ruas da cidade de Ponta Delgada.

Para os jogadores de golfe, a ilha oferece dois campos: os Campos das Furnas e da Batalha. Quem deseje maior ação, pode optar por explorar a ilha de jipe 4x4, moto4 ou de BTT. Um voo de parapente permite captar fotografias singulares e apreciar as belas lagoas de um ângulo fora do comum. A descoberta do mundo subterrâneo da ilha faz-se numa visita à Gruta do Carvão e existem várias secções de escarpas equipadas para a prática da escalada.

Para os que gostam da observação de aves, os melhores locais são a Serra da Tronqueira, habitat do Priolo, uma das espécies mais raras da Europa, a Lagoa das Furnas e os Mosteiros.

Na água podemos praticar mergulho, observação de cetáceos e pesca de alto mar, existindo diversas empresas da especialidade que oferecem um variado leque de opções durante todo o ano. Na costa norte da ilha são os spots para a prática do surf e do bodyboard que cativam, especialmente a praia de Santa Bárbara, mais conhecida por ”Areais”. Praias de areia vulcânica como as do Pópulo, Água d’Alto e Ribeira Quente, piscinas naturais dispersas ao longo da ilha e os balneários termais da Ferraria e das Furnas constituem sítios ideais para relaxar das emoções fortes e retemperar energias. Podemos ainda fazer canoagem e outros desportos náuticos em lagoas implantadas nas caldeiras de vulcões. Nalgumas lagoas e ribeiras, com a devida licença, também é possível pescar.

Para os velejadores, lançam-se as amarras a partir das Marinas de Ponta Delgada ou de Vila Franca do Campo para passar um dia magnifico em contacto com o mar e a natureza pura, com a possibilidade de pescar, nadar e ver golfinhos e baleias.

Gastronomia


Cozido das Furnas ©Publiçor/Visitazores

Na gastronomia de São Miguel abundam os pratos de diferentes tipos de peixe, bem como de marisco, onde também há uma enorme variedade, como as cracas, crustáceo cozinhado em água do mar.

A carne proveniente do gado criado em pastagens é macia e saborosa, onde o prato de principal destaque é o famoso Cozido das Furnas. Nas caldeiras das Furnas, as panelas com as carnes e vegetais do cozido são ensacadas e enterradas no solo geotérmico. A cozedura leva cerca de cinco horas. Vale a pena assistir ao içar do cozido, que acontece normalmente entre as 12 e as 15 horas e depois rumar ao restaurante escolhido para saborear esta especialidade tão única.

Nas entradas, a famosa “pimenta da terra” associa-se ao queijo fresco, mas este tipo de malagueta local marca presença em várias receitas. O bolo lêvedo, originário das Furnas, está bastante difundido e pode surgir em qualquer refeição. Na doçaria, ganharam especial fama as Queijadas de Vila Franca do Campo. Os fumadores podem terminar a refeição com um charuto ou cigarrilha fabricados localmente ou então com outra das grandes especialidades da ilha, o chá. As plantações da Gorreana e de Porto Formoso, que surgem no horizonte como ondas de folhas verdes, são únicas no contexto europeu. Na visita às fábricas-museu aprende-se a história do cultivo e a evolução da maquinaria utilizada, antes da merecida prova do chá açoriano.

São Miguel tem tradição no cultivo de frutas exóticas como o ananás, a anona, o araçá e o maracujá, que são comidas ao natural ou utilizadas no fabrico de licores. As estufas de ananases, espalhadas pelas áreas da Fajã de Baixo, Lagoa e Vila Franca do Campo, mantêm práticas ancestrais que podem ser descobertas numa visita guiada.


Fátima, altar do mundo

O Santuário de Fátima é uma das maiores referências do culto mariano, a que acorrem peregrinos de todo o mundo.

O local onde está o Santuário de Fátima, a Cova da Iria, era até 1917 um lugar desconhecido do concelho de Ourém, na freguesia de Fátima. Nesse ano, um acontecimento religioso veio mudar para sempre a sua história e importância, quando três crianças pastoras, Jacinta, o seu irmão Francisco e a sua prima Lúcia, testemunharam sucessivas aparições de Nossa Senhora do Rosário. Encarado inicialmente com relutância pela Igreja mas acarinhado pelo povo, o fenómeno só em 1930 seria reconhecido pelo bispo de Leiria. A partir de então o desenvolvimento da localidade foi notório, levando a que Fátima fosse elevada a vila, em 1977, e a cidade, em 1997.

A fama mundial do Santuário acentuou-se durante o papado de João Paulo II, assumido devoto de Nossa Senhora de Fátima que em 1982 aí se deslocou em agradecimento por ter sobrevivido a um atentado um ano antes. Em 2000, na sua terceira visita ao local, anunciou a beatificação de Jacinta e Francisco, a quem o Vaticano atribuiu o milagre de uma cura.

13 de maio foi a data da primeira aparição, seguida de outras no mesmo dia dos meses seguintes até outubro, e marca também as principais celebrações de Fátima. Um dos momentos mais importantes é a Procissão das Velas, na noite de 12 de maio, em que os milhares de velas dos fiéis que enchem a grandiosa praça do Santuário concedem a este lugar um ambiente mágico, de comunhão e devoção religiosa. Tão impressionante quanto a Procissão do Adeus no dia 13.

Mas todos os meses, especialmente nos dias 12 e 13, milhares de peregrinos acorrem a Fátima guiados pela sua fé. Partindo de diversos pontos do país, muitos deles fazem esse percurso a pé, seguindo por estradas e caminhos rurais. Para facilitar as deslocações foi identificado um conjunto de quatro Caminhos de Fátima que foram sinalizados no terreno – Caminho do Tejo, Caminho do Norte, Caminho da Nazaré e Caminho do Mar – e podem facilmente ser seguidos, mesmo por quem conhece mal a região.

Mesmo quem não é crente não fica indiferente quando está no Santuário, pela sua grandiosidade, pela espiritualidade que se sente e pelo simbolismo.

Ao entrar no Recinto das Orações, vê-se num dos extremos a Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima com a sua alta torre de 65 metros. Ao centro, o Monumento ao Sagrado Coração de Jesus e, num dos lados, fica a Capela das Aparições, precisamente onde Nossa Senhora pediu aos pastorinhos que construíssem uma capela.

No extremo oposto, foi inaugurada em 2007 a Igreja da Santíssima Trindade - Basílica Menor, uma moderna obra de arquitetura com 125 metros de diâmetro, sem apoios intermédios, e com capacidade para receber cerca de 8700 pessoas. O projeto é da autoria do arquiteto grego Alexandros Tomazis, com intervenções de outros artistas como os portugueses Álvaro Siza Vieira e Pedro Calapez. No exterior, vemos uma Cruz Alta em bronze, da autoria do alemão Robert Schad.

Em 2017, comemorou-se o centenário das aparições. Nos dias 12 e 13 de Maio, as habituais celebrações religiosas contaram com a presença de Sua Santidade o Papa Francisco. 

Na localidade, para além do Santuário, pode ainda visitar-se o Museu de Arte Sacra e Etnologia, o Museu de Cera, o Museu Fátima 1917 e o Presépio e Aldeia de Belém Animados. 

A cerca de 2 km, fica Aljustrel, onde os pastorinhos viveram. Para reconstituir a história há ainda que ir à Loca do Anjo e a Valinhos, outros locais relacionados com as aparições.

Para conhecer a região, sugerimos um itinerário que passe por Leiria, pela costa entre as praias de São Pedro de Moel e da Nazaré e por dois monumentos classificados Património da Humanidade, o Mosteiro da Batalha e o Mosteiro de Alcobaça.


Surfing

Com mais de 850 quilómetros, a costa portuguesa é uma praia gigantesca para o surfing. Não há outra costa no mundo que possa oferecer um tão grande número de spots a uma tão curta distância e por isso costumamos dizer que em Portugal as ondas estão sempre garantidas.



Condimentadas com vento a soprar de feição e muito sol ao longo do ano inteiro, estas ondas perfeitas, por vezes mesmo mágicas, proporcionam uma experiência única aos praticantes de diversos desportos. Surf, bodyboard, windsurf, kitesurf ou paddle surf, são muitas as modalidades para desfrutar da ondulação atlântica que leva os níveis de adrenalina para lá do imaginável. 

Das ondas gigantes da Praia do Norte na Nazaré procuradas pelos mais destemidos à constância das ondas perfeitas de Carcavelos, Ericeira ou Peniche, são muitos os lugares de eleição para os surfistas. E não se ficam pelas vizinhanças de Lisboa. A variedade é enorme, tanto mais a norte na Figueira da Foz, Espinho e Viana do Castelo, ou a sul na costa alentejana e na zona de Sagres, e até mesmo nos Açores e Madeira.

Já os praticantes de bodyboard têm na Praia Grande, em Sintra, uma referência obrigatória. Este local faz parte de todos os roteiros e recebe anualmente uma prova do campeonato mundial da modalidade, mas o litoral norte ou a costa ocidental do Algarve também têm vindo a crescer nas preferências dos praticantes. 



O Guincho é a “meca” nacional para o windsurf e já recebeu os melhores "windsurfers" mundiais. O vento e as ondas garantem espetáculo a quem vê e prazer a quem está dentro de água. Mas também o kitesurf granjeia aqui cada vez mais adeptos, que frequentam igualmente outras praias: em Carcavelos, na Costa da Caparica ou mais a norte nas zonas de Aveiro ou Viana do Castelo.

Mas há muitas outras atividades para aproveitar as condições oferecidas pelo oceano e pelos rios e lagos. Desde o paddle surf em mar aberto ou nas águas mais tranquilas de baías protegidas ou lagoas, ao esqui aquático e ao parasailing, é grande o leque de possibilidades para nos divertirmos e desfrutarmos de emoções fortes. Mais difícil poderá ser a escolha…


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