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Sugestões

Visita a Aveiro

Não deixe de…
  • Fazer um passeio de moliceiro nos canais da Ria
  • Percorrer a cidade de “buga”
  • Experimentar os deliciosos ovos moles
  • Seguir o Roteiro Arte Nova
  • Admirar a talha dourada da Igreja do Convento de Jesus

Ao visitar Aveiro descobrimos uma paisagem com marca de água.

Junto ao mar e à ria, Aveiro é atravessada por uma rede de canais por onde passeiam barcos moliceiros. Estas embarcações, esguias e coloridas, serviam para recolher algas e sargaço, e hoje em dia são usadas em passeios turísticos. Fazer a visita a pé também não implica demasiado esforço já que a cidade é plana, e quem gosta de pedalar pode optar pelas ”bugas” - as bicicletas de utilização gratuita disponibilizadas pela Câmara Municipal de Aveiro. 

Aveiro possui um conjunto de edifícios em estilo “Arte Nova” que vale a pena apreciar. Grande parte está situada junto ao canal principal, mas existem alguns fora das rotas tradicionais e até noutras localidades. A localização dos edifícios está indicada no roteiro disponível no Posto de Turismo e podemos ficar a conhecer ainda melhor este estilo no Museu que lhe é dedicado. 

Outro local a visitar obrigatoriamente é o Museu de Aveiro instalado no Convento de Jesus, onde podemos admirar o Mausoléu da Princesa Santa Joana e a talha dourada que decora o interior da igreja. Também a vamos encontrar em profusão no interior da Capela do Senhor das Barrocas e com menos exuberância na Igreja da Misericórdia, cujo portal maneirista merece destaque. Já aqueles que apreciam arquitetura contemporânea portuguesa não devem perder os edifícios da Universidade. 

Emblemático da cidade é o doce confecionado com ovos e açúcar – os “ovos moles” que são vendidos em barricas de madeira ou envoltos numa crosta de massa de hóstia com diversos formatos. Mas antes da gulodice, podemos confortar o estômago com as delícias que o mar oferece como o marisco, o peixe fresco grelhado ou em caldeiradas e as enguias características desta região, que são servidas em caldeirada ou escabeche.

Ovos moles

Nas proximidades
Nas redondezas há vários lugares que vale a pena conhecer. Podemos atravessar a Ria de barco, passando por entre as salinas e admirar a brancura do sal, que na época de verão forma pirâmides a secar ao sol. Do outro lado, a Reserva Natural das Dunas de São Jacinto fica a cerca de 15 minutos e possui praias quase selvagens.

Aqueles que preferem mais animação podem tomar a direção Sul até à Praia da Barra, onde se encontra o mais alto farol do país, ou à Costa Nova, conhecida pelos palheiros às riscas. Bem perto fica Ílhavo, cidade de fortes tradições pesqueiras bem documentadas no seu Museu Marítimo.

 


Visitar Óbidos

Não deixe de…
  • subir às muralhas
  • beber uma Ginjinha num copinho de chocolate

A vila medieval de Óbidos é uma das mais caraterísticas e bem preservadas de Portugal.

Suficientemente perto da capital e situada num ponto alto, próximo da costa atlântica, Óbidos teve uma importância estratégica no território. Já ocupada antes de os romanos chegarem à Península Ibérica, a vila tornou-se mais próspera a partir do momento em que foi escolhida pela família real. Desde que o rei D. Dinis a ofereceu a sua esposa D. Isabel, no séc. XIII, ficou a pertencer à Casa das Rainhas que, ao longo das várias dinastias, a foram beneficiando e enriquecendo. É uma das principais razões para se encontrarem tantas igrejas nesta pequena localidade.

Dentro de muralhas, encontramos um castelo bem conservado e um labirinto de ruas e casas brancas que encantam quem por ali se passeia. Entre pórticos manuelinos, janelas floridas e pequenos largos, encontram-se vários motivos de visita, bons exemplos da arquitetura religiosa e civil dos tempos áureos da vila. 

A Igreja Matriz de Santa Maria, a Igreja da Misericórdia, a Igreja de São Pedro, o Pelourinho e, fora de muralhas, o Aqueduto e o Santuário do Senhor Jesus da Pedra, de planta redonda, são alguns dos monumentos que justificam uma visita atenta. Assim como o Museu Municipal de Óbidos, onde se encontram as obras de Josefa de Óbidos. Foi, no séc. XVII, uma pintora de referência e uma mulher com uma atitude artística irreverente no seu tempo. Os seus quadros refletem a aprendizagem com grandes mestres da época como os espanhóis Zurbarán e Francisco de Herrera, ou os portugueses André Reinoso e Baltazar Gomes Figueira, seu pai.

Qualquer altura é boa para visitar Óbidos. Pelas histórias de amor que aí se contam e pelo ambiente medieval, é uma sugestão inspiradora para um fim-de-semana romântico ou simplesmente tranquilo. E se incluir uma noite de alojamento no castelo, então o cenário será perfeito. 

Na gastronomia local, destaca-se a caldeirada de peixe da Lagoa de Óbidos, ainda melhor se acompanhada pelos vinhos da Região Demarcada do Oeste. Outra atração é a célebre Ginjinha de Óbidos, que se pode apreciar em vários locais, de preferência num copinho de chocolate.

Durante todo o ano, um programa de eventos traz alguma animação a esta pequena localidade, mas sem dúvida os mais concorridos são o Festival Internacional do Chocolate, o Mercado Medieval e a Óbidos Vila Natal, em que se decora a vila com motivos alusivos à época. De referir também, o FOLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos, a SIPO – Semana Internacional de Piano de Óbidos, o Festival LATITUDES – Literatura e Viajantes e, mais recentemente o Óbidos Vila Gaming que concedem uma atmosfera especial ao lugar. É desde 2015, Cidade Criativa da Literatura da UNESCO.

Não muito longe, fica o extenso areal da Praia d’El Rey, onde os golfistas podem apreciar um campo de golfe com vista para o mar atlântico. Passando a cidade das Caldas da Rainha, cuja história também está ligada à Casa das Rainhas, encontra-se a praia da Foz do Arelho, ligando a Lagoa de Óbidos ao mar. Um bom local para um almoço de marisco e peixe fresco ou para um fim de tarde ao pôr-do-sol, à beira-mar. 


Lisboa, destino de compras

Na cosmopolita cidade de Lisboa, tudo se encontra a dois passos de distância.

Para os lisboetas, a Baixa sempre foi o local por excelência para fazer compras. E até as grandes marcas internacionais gostam de ter o seu espaço nesta zona. A Avenida da Liberdade é uma das principais ruas da cidade, com árvores centenárias e sombras frescas. É muito agradável para passear e é o eixo mais valioso do ponto de vista imobiliário, onde se encontram os escritórios mais caros de Lisboa. Aí encontram-se também hotéis de design e de cinco estrelas, marcas conceituadas, lojas de luxo, restaurantes e esplanadas.

Na Baixa, as lojas mais tradicionais ficam ao lado das lojas de roupa da moda e das tendências mais vanguardistas. Encantamo-nos sempre com as centenárias Casa das Velas do Loreto, com a Chapelaria Azevedo ou com a Luvaria Ulisses. Assim como com as antigas livrarias, Bertrand, Sá da Costa e Aillaud & Lellos, em que nos esquecemos do tempo enquanto folheamos as últimas novidades literárias. Ou ainda com as retrosarias da Rua da Conceição, que ainda mantêm o mobiliário original onde guardam uma imensidão de botões e linhas.

É entre o Chiado e o Bairro Alto, entre as ruínas do Convento do Carmo, o Museu do Chiado e a Igreja de São Roque, que podemos ainda ficar a par das mais recentes criações de estilistas portugueses como Ana Salazar, Fátima Lopes, a dupla Manuel Alves/José Gonçalves, José António Tenente, Filipe Faísca, Miguel Vieira ou os Storytailors, entre outros. São referências na moda portuguesa.

Uma das mais recentes novidades nestes centros comerciais ao ar livre são as lojas vintage e as que recuperam a produção de fábricas antigas. Descobre-se nos modelos de outros tempos o que faz a diferença na moda global de hoje. Da mesma forma, produtos que mantêm a sua imagem há décadas, e que trazem à memória o tempo dos avós e a infância, ainda surpreendem pela sua qualidade.

O Bairro Alto é ainda considerado o bairro mais boémio da cidade. De dia, tem lojas de moda urbana, de vanguarda e de tatuagens. À noite, tem muita animação e uma grande oferta de restaurantes, bares e casas de fado, o que se torna no complemento perfeito para quem anda às compras.

Muito próximo, fica o Príncipe Real, uma área residencial com jardins, esplanadas, lojas de decoração e ateliers de estilistas portugueses, como a de Nuno Gama. Ou a Rua de São Bento, conhecida pelas lojas de antiguidades. É também onde se situa a Assembleia da República e a Casa Museu Amália Rodrigues.

Mais dedicado ao design, o bairro de Santos é uma antiga zona industrial ribeirinha que tem atraído escolas de arte, estúdios de artistas, ateliers de arquitetura e agências de criativos. Foi também escolhido por marcas de design contemporâneo para terem os seus espaços comerciais de mobiliário e decoração. Contrastando com esta modernidade, é também onde se situa o Museu Nacional de Arte Antiga, um dos mais importantes de Lisboa.

Quando não há tempo para fazer compras durante o passeio pelos bairros históricos da cidade, todos os esforços se poderão concentrar num dos centros comerciais: Amoreiras, Colombo e Vasco da Gama são os maiores, mas o Campo Pequeno e o Saldanha são uma alternativa a considerar.

Nestes casos, sempre se poderá alternar as compras com uma ida ao cinema. Em Portugal, todos os filmes são apresentados na língua original, com legendas em português, exceto no caso do cinema infantil que habitualmente é dobrado. Mas há sempre sessões com a versão original.


O Porto à noite

Não deixe de…
  • provar um cálice de Porto quando sair à noite
  • experimentar um Porto Tonic se preferir uma forma mais refrescante de conhecer este vinho licoroso

O Porto é uma cidade cheia de animação, cujas noites têm fama além-fronteiras.  

Nesta cidade cosmopolita encontramos restaurantes de todos os géneros para jantar, da cozinha tradicional à mais moderna cozinha de fusão a cargo de conceituados chefs. É um dado assente que se come muito bem no norte de Portugal e o Porto não é exceção. Desde a tasca mais simples ao restaurante mais sofisticado, tudo vai depender do nosso critério de escolha. Uma das especialidades do Porto é a célebre francesinha, uma sanduíche com vários recheios, coberta de molho, que não se encontra com facilidade no resto do país. Mas também são abundantes e recomendáveis os pratos de peixe e marisco frescos, assim como os de bacalhau, ou pratos de carne com destaque para “as tripas à moda do Porto” e o cabrito. Para entrada, é sempre apreciado um caldo verde, típico na região.

Depois de jantar há bares e discotecas com música para todos os gostos. Porém, se quisermos assistir a um concerto num ambiente irrepetível, não nos podemos esquecer da Casa da Música, cuja oferta variada atinge todos os públicos.

E há paisagens noturnas que não se podem perder. Claro que uma delas é a vista sobre o rio com as luzes da Ribeira e das Caves de Gaia refletidas na água, quer esteja num ou no outro lado do rio. É uma vista quase mágica, pelo que uma boa opção é jantar numa das margens, com vista para o outro lado e a ponte Luís I ao fundo. A Ribeira à noite fervilha de animação, sobretudo no bom tempo, com esplanadas e bares para todos os gostos.

Entre os locais especialmente conhecidos pela animação noturna, sobressaem, além da Ribeira, a Foz, alguns bares e locais carismáticos da Baixa portuense e, para estudantes e públicos mais jovens, a zona em volta dos Clérigos e da livraria Lello. Aqui, as Ruas da Galeria de Paris ou Cândido dos Reis são conhecidas pela sua oferta de bares e restaurantes, assim como a Praça Filipa de Lencastre, também na Baixa.

Na vida noturna do Porto reina a boa disposição e a animação prolonga-se até ao amanhecer, especialmente aos fins de semana.


Vale do Douro

Não deixe de…
  • visitar algumas das quintas produtoras de vinho que se dedicam ao enoturismo
  • pernoitar nos hotéis de inspiração vínica que existem no Porto e Vale do Douro
  • participar nas vindimas
  • fazer um cruzeiro ambiental no rio junto a Miranda do Douro
  • visitar as aldeias vinhateiras de Barcos, Favaios, Provesende, Ucanha, Salzedas e Trevões

O Vale do Douro também podia ser chamado de vale encantado tal a beleza e encantamento que as suas paisagens oferecem.

Com partida do Porto, onde o rio desagua e onde desaguam também os vinhos do Douro (de mesa) e do Porto (vinho generoso) produzidos nas suas encostas, podemos conhecer de várias maneiras esta Paisagem Cultural, classificada Património Mundial: por estrada, de comboio, num barco de cruzeiro, ou até de helicóptero. Nenhuma delas nos vai deixar indiferentes. 

Num percurso pelos Miradouros que oferecem as melhores vistas, teremos que cruzar o rio de norte para sul e vice-versa. Mas no caminho podemos admirar paisagens deslumbrantes sobre o rio e visitar vinhas, vilas e aldeias até chegar a Miranda do Douro, onde o rio entra em Portugal.

Começamos por visitar em Vila Nova de Gaia as caves onde o vinho do Porto envelhece. Ficamos a conhecer um pouco melhor este vinho aproveitando, como não poderia deixar de ser, para provar o precioso néctar. E no rio ainda hoje podemos apreciar antigos barcos rabelo, os únicos que transportavam o vinho das quintas produtoras até à foz antes da construção das várias barragens que tornaram o rio navegável.

No Peso da Régua, o Museu do Douro dá-nos a conhecer outra perspetiva da cultura do vinho e da região. Não longe, mas na margem sul, fica Lamego, uma das mais bonitas cidades do norte de Portugal, situada na base duma imensa escadaria de azulejos azuis e brancos que leva ao Santuário de Nossa Senhora dos Remédios. No Pinhão, mesmo à beira do rio, a estação de caminhos de ferro é de visita obrigatória para ver os seus antigos azulejos dedicados à cultura da vinha.

Antes de chegar ao Pocinho, podemos fazer um desvio na margem sul para conhecer o castelo de Numão e apreciar a vista sobre o horizonte. Pouco mais a leste fica o Parque Arqueológico de Foz Coa, uma galeria de arte rupestre ao ar livre classificada Património da Humanidade, assim como o respetivo Museu em Vila Nova de Foz Coa.

Chegando a Barca de Alva entramos no Parque Natural do Douro Internacional já que o rio daqui até Miranda do Douro faz fronteira entre Portugal e Espanha. Neste percurso o rio corre apertado entre altas escarpas até chegar à pequena cidade raiana onde entra em Portugal.

Até Barca de Alva, o Alto Douro Vinhateiro é também a mais antiga região vinícola demarcada do Mundo. O rio fez a primeira obra cavando na terra os vales profundos, enquanto o Homem transformou as montanhas de xisto em terra e muros e nela plantou a vinha, verde no verão, cor de fogo no outono. Com uma sabedoria herdada de gerações, inclinou os terraços para que os raios de sol abracem as videiras e deem às uvas o calor de que o vinho precisa. Por isso dos frutos da terra e do trabalho do Homem se fez este vinho e esta paisagem únicos.


A Ria Formosa e o Sapal de Castro Marim

Não deixe de…
  • identificar as várias aves que se ouvem por todo o lado
  • apreciar a plumagem azul-escura da galinha-sultana, a espécie em vias de extinção que é símbolo do Parque Natural da Ria Formosa
  • visitar os canis onde se cria o cão de água, uma raça autóctone portuguesa
  • ir aos festivais do marisco que se realizam em Faro e Olhão no mês de agosto
  • a pé ou de bicicleta, seguir os trilhos entre as salinas no Sapal de Castro Marim e assistir à extração do sal

A Ria Formosa, o mais importante santuário de vida selvagem no Algarve, e o Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António, a zona alagadiça do Rio Guadiana, são duas áreas protegidas a descobrir a pé ou de barco. Passeios que vão ficar na nossa memória!

Para começar a visita o melhor será irmos ter com quem sabe. Os respetivos Centros de Educação Ambiental fornecem informações sobre as espécies que se podem avistar e os trilhos pedestres aconselhados para desfrutar em pleno das paisagens respeitando a natureza. E nestes labirintos de canais há muito para admirar. Dos verdes da vegetação que se harmonizam com os azuis das águas e contrastam com a brancura das salinas, aos tons rosados das penas dos flamingos, encontramos muitos motivos para fotografias de sonho. Dá vontade de não largar o botão de disparo! 

No longo cordão de areia que separa a Ria Formosa do mar descobrimos praias deslumbrantes, quase desertas, embora o Parque Natural, que se estende ao longo de 60 quilómetros entre a Península do Ancão e a Praia da Manta Rota, seja frequentado por cerca de 1500 espécies de seres vivos. A galinha-sultana e os guarda-rios com as suas plumagens vistosas, o camaleão que toma as cores dos locais onde passa ou o cão de água simpático e felpudo, são alguns dos residentes habituais. 

Mas neste oásis de preservação de fauna e flora também há uma grande variedade de moluscos que fomentam uma das principais atividades económicas da região, e dão origem a especialidades da gastronomia que nos vão deliciar, como o arroz de lingueirão, ou as ostras e os mexilhões. Para termos uma perspetiva sobre esta área e a sua dimensão há que procurar pontos altos como a fortaleza de Cacela Velha, uma aldeia de origem árabe que vale a pena conhecer. 

E se dirigirmos o olhar para leste, quase vislumbramos o Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António, a primeira Reserva Natural criada no nosso país. Esta zona de salinas, pastagens e sapais, tem como limites as duas localidades e estende-se ao longo do Rio Guadiana.

Para além dos trilhos pedestres, podemos observá-la a partir do castelo de Castro Marim para uma vista abrangente, ou de barco para uma experiência mais relaxante. Junto à margem vamos descobrir rãs, sapos, tritões e lagartixas e nos céus, a cruzar o horizonte, são a cegonha branca, o perna-longa e a garça que captam todas as atenções. E há ainda uma zona seca com áreas agrícolas onde se cultivam cereais e plantações de amendoeiras, figueiras, alfarrobeiras e oliveiras. Muito para conhecer entre rasgos de natureza resplandecente!


Pico, a ilha montanha

Com 448 Km2 de superfície, a Ilha do Pico é a segunda maior do arquipélago e aquela onde se situa a mais alta montanha de Portugal, precisamente o Pico, que lhe deu o nome, com 2.351 m de altitude. Muitas vezes apelidada como Ilha Montanha, é um dos vértices das chamadas “ilhas do triângulo”, a que fica mais a sul do grupo central do arquipélago e apenas a 6 km do Faial.

O seu clima seco e quente em conjunção com a riqueza mineral dos solos de lava e a organização do terreno num impressionante mosaico de pedra negra - os “currais” - permitiu um crescente sucesso da cultura da vinha, com predomínio da casta verdelho. Aos poucos, o vinho e a aguardente tornam-se apreciados dentro e fora da ilha. Exportado para a Europa e para a América, o verdelho atinge fama internacional, e chega inclusivamente a marcar presença na mesa dos czares russos.

Os extensos campos de lava que marcam a paisagem da ilha, e que a população local denomina de “lajidos” ou “terras de biscoito” formam a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, declarada Património da Humanidade da UNESCO em 2004. Destes merecem destaque os sítios do Lajido da Criação Velha e do Lajido de Santa Luzia.

Enquanto no chão de lava negra se destacam as “rilheiras”, sulcos deixados pelas rodas dos carros de bois que transportavam uvas e barris, nos portos e portinhos junto à beira-mar são os “rola-pipas”, encostas talhadas para facilitar o deslize das pipas até aos barcos, que ainda hoje representam esta atividade.

O imenso cone vulcânico da Montanha do Pico, o terceiro maior vulcão do Atlântico, impõe-se na paisagem da ilha. Na sua cratera principal aloja-se um cone de lava designado de Piquinho, no topo do qual fumarolas permanentes encarregam-se de lembrar a sua natureza vulcânica. A cerca de 1250 metros de altitude, onde se inicia a subida pedestre à Montanha, já se avista grande parte da ilha, bem como as vizinhas Faial e São Jorge. A subida até ao topo é cansativa, mas recompensada por panorâmicas fantásticas e únicas, que nos dias límpidos nos premeia adicionalmente com o vislumbre das ilhas Graciosa e Terceira.

É no Pico que encontramos um dos maiores tubos lávicos visitáveis do mundo, a Gruta das Torres, que se estende por cinco quilómetros embelezados por diversos tipos de estalactites e estalagmites lávicas e paredes estriadas.

Para os amantes do geoturismo, há outros locais obrigatórios de visita: as Furnas de Frei Matias, da Silveira e dos Montanheiros, bem como os Mistérios de Santa Luzia, Prainha e S. João – formados pela lava de erupções vulcânica que se verificaram no mar e que se uniram à ilha, e ainda os Arcos do Cachorro, impressionante aglomeração de lavas perfuradas por numerosos túneis e grutas por onde o mar passa em turbilhão.

Outras paragens são as Lagoas do Capitão, do Caiado e do Paul, e ainda o Miradouro da Terra Alta situado na estrada que circunda a ilha pelo Norte, de onde podemos observar a Ilha de São Jorge, bem como a paisagem que a riqueza florestal da Ilha do Pico nos oferece.

O Pico é uma terra de fortes tradições baleeiras. A sua área divide-se por 3 concelhos, Madalena, São Roque e Lajes e, tal como nas restantes ilhas dos Açores, o valor do seu património arquitetónico concentra-se, sobretudo, nas igrejas e ermidas existentes nas diferentes freguesias: a Igreja de Santa Maria Madalena, na Vila da Madalena, a de São Roque e o Convento e Igreja de São Pedro de Alcântara, em São Roque do Pico, a de Nossa Senhora da Conceição e Ermida de São Pedro, nas Lajes e tantas outras.

De destacar ainda o Museu do Pico, com os seus três pólos: o Museu dos Baleeiros, nas Lajes, o Museu da Indústria Baleeira, em São Roque, e o Museu do Vinho, na Madalena, locais obrigatórios de visita que retratam uma época importante da história do Pico. O Museu do Vinho ocupa as antigas instalações do Convento das Carmelitas, proporcionando visitas às vinhas, provas de vinho e, em Setembro, participação nas vindimas.

A ilha do Pico para além da sua riqueza natural oferece também um bom património gastronómico, muito baseado em pratos de peixe e marisco, de onde sobressaem as famosas Caldeiradas, o polvo guisado com vinho de cheiro, linguiça com inhame, molha de carne e os caldos de peixe. Afamados são também os seus figos, de interior vermelho vivo, o mel produzido com a flor do incenso e o Queijo do Pico – um queijo de leite de vaca de pasta mole (nomeadamente os de São João e do Arrife). Tudo regado, claro está, pelo Vinho Verdelho, ou pelos muito apreciados vinhos tintos e brancos da Ilha.

Terra de grande tradição baleeira, o Pico prima pelas variadas peças artesanais em osso e dente de baleia, bem como pelos chapéus de palha, as flores de escama de peixe e miniaturas em madeira dos botes baleeiros, tudo boas sugestões para levar como recordação.


A Rota Vicentina

Ao longo da costa oeste, partimos à descoberta da Rota Vicentina. O oceano acompanha-nos entre as arribas recortadas e por vezes somos presenteados com campos de flores selvagens que parecem não ter fim. Não pode haver melhor proposta para uma caminhada… 

Esta grande rota pedestre, que no total tem cerca de 750 quilómetros ao longo de uma das mais belas e bem preservadas zonas costeiras da Europa, é constituída por dois percursos principais e 24 circulares e surpreende-nos pela diversidade de paisagens.

O “Caminho Histórico”, com 263 kms, é o percurso mais extenso e parte de Santiago do Cacém até ao Cabo de São Vicente. É um itinerário rural, com 13 etapas por caminhos florestais, vilas e aldeias com séculos de história, e pode ser percorrido a pé ou de bicicleta.

Rota Vicentina
Photo: © Rota Vicentina

Já o “Trilho dos Pescadores” segue sempre junto ao mar por caminhos de acesso a praias e pesqueiros, ao longo de 226,5 kms, entre São Torpes e o Cabo de São Vicente. É um percurso exclusivamente pedestre, mais exigente do ponto de vista físico, e está organizado em treze etapas. Cada etapa nunca tem mais de 22,5 quilómetros e está pensada para um dia. A programação fica ao critério de cada um, com a possibilidade de experimentar apenas as que melhor se adequarem às preferências ou condições físicas.

Rota Vicentina
Photo: © Rota Vicentina

Em vários dias, podemos seguir a rota de forma sequencial, dormindo nas unidades de alojamento associadas ao projeto. Avisadas atempadamente, podem até organizar entre si o transporte da bagagem, para comodidade e conforto dos caminhantes. Será possível visitar o património monumental e experimentar a deliciosa gastronomia da região, em que se destacam os mariscos, o peixe fresco e as saborosas cozinhas do Alentejo e do Algarve, já que a Rota atravessa as duas regiões.

Rota Vicentina
Photo: © Rota Vicentina

Pelo caminho, poderemos desfrutar da paisagem em pleno e apreciar as surpresas que a natureza nos presenteia, como as flores do campo, o aroma das ervas na frescura da manhã ou o colorido das borboletas. Uma observação mais minuciosa requer algum tempo extra, mas oferece oportunidades raras, como avistar lontras que quase nunca se encontram em ambientes marinhos ou ver as cegonhas que aqui nidificam nas arribas costeiras, um caso único no mundo.

Rota Vicentina
Photo: © Rota Vicentina

Quem dispõe de pouco tempo ou tem mais dificuldades a nível físico, poderá optar pelos percursos circulares que são mais curtos (nunca mais de 16 kms) e têm sempre início e fim no mesmo local, podendo ser efetuados em meio dia ou até menos. Estes percursos complementam e enriquecem os principais (Caminho Histórico e Trilho dos Pescadores) e totalizam cerca de 263 kms, estando localizados entre Santiago do Cacém e Lagos.

Vale a pena fazer uma paragem de um dia ou dois para experimentar uma atividade como o surf, na ondulação forte do oceano atlântico, ou para descobrir uma praia tranquila, e quem sabe mesmo deserta, e relaxar do passeio. Em alternativa ao mar, as ribeiras e os rios são também boas sugestões para aliviar o calor nos dias de verão.

Rota Vicentina
Photo: © Rota Vicentina

Muitos destes trilhos já eram bem conhecidos dos peregrinos que partiam do Cabo de São Vicente com destino a Santiago de Compostela. Como eles, podemos equipar-nos com calçado e roupa confortável e pormo-nos a caminho, sem deixar rasto da passagem para manter este reduto de natureza preservada. Será, com certeza, uma caminhada inesquecível…


Caramulo, Açor e Lousã - Serras a descobrir

Não deixe de…
  • experimentar o slide do Caramulinho
  • fazer rafting ou canoagem nos ribeiros da Serra do Caramulo
  • contemplar as quedas de água da Fraga da Pena
  • apreciar a vegetação da Mata da Margaraça
  • descer as encostas da Serra da Lousã em btt
  • escalar os Penedos de Góis
  • tomar banho nas muitas praias fluviais da região
  • percorrer a pé os “Caminhos do xisto”

A imagem mais comum do Centro de Portugal é a natureza em estado puro, maciços de serras e muitos rios em vale profundos, desenhando paisagens de grande beleza. 

A montanha mais alta e mais famosa é a Serra da Estrela, mas o Centro de Portugal tem outras que vale a pena conhecer.

São lugares para descobrir sem pressas, inspirando o ar puro e desfrutando da natureza preservada em passeios tranquilos ou atividades com mais adrenalina.

Nestas serranias esperam-nos ainda outras aventuras entre paisagens intocadas de uma beleza indescritível, ouvindo o silêncio da natureza. Nada melhor para a alma.

A norte, a Serra do Caramulo, tem o seu ponto mais alto no Caramulinho a 1075 metros de altitude, que oferece belas panorâmicas sobre toda a região. 

Classificada como paisagem protegida, a Serra do Açor deslumbra-nos do alto dos seus 1.349 metros. Os socalcos, a água a correr em levadas e a impressionante Mata da Margaraça, tornam-na um lugar diferente.

A oeste, a Serra da Lousã guarda autênticos tesouros paisagísticos e monumentais e é também um local de eleição para os desportos de aventura.


Observação de aves

Considerado um dos melhores destinos da Europa para a observação de aves, Portugal, apesar de possuir um território relativamente reduzido, é um país com uma excelente concentração de diferentes habitats.

Essa riqueza e variedade atrai uma grande diversidade de espécies, sendo cerca de 330 as que aqui ocorrem regularmente, algumas das quais endémicas da Península Ibérica. 

Numa curta viagem de automóvel é possível passar dos estuários e outras zonas húmidas à pseudo-estepe e aos vales fluviais escarpados, ou do montado de sobro ou azinho até à orla costeira. Só no Estuário do rio Tejo, a uma distância de apenas 20 minutos de Lisboa, podem ser observadas, com relativa facilidade, mais de 100 espécies de aves num dia! 

Douro Internacional
Photo: Douro Internacional © Europarques

Alguns dos melhores locais para observar aves encontram-se nas áreas protegidas, que ocupam 21% do território nacional. Se a norte, no Douro Internacional, se pode fazer um cruzeiro para apreciar a beleza das arribas onde nidificam o Abutre do Egito ou a Águia de Bonelli, no Tejo Internacional os passeios a pé ou de bicicleta são uma boa opção para observar a Cegonha-preta ou o Grifo, pousados nas rochas cobertas de fósseis.

Perto de Lisboa, os estuários do Tejo e do Sado possuem uma grande riqueza de espécies, sendo comum observar enormes bandos de Flamingos ou de Colhereiros, colorindo as salinas ou os sapais. 

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Photo: Estuário do Tejo © Faísca

Já no Algarve, há que fazer uma pausa nos banhos de sol e mar para conhecer a Ria Formosa ou o Sapal de Castro Marim, duas zonas húmidas de grande importância, procuradas por diversas espécies de aves aquáticas. 

E porque não voar até às ilhas no Oceano Atlântico? A viagem vale a pena pois aqui encontram-se aves que não existem em nenhuma outra parte do mundo, tal como a Freira e o Pombo da Madeira, ou o Priolo dos Açores. Ponta do Pargo, Ponta de São Lourenço e as Ilhas Desertas no arquipélago da Madeira, ou o Pico da Vara na Ilha de São Miguel (Açores) são exemplos de excelentes locais para observação. 

castro Verde_Abetarda
Photo: Castro Verde © João Edgar

Seja qual for a opção, na sua visita a Portugal terá a oportunidade de apreciar paisagens de uma beleza deslumbrante, enquanto segue o voo das aves que cruzam um céu quase sempre azul. Para “poiso” poderá escolher uma unidade de Turismo no Espaço Rural, ou um bom estabelecimento hoteleiro, e aproveitar para se deixar mimar pela famosa hospitalidade portuguesa.  


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