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Sugestões

Buçaco, Luso, Curia – um passeio na Bairrada

Não deixe de…
  • apreciar a vista do miradouro da Cruz Alta na Serra do Buçaco
  • visitar o Vale dos Fetos e a Fonte Fria
  • seguir os trilhos da Mata Nacional
  • beber água nas nascentes do Luso
  • andar de gaivota no Lago do Parque Termal da Curia
  • provar o Leitão assado
  • fazer um brinde com espumante da Bairrada

Entre a majestosa floresta do Buçaco e as estâncias termais do Luso e da Curia, encontramos uma região que nos oferece tudo para nos tratarmos bem.

Começamos pela beleza das paisagens que tem como expoente a Serra do Buçaco, um sítio mágico, que no século XVI foi protegido por decreto papal e transformado em retiro monástico isolado do resto do mundo. Ainda hoje, espalhadas pela serra, se encontram as ermidas e capelas que formam a Via Sacra, e que podem ser visitadas seguindo um dos trilhos para descoberta da Mata Nacional. Mas há outros percursos e visitas guiadas que nos levam a conhecer árvores centenárias, muitos lagos e cruzeiros e em que vamos encontrar lugares que permanecerão na nossa memória como o Vale dos Fetos ou a Fonte Fria. 

Outra imagem inesquecível será decerto a do Palace Hotel que emerge entre a vegetação frondosa. Em estilo neomanuelino, o palácio foi construído no final do séc. XIX para os últimos reis de Portugal ocupando parte do Convento de Santa Cruz, de que hoje ainda subsistem os claustros e algumas celas. É mais um lugar encantado neste ambiente propício ao romance e ao contacto com a natureza.

Bem perto, na vertente oeste da Serra do Buçaco, situam-se as Termas do Luso, cuja nascente fornece uma das águas minerais de mesa mais consumidas no país. A estância termal data do final do século XIX, embora as propriedades terapêuticas das águas já fossem conhecidas um século antes, e conserva os edifícios originais que aliados a um spa inovador a tornam um espaço privilegiado de bem-estar. 

A cerca de 15 quilómetros, as Termas da Curia rivalizam na oferta de saúde e lazer. Aqui respira-se um ambiente da “Belle époque” evocado por construções das primeiras décadas do século XX. Para além do estabelecimento termal, não faltam hotéis com muito charme, um lago artificial com cerca de um quilómetro de perímetro, um circuito de manutenção e campos de ténis e golfe. Tudo pela vida saudável! 

Para além das águas, os vinhos e a gastronomia dão fama a esta região designada por “Bairrada”. O leitão assado é a especialidade mais famosa e atrai muita gente que se desloca de propósito para o saborear. A acompanhá-lo os vinhos brancos, tintos ou espumantes que aqui se produzem são a escolha mais acertada. Se os quisermos conhecer melhor podemos visitar os Museus que lhe são dedicados como o Museu do Vinho da Bairrada e o Aliança Underground Museum, ou seguir a Rota da Bairrada para provas e compras nas caves e adegas dos produtores. Rematamos este passeio com um brinde aos prazeres da vida.


Um passeio pelo Gerês

Não deixe de…
  • visitar o Centro de Educação Ambiental do Vidoeiro e recolher informação nas Portas do Parque
  • fazer algum dos percursos pedestres de pequena rota, que têm sinalização convencional no terreno
  • observar o pôr-do-sol sobre a barragem a partir da Pousada da Caniçada

O Parque Nacional da Peneda-Gerês, no extremo noroeste de Portugal, entre o Alto Minho e Trás-os-Montes, é a única área protegida portuguesa classificada como Parque Nacional.

É um mundo à parte em que a atividade humana se integra de forma harmoniosa na Natureza, preservando valores e tradições muito antigos, bem patentes nas aldeias comunitárias de Pitões das Júnias e Tourém.

Em todos os tons de verde, a vegetação exuberante inclui uma floresta de azevinho, única a nível nacional, e espécies endémicas como o lírio do Gerês, que alegra os campos com os seus tons de azul-violeta. Nas Serras da Peneda, Soajo, Amarela e Gerês, que integram o Parque, correm rios e ribeiras que se precipitam em cascatas e espraiam depois em albufeiras. As paisagens são deslumbrantes.

Por vezes consegue avistar-se um corço (símbolo do Parque) ou o seu predador, o lobo ibérico. Mais comuns, são os garranos, pequenos cavalos selvagens que correm livremente pelos montes. Também podem encontrar-se bovinos de raça barrosã e os cães de Castro Laboreiro, de pelo escuro, guardando os rebanhos que ao ritmo das estações se deslocam entre as brandas e as inverneiras. Trata-se de aldeias e zonas da serra relacionadas com a antiga transumância, para onde as populações hoje apenas deslocam o gado: vales e altitudes baixas no inverno, lugares mais altos no verão, de acordo com o pasto existente.

Num itinerário pelo Parque, o Soajo, com o seu antigo conjunto de espigueiros de pedra para guardar os cereais, pode ser o ponto de partida a oeste. Também podemos ver espigueiros no Lindoso, onde vale a pena subir ao castelo debruçado sobre o vale do Rio Lima. Um pouco mais a norte, podemos dar um pulo à aldeia de Castro Laboreiro, onde se criam os cães pastores da região.

A serra mais a sul é a do Gerês, cuja porta do Parque, em Campo do Gerês, é a que fica mais perto de Braga. Nesta serra ficam as albufeiras das Barragens da Caniçada e de Vilarinho das Furnas, locais de grande beleza, tendo esta última submergido a povoação que lhe deu o nome, e cujo espólio está hoje em exposição no Museu Etnográfico de Terras de Bouro. Nas redondezas desta localidade, os Santuários de São Bento da Porta Aberta e da Senhora da Abadia são centros de grandes romarias e peregrinações.

Partindo do Campo do Gerês a pé, pode deixar-se o carro à entrada da Mata da Albergaria e seguir o Rio até à Portela do Homem. No regresso, podemos descansar nas termas de Caldas do Gerês. Outra aposta certa é seguir o traçado bem conservado da geira romana, com marcos miliários que têm quase dois mil anos.

O Rio Cávado, que delimita o Parque a leste, indica o caminho até à Barragem da Paradela. Um passeio a cavalo ou um banho no rio são um convite à descontração. Para quem gosta mesmo de passeios pedestres, é a não perder a visita a Pitões das Júnias, uma aldeia onde se guardam antigos costumes comunitários. Fica no fim da estrada e daqui para a frente só a pé. Mas o passeio vale a pena, pelas cascatas e pequenos ribeiros que se cruzam pelo caminho ou pela surpresa das ruínas dum antigo Mosteiro a aparecer no meio da paisagem.

Em suma, para gastar energias não faltam no Parque oportunidades, pois também há condições para atividades como o canyonning ou a canoagem. Mas não só. A diversidade e abundância de flora e fauna locais proporcionam um contacto com a natureza único e qualquer que seja a opção é provável que castelos medievais, mosteiros e aldeias tradicionais façam parte da paisagem, sempre de uma beleza natural ímpar.


Portimão

Situada no estuário do Rio Arade, Portimão é conhecida pelas excelentes praias de areais imensos com águas quentes e calmas, que a tornam um destino de férias muito sedutor.

Portimão possui uma longa tradição piscatória que se desenvolveu especialmente entre os séculos XIX e XX, com o advento da indústria conserveira e do turismo. São desta época grande parte dos edifícios que podemos ver percorrendo ruas e praças do seu centro histórico, bem como a estrutura que alberga o Museu de Portimão, excelente recuperação de uma antiga fábrica de conservas que recebeu o prémio Museu do Ano do Conselho da Europa em 2010. Aqui se homenageia o povo e a cidade que durante séculos viveu exclusivamente virada para o mar.

Também não devemos deixar de conhecer a Capela de São José de Alcalar de estilo simples e a imponente Igreja de Nossa Senhora da Conceição edificada no século XV no alto de uma colina, destacando-se no perfil da cidade; foi muito destruída pelo terramoto de 1755 mas mantém o seu belo portal gótico original. Para uma pausa nos passeios, o melhor será descansar à sombra das árvores do Jardim Manuel Bívar a ver passar os barcos de pesca e de recreio. Ou no passeio marítimo junto à Marina, um dos pontos mais animados da cidade tanto de dia como à noite. 

É na zona ribeirinha, junto à doca que se encontram grande parte dos restaurantes onde podemos saborear a sardinha assada, o prato que mais se destaca na gastronomia local. Apesar de consumida por toda a região e em todo o país, é famosa em Portimão e tem honras de festival em Agosto. Mas há muitas outras especialidades de peixe e marisco a experimentar, como as amêijoas, as feijoadas de búzios, as cataplanas ou as caldeiradas. Favas ou papas de milho e os doces tradicionais da região à base de amêndoa e figo, são mais alguns ingredientes desta oferta que não fica por aqui.

A cerca de três quilómetros do centro, a Praia da Rocha é talvez a mais conhecida das praias algarvias, sendo a imagem do seu areal enorme um cartaz turístico largamente difundido internacionalmente. Concorrida estância balnear desde o início do século XX, possui um casino e oferece um sem número de atividades de lazer. No século XV tinha também grande importância estratégica. Por isso foi aqui construída a Fortaleza de Santa Catarina de Ribamar, que assegurava a defesa do porto e da população dos ataques dos piratas, fazendo fogo cruzado com o Forte de São João do Arade, mesmo em frente, em Ferragudo, junto a outro extenso areal justamente chamado de Praia Grande. 

A Fortaleza da Praia da Rocha é hoje um excelente miradouro sobre a cidade, o rio e o mar, que adquire um encanto especial ao fim da tarde com a luz do pôr-do-sol. Daqui podemos avistar também algumas das praias que se lhe sucedem para oeste, a começar na Praia dos Três Castelos. Umas mais pequenas, outras maiores, mas sempre enquadradas por rochedos recortados que embelezam a paisagem, seguem-se a Praia dos Careanos, do Vau, do Barranco das Canas, João d’Arens, Prainha e Três Irmãos. Esta sequência termina no longo areal da Praia do Alvor e na sua Ria, zona lagunar importante para observação de aves aquáticas.

Mas para ficarmos com uma ideia completa da zona de Portimão, há que apreciá-la de todas as perspetivas. Por exemplo, num passeio de barco ao longo da costa para conhecer praias inacessíveis por terra e admirar as formações rochosas. E aqueles que são adeptos da pesca grossa encontram aqui o destino ideal, pois neste mar fértil abundam espécies de grande porte, como os espadartes. Para apreciarmos outras paisagens, podemos subir o estuário do Rio Arade até Silves, passando entre colinas verdejantes. Numa curta distância encontramos uma panóplia diversificada de imagens que vão ficar gravadas na nossa memória.


Termas no Centro de Portugal

Nada melhor para descansar e fugir à rotina do que uma estadia nas termas. E no Centro de Portugal temos muito por onde escolher…

Devido às suas características geológicas, as nascentes termais abundam nesta região. As águas puras que nascem a temperaturas elevadas das profundezas da terra são ricas pela diversidade da sua composição mineral, com benefícios reconhecidos em diversas terapias. E ao acrescentarmos ao que a natureza nos deu, bons equipamentos, técnicas de tratamento especializadas e profissionais qualificados, encontramos nestas estâncias uma alternativa interessante para uns dias de repouso, aliando os cuidados de saúde ao bem-estar e ao lazer. 

Por exemplo, nas Termas do Luso, fundadas em 1852, data de construção de alguns dos edifícios que ainda hoje se mantêm, descobrimos todos os serviços de uma estância termal moderna. Rodeada pela vegetação luxuriante da Serra do Buçaco, esta estância além de manter a sua vocação de prevenção e tratamento dispõe de um spa termal com propostas específicas na área da estética e bem-estar e um centro médico vocacionado para a reabilitação cardíaca e motora. Bem perto, a apenas 15 quilómetros, situam-se as Termas da Curia que ocupam uma área de cerca de 14 hectares. Para além do estabelecimento termal e da buvette, possuem muitos equipamentos de lazer, como o parque com um grande lago artificial onde podemos andar de gaivota, campos de ténis e golfe, e um circuito de manutenção que nos ajuda a reencontrar ou a manter a boa forma.

Mais a sul, perto de Leiria, as Termas de Monte Real são um lugar de tranquilidade. Este resort termal é constituído por um moderno hotel instalado num palácio cheio de charme, um novo balneário termal e um spa. Na envolvente, a mata com os seus percursos pedonais e equipamentos de manutenção, os extensos jardins e lagos e os campos de ténis e de mini-golfe oferecem múltiplas opções para desfrutar destes espaços de particular beleza. 

Na Serra da Estrela, em Unhais da Serra encontra-se o único spa de montanha no país - o Aquadome. Utilizando as virtudes das águas termais nos tratamentos e na promoção da saúde, nesta unidade podemos usufruir de programas personalizados de recuperação física, nutrição e estética. Para exercitar o físico e animar o espírito, existe ainda uma grande oferta de atividades outdoor no Parque Natural, como os trilhos para passear a pé e de bicicleta sentindo os aromas silvestres e os sons da natureza. Ou então podemos relaxar nas águas cálidas das piscinas do complexo termo-lúdico enquanto contemplamos as vistas sobre o vale glaciário.

Já em pleno Geoparque Naturtejo, as Termas de Monfortinho situam-se junto à linha de fronteira com Espanha assinalada pelo Rio Erges. Utilizando as águas provenientes da Serra de Penha Garcia, esta estância é especialmente procurada para tratar problemas de pele e dos aparelhos digestivo e respiratório, e disponibiliza também programas de relaxamento físico e psíquico e atividades para toda a família. 

A norte, perto de Nelas, encontramos as Caldas da Felgueira. Num vale do Rio Mondego, a tranquilidade deste lugar conjuga-se com uma diversidade de rituais de cura e bem-estar, a combinação perfeita para reencontrar o equilíbrio e resistir ao stress do dia-a-dia. Já as Termas de São Pedro do Sul têm uma história muito longa. Foram encontrados testemunhos da sua utilização pelos romanos há cerca de dois mil anos e segundo se crê eram também frequentadas pelo primeiro rei de Portugal D. Afonso Henriques no século XII. Atualmente possuem equipamento termal de última geração e oferecem uma multiplicidade de tratamentos para experimentar num fim-de-semana ou por períodos mais prolongados. 

Já vimos que propostas não faltam e há outras estâncias termas para descobrir… Nesta região tão rica em nascentes, a água dá o mote para uns dias de descanso em ambientes de paz e serenidade.


Costa Vicentina

Designada por Costa Vicentina, a faixa de litoral entre Odeceixe e Burgau é um Algarve diferente, onde a natureza preservada tem um carácter forte e selvagem, que se traduz em paisagens de uma imponência deslumbrante.

Esta área faz parte do Parque Natural que começa mais a norte no sudoeste alentejano e que constitui a maior extensão de costa portuguesa sujeita a proteção. As praias sucedem-se, ora com areais extensos a perder de vista, ou mais pequenos enquadrados por grandiosas arribas de xisto e calcário. O mar, agitado, produz uma sinfonia natural, que serve de banda sonora a este passeio à beira mar.

Partimos de Odeceixe, o ponto mais a norte, uma praia que se desenvolve para os dois lados de uma ribeira, proporcionando banhos de mar e rio. Por aqui encontramos areais pouco frequentados, alguns quase desertos com acessos pouco conhecidos como a Praia das Adegas reservada à prática do naturismo. Vale dos Homens, Carriagem, Amoreira e Monte Clérigo são outras praias a descobrir entre arribas cobertas de vegetação, que aqui e ali nos oferecem fabulosos panoramas sobre esta costa escarpada.

Erguido no século X, o castelo de Aljezur, o último a ser tomado aos mouros, brinda-nos com outras vistas sobre o casario branco, os campos e a Serra de Monchique ao longe. Aqui tem fama a batata-doce que se destaca na gastronomia regional, embora o lugar principal seja ocupado por mariscos - perceves, lapas e mexilhões - e pelo peixe fresquíssimo pescado à linha: os sargos, as douradas e os robalos, que são deliciosos grelhados apenas com um pouco de sal.

Continuando para sul, a paisagem é marcada pela Pedra da Agulha, um rochedo imponente que se eleva no meio do mar. Vê-se das praias da Arrifana, Vale Figueiras e Bordeira que possuem boas condições para a prática de surf e bodyboard. Mas a preferida dos surfistas é a Praia do Amado, cenário de diversas provas de competições nacionais e internacionais, com várias escolas destas modalidades.

Por todo o lado, campos de flores de cores garridas rodeiam estradinhas que nos levam a praias sossegadas. Como as da Barriga, Cordoama e Castelejo, cujos areais ficam ligados na maré baixa, formando uma longa extensão de areia dourada a contrastar com os grandes rochedos de xisto negro que as limitam. E há um bónus para os que estiverem mais atentos já que estas praias são frequentadas por uma colónia de lontras que utiliza o meio marinho para procurar alimento, uma raridade na natureza.

Mais para o interior fica Vila do Bispo, com a sua Igreja paroquial coberta com azulejos até ao teto. Uma estrada leva-nos ao Cabo de São Vicente e ao Promontório de Sagres o extremo sudoeste do continente europeu que parece avançar sobre o oceano e que na Idade Média se pensava ser o “fim do mundo”. As vistas fabulosas sobre o mar imenso vão-nos deslumbrar. Mas este também é o lugar certo para saber mais sobre a história da epopeia marítima dos portugueses que começou justamente em Sagres, conhecendo a sua fortaleza, a Capela e a Rosa dos Ventos com 43 metros de diâmetro. No Cabo, destaca-se o farol que com um alcance de 95 km é um dos mais poderosos da Europa, tendo sucedido a uma luminária que no século XVI era mantida acesa durante toda a noite pelos frades capuchos.

Esta zona também é excelente para a observação de aves, especialmente em outubro quando aqui acorrem espécies vindas de norte em busca de paragens mais quentes e se realiza o Festival de observação de aves. Mas noutras épocas do ano também podemos avistar outras aves como a garça branca, a águia de Bonelli e a águia pesqueira que está em perigo de extinção e tem aqui um dos seus dos últimos refúgios. Já se sabe que todas elas desaparecerão num ápice se notarem a nossa presença, pelo que é imprescindível respeitar o silêncio e caminhar sobre os trilhos.

No litoral virado a sul, esperam-nos outras praias com ótimas condições para a prática de desportos náuticos. Para além do surf e windsurf, toda esta zona que integra as praias de Beliche, Tonel, Mareta, Martinhal, Ingrina e Zavial é ideal para mergulhar e explorar grutas submersas e reentrâncias rochosas cheias de vida marinha. Em Salema e também no Burgau, já nos limites do Parque Natural, encontramos outras praias pitorescas em que a longa tradição piscatória ainda está bem presente. Chega ao fim este passeio por uma das mais belas e bem preservadas zonas do litoral europeu, onde nos sentimos parte integrante da natureza.


Gastronomia da Madeira

A simplicidade gastronómica do Arquipélago da Madeira retrata a alma de um povo simples mas generoso.

Na Madeira, a gastronomia prima pelo tradicional e pelo contemporâneo, numa subtileza construtiva entre os diversos produtos regionais, de grande qualidade, que permitem a elaboração de um variado menu de especialidades gastronómicas que vão desde a cozinha regional até à cozinha internacional, passando ainda pelo gourmet.

Em pleno Atlântico, os peixes e mariscos do arquipélago são saborosos e cozinhados com tradição, como os filetes de peixe-espada preto ou bifes de atum, acompanhados com o estaladiço milho frito. Ou o polvo e mariscos deliciosos, a começar nas lapas, caramujos e muitos outros.

Nas carnes, o prato mais tradicional é a famosa espetada de vaca em pau de loureiro, que lhe dá um sabor inconfundível. Muito procurados são também o cuscuz de fabrico caseiro, a sopa de trigo, e a carne de vinha-d’alhos.

Lugar de clima excecional, na Madeira existe grande variedade de culturas, com lugar para a cana-de-açúcar e frutos tropicais, (da apreciada banana, ao ananás, a pera abacate, a anona, a manga e o maracujá), presentes em bebidas e delicadas sobremesas.

O famoso vinho Madeira, cujas castas mais conhecidas são Sercial, Boal, Verdelho, Malvasia, Terrantez e Tinta Negra, pode ser apreciado como aperitivo ou digestivo, bem como com outros iguarias, com destaque para o tradicional bolo de mel (de mel de cana). É também com a cana-de-açúcar que se faz o Rum da Madeira, conhecido também como aguardente de cana, da célebre poncha, confecionada ainda com mel e limão, a provar quando subir ao Pico do Areeiro.



O bolo do caco não pode faltar. Só que este não é um bolo, mas um pão cozido sobre um bocado de telha, que acompanha normalmente a espetada com manteiga d’alho. Também com batata-doce se faz pão na Madeira: as apetitosas rosquilhas de batata-doce. As Queijadas e os rebuçados de funcho são igualmente muito apreciados.

Venha deliciar-se com as iguarias madeirenses que, com certeza, irão ajudar a tornar a sua estadia inesquecível. Alie o prazer do convívio ao prazer de degustar!


Lagos

Em Lagos tudo parece convidar à praia e aos prazeres simples. Mas também há uma história de navegadores e piratas, resultado de uma cumplicidade com o mar que persiste nas traineiras coloridas que trazem o peixe para a lota, ou na Marina onde balouçam iates de todo o Mundo.

Esta ligação ao mar teve o seu ponto mais alto nos séculos XV e XVI, pois foi em Lagos que o Infante D. Henrique armou as caravelas que alcançaram a costa de África, dando início à epopeia dos Descobrimentos portugueses, e de onde partiu Gil Eanes, o navegador que demonstrou que o Mundo não acabava no Cabo Bojador e que o mar não era povoado por monstros. O seu nome foi dado à praça onde uma estátua polémica de João Cutileiro evoca o rei D. Sebastião, que fez de Lagos capital do Algarve, privilégio conservado até 1755. Foi também daqui que este rei partiu para a batalha de Alcácer-Quibir de onde nunca regressou, o que fez com que Portugal perdesse a sua independência para Espanha, só retomada em 1640. O povo, esse, ficou sempre à espera que ele voltasse numa manhã de nevoeiro, um sentimento de esperança num salvador que ficou gravado na alma portuguesa e ao qual se deu o nome de "sebastianismo".

Embora erguidos sobre construções anteriores, são desta época alguns dos principais monumentos, como o Castelo dos Governadores. Ou as Muralhas da cidade e o Forte da Ponta da Bandeira que a protegiam dos invasores, sobretudo dos corsários, e que hoje em dia oferecem belos panoramas sobre o casario e o mar. Foi também em Lagos, sob as arcadas da Praça Infante D. Henrique, que se realizou o primeiro mercado de escravos da Europa, espaço agora transformado em centro cultural com exposições e venda de artesanato.

Mas há muito mais para ver. Num percurso pelas ruas do centro histórico descobrimos o encanto desta cidade secular, reparando nas cantarias das portas e janelas, nos ferros forjados das varandas e nos pátios que garantem a frescura no verão. Ou na Igreja de Santo António que nos surpreende pela riqueza do seu interior revestido de talha dourada e azulejos, a que acresce a curiosidade de a imagem do santo que lhe dá nome ter a patente de tenente-geral, promoção ganha por este templo ter servido de capela do Regimento de Infantaria. Ao lado, o Museu Municipal possui núcleos interessantes de arqueologia e arte sacra.

E não podemos deixar de nos deliciarmos com a sua gastronomia. O peixe e o marisco são os ingredientes principais de diversas iguarias: de petiscos com amêijoas, perceves, ovas ou polvo, de sopas e açordas, ou especialidades como os carapaus alimados e as lulas recheadas. Os doces são outro ponto alto, destacando-se os dom-rodrigos, receita das freiras do Convento de Nossa Senhora do Carmo.

Da longa Avenida dos Descobrimentos apreciamos o perfil da cidade e a Marina cheia de vida e animação. Esta via conduz-nos ao mar e às praias, que são das mais bonitas do Algarve, tantas vezes distinguidas por entidades e revistas internacionais. Para leste fica a Meia Praia, um longo areal com cerca de cinco quilómetros que termina na Ria do Alvor. Para o outro lado sucedem-se areais mais pequenos banhados por águas transparentes, a que os rochedos esculpidos pela erosão acrescentam uma beleza deslumbrante. São assim as praias da Batata, Pinhão, Dona Ana e Camilo, com acesso a partir do centro da cidade. Mais à frente a Ponta da Piedade, o ex-libris da região, é uma formação rochosa impressionante com formas recortadas e grutas escavadas que poderá ser apreciada na totalidade num passeio de barco. Canavial, Porto de Mós e Praia da Luz completam esta oferta, que ainda inclui muitas conchas de areia de acesso difícil, algumas apenas alcançáveis por mar. São pequenos paraísos à espera de serem descobertos.


Geopark Naturtejo

Não deixe de…
  • provar os Geoprodutos e a GEOfood
  • caminhar pelo Trilho Internacional dos Apalaches
  • subir ao alto das serras da Gardunha ou das Talhadas
  • fazer um passeio de barco no Rio Tejo
  • experimentar um tratamento de bem-estar nas termas de Monfortinho ou da Fadagosa de Nisa

No interior do país, onde o Rio Tejo passa a ser português, encontra-se um território preservado em que as populações vivem ao ritmo da natureza e parecem ter todo o tempo do mundo para partilhar com os outros as suas histórias e saberes.

É aqui que se situa o Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO, que abrange os concelhos de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Nisa, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova e Vila Velha de Rodão. Nesta área encontram-se 17 geomonumentos de importância reconhecida pela UNESCO, como as imponentes Portas de Ródão, que comprimem o percurso do maior rio da Península Ibérica, ou os icnofósseis de Penha Garcia, cujas formações curiosas nos surpreendem.

Mas há muito mais para conhecer nestas terras onde se integra o Parque Natural do Tejo Internacional. Ao chegar sentimos logo os cheiros a pinheiro, rosmaninho e alecrim que se desprendem da vegetação, ondem se escondem coelhos, veados e raposas que desaparecem num ápice ao notarem a nossa presença.

Cascata da Água d'Alta - Geoparque Naturtejo
Cascata da Água d'Alta - © Joel Carvalho

Com mais atenção conseguimos descobrir os abelharucos coloridos pousados nos ramos das árvores, ou os rouxinóis e as poupas que cantam ao desafio. As cegonhas negras voam mais alto e vêm passar uma temporada entre fevereiro e agosto. Já as águias imperiais e os abutres vivem em colónias e gostam de poisar nas fragas dos rios, de onde têm a melhor vista sobre a paisagem. 

Geoparque Naturtejo - Grifo
Grifo - Geoparque Naturtejo - © Arquivo Turismo de Portugal

As marcas do passado estão bem presentes. Encontram-se em tesouros arqueológicos como o complexo de arte rupestre do Rio Tejo ou as ruínas da Egitânia. E também nas Aldeias do Xisto de Figueira, Álvaro, Sarzedas ou Martim Branco, lugares autênticos repletos de memórias e histórias, nas Aldeias Históricas de Monsanto e Idanha-a-Velha ou nos templos religiosos que todos os anos recebem romarias animadas.

Monsanto - Geoparque Naturtejo
Monsanto - © Joel Carvalho

E até podemos combinar estas visitas com algum exercício. A oferta de atividades é muito variada e inclui passeios pedestres, a cavalo ou em btt, e escalada ou canoagem. Para recuperar as forças nada como uns momentos de lazer nas praias fluviais inspirando o ar puro e os aromas do campo, ou uma pausa mais alargada nas Termas de Monfortinho, de Águas (Penamacor) ou da Fadagosa de Nisa.

Torre de Vigia - Serra das Talhadas - Geoparque Naturtejo
Torre de Vigia da Serra das Talhadas - © Joel Carvalho

Mas a grande riqueza da região é a sua gente. Hospitaleira, adora receber os forasteiros com iguarias deliciosas como os queijos de cheiro intenso, ou o cabrito e o peixe de rio cozinhados segundo receitas ancestrais. O seu trabalho habilidoso também se revela no artesanato - bordados de Castelo Branco, objetos em cortiça de Oleiros ou cerâmicas de Nisa são peças que podemos trazer connosco para recordar estas terras enquanto não regressarmos. E isso será o mais certo, pois como se costuma dizer na região, “quem vem, volta sempre”.


Évora, Património da Humanidade

Não deixe de…
  • tirar uma fotografia no Templo Romano
  • andar ao acaso e ir descobrindo a cidade
  • comer um gelado na praça do Giraldo
  • comprar uma peça de artesanato
  • visitar a Capela dos Ossos

Évora, é uma cidade que é um livro de história de arte portuguesa.

Para a visitar, a melhor forma de o fazer é a pé, percorrendo as ruas estreitas, de casas brancas, para se ir descobrindo os monumentos e os pormenores que revelam a história de Évora e a riqueza do seu património.

Pelo seu ambiente tranquilo e acolhedor, vai ser fácil perceber porque é que esta cidade, que teve origem na época romana, foi escolhida pelos reis de Portugal no séc. XV para viver, facto que contribuiu para o desenvolvimento e importância cultural que teve nos séculos seguintes. Na verdade, foi a sua longa história, e o facto de se ter preservado um conjunto urbano representativo dos séculos XVI a XVIII até aos dias de hoje, que levou a UNESCO a classificar Évora como Património Mundial.

Para começar, a Praça do Giraldo...
É o coração da cidade e um ponto de encontro por excelência, com cafés, esplanadas, lojas e o posto de turismo. Num dos extremos, fica a Igreja de Santo Antão e o Chafariz de mármore com 8 bicas, representando as 8 ruas que aí vão dar.

Uma sugestão de itinerário
Partindo das arcadas na Praça do Giraldo, faça um primeiro percurso pelos principais pontos de interesse: o Templo e as termas romanas, as muralhas medievais, a Sé, a Igreja da Graça e a Igreja de São Francisco, com a sua curiosa Capela dos Ossos.

Se houver tempo, não deixe de incluir o Museu de Évora, a Fundação Eugénio de Almeida, e a antiga Universidade, fundada no séc. XVI, uma das razões para o espírito jovem e descontraído que encontramos em Évora. Vale ainda a pena passear pelo romântico Jardim onde se encontra o Palácio de D. Manuel e visitar a Ermida de São Brás, já fora de muralhas.

Seja por motivos culturais ou para passar um fim de semana calmo, Évora é uma cidade inspiradora e com muito a conhecer. Fora da cidade, o melhor é seguir as estradas secundárias para apreciar a paisagem alentejana. Se gosta de arqueologia, tome a EN114, em direção a Guadalupe e descubra, a 3 km, o Cromeleque dos Almendres, o maior da Península Ibérica. São 95 monólitos, com milhares de anos e com um propósito ainda por desvendar.

A torre da Sé e o Templo
São verdadeiros ex-libris da cidade e farão parte, com certeza, do álbum fotográfico. A Torre da Sé é facilmente reconhecida pela sua forma particular, numa combinação de torres cónicas pouco habituais na arquitetura portuguesa. No meio da cidade, pode ser um bom guia para ver onde se encontra. Saiba ainda que a Sé de Évora é a maior catedral medieval do país.

Muito perto, no largo Conde Vila Flor, destaca-se o grande Templo de origem romana, símbolo do culto imperial, que durante séculos se pensou ser dedicado à Deusa Diana.



Em Lisboa, com a família

Lisboa é uma cidade perfeita para passar alguns dias com as crianças. É acolhedora e segura, de clima ameno e percorre-se facilmente a pé, além de dispor de inúmeras atividades especialmente pensadas para os miúdos, tanto ao ar livre como em espaços fechados.

Para conhecer a cidade, toda a família vai seguramente gostar de uma viagem de elétrico com destino ao Castelo de São Jorge, para um passeio entre ameias e muralhas, imaginando histórias de cavaleiros destemidos.

E os parques e jardins da capital são sempre uma opção segura. No Jardim Zoológico há elefantes, uma aldeia de macacos, leões, tigres, crocodilos e até um espaço com várias espécies de répteis. Pode-se assistir a um espetáculo de golfinhos, à alimentação dos leões-marinhos e andar de teleférico.

Outra sugestão é o Parque de Monsanto. Neste verdadeiro pulmão da cidade, há diversão para toda a família, com circuitos pedestres, desportos radicais e vários parques infantis, como o Parque dos Índios, o Parque do Alvito ou o Parque da Serafina. Para gastar energia nos baloiços, escorregas e noutras diversões.

No Parque das Nações, no lado oriental da cidade, o Pavilhão do Conhecimento é um museu de ciência bastante divertido e interativo. Mas o favorito será, sem dúvida, o Oceanário, onde se recriam os vários oceanos do planeta. Nesta zona há vários espaços ajardinados e podem alugar-se bicicletas ou fazer um passeio de telecabine.

E se for preferível um espaço mais resguardado, há muitos museus que podem cativar os mais novos. O Museu da Marioneta é um deles. Instalado num antigo convento, é um espaço cheio de surpresas. Ou os Museus das Comunicações e da Eletricidade, com aplicações multimédia e outras mais simples, para aprender como se comunicava antes de existirem computadores e telemóveis, num deles, e como a cidade se transformou com o aparecimento da luz elétrica, no outro.

Em Belém, podem passar-se bons momentos a descobrir os continentes na rosa-dos-ventos gigante junto ao Padrão dos Descobrimentos ou no Museu de Marinha, onde se encontram as réplicas das embarcações utilizadas durante os Descobrimentos e muitos instrumentos náuticos. Mesmo ao lado, no Planetário Calouste Gulbenkian, há sessões diárias para ficar a saber tudo sobre o céu, as estrelas e as constelações.

Bem perto, fica a Torre de Belém, de onde os navegadores portugueses partiram para as suas grandes viagens pelos oceanos nos séculos XV e XVI, com um grande jardim relvado em frente, bom para correr e fazer um piquenique. Já a caminho de Cascais, passando Algés, podemos visitar o curioso Aquário Vasco da Gama.

Mas para aproveitar em pleno o ar livre e a proximidade do Oceano Atlântico, um dia na praia para brincar na areia ou um passeio ao longo da costa são sugestões fáceis de concretizar e que agradam sempre. E porque não umas aulas de surf?

Para um dia diferente, a norte de Lisboa, num centro comercial da Amadora, o Kidzania é uma cidade construída para as crianças, onde elas podem ser o que quiserem, pintores, médicos, jornalistas ou fotógrafos e até há uma moeda própria, os Kidzos que podem utilizar dentro do recinto.


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