Sugestões
Portalegre, Marvão, Castelo de Vide
- visitar o Museu das Manufaturas de Portalegre
- trazer uma recordação em cortiça
- subir ao ponto mais alto a sul do Rio Tejo, o Pico de São Mamede a 1025 m. de altitude
- ir a Castelo de Vide durante a Páscoa
- saborear a água de Castelo de Vide
- subir à torre mais alta do castelo de Marvão
Num instante atravessamos Portugal e chegamos ao norte do Alentejo para descobrir um refúgio de horizontes largos e gente hospitaleira, no Parque Natural de São Mamede. Numa primeira visita, sugerimos um passeio de carro com paragens em três lugares incontornáveis: Portalegre, Castelo de Vide e Marvão.
Antes de entrar no Parque, visitamos Portalegre
Com uma longa história, Portalegre foi uma cidade próspera e rica nos séculos XVII e XVIII, devido ao investimento na indústria têxtil e ainda hoje é conhecida por essa tradição. Devemos por isso visitar o Museu das Tapeçarias da Manufatura de Portalegre, instalado num antigo solar nobre. As Tapeçarias são peças únicas feitas numa técnica de tear manual que permite reproduzir na perfeição as gradações e as tonalidades de uma pintura ou de um desenho. Têm grande valor e são muito apreciadas por artistas contemporâneos para reprodução das suas obras de arte.
Ao passear pela cidade, vemos muitos palácios e monumentos que relembram os tempos áureos passados. Como o Castelo de origem medieval, a grande Sé, onde se pode admirar um conjunto único de pintura portuguesa dos séculos XVI e XVII e painéis de azulejos com cenas bíblicas, ou a Casa Museu José Régio, onde viveu este poeta, também colecionador apaixonado de peças de arte sacra e popular. Antes de seguir viagem, visitamos a Igreja do Convento de São Francisco, espaço integrado na área da antiga Fábrica de Cortiça Robinson, muito importante para o desenvolvimento da cidade.
Muito perto, a 15 km fica o Pico de São Mamede, o ponto mais alto do Parque Natural. Havendo tempo, vale a pena ir até Alegrete, um tradicional vila alentejana de casas brancas, entre muralhas.
Já a caminho de Marvão, passaremos por Portagem, onde nos podemos refrescar nas piscinas. Faça uma pausa e prove os sabores da cozinha tradicional alentejana, acompanhados com um bom vinho tinto da região. Não muito longe, vale a pena visitar a cidade arqueológica romana de Ammaia.
Subindo até Marvão
Qualquer pessoa que conheça em Marvão vai com certeza dizer que estamos num ponto tão alto que se podem ver as costas dos pássaros a voar. E é bem verdade. Basta subir ao Castelo e apreciar a paisagem imensa.
Esta vila medieval, protegida por muralhas, é uma das preciosidade de Portugal, onde somos bem acolhidos e sentimos uma tranquilidade inesgotável. Marvão dá-se a conhecer nas ruas estreitas e nos recantos pitorescos, no pelourinho manuelino, nas janelas góticas e nas varandas de ferro forjado.
Podemos visitar o pequeno convento gótico da Senhora da Estrela e as Igrejas de Santiago, do Espírito Santo e de Santa Maria. Nesta última, está instalado o Museu Municipal, onde ficamos a saber mais sobre a história desta localidade. Desde que foi conquistada aos cristãos, em 1116, até às guerras da Restauração da Independência entre Portugal e Espanha, em 1640, chegou a ser considerada a praça-forte “mais inconquistável de todo o reino”. Mas é hoje um lugar de paz e sossego.
De Marvão seguimos viagem para Castelo de Vide.
Ao chegar a Castelo de Vide
Somos surpreendidos pelo castelo rodeado de casario branco que se destaca na paisagem. Mas a maior surpresa maior está dentro da vila, onde encontramos uma das mais bem preservadas judiarias de Portugal.
Deixamo-nos facilmente encantar pelo charme do cenário medieval. Visitamos a antiga sinagoga, atualmente um museu, e passeamos pelo labirinto ruas, onde aprendemos a ver a presença judaica nos nomes das ruas e os sinais do culto de gerações hebraicas nas portas de granito. A rua das Espinosas, por exemplo, remete para o célebre filósofo do séc. XVII, Spinoza, filho de um habitante de Castelo de Vide.
Depois de subir ao Castelo, voltamos ao centro onde entramos na Igreja Matriz de Santa Maria. Aqui têm lugar uma parte das cerimónias pascais onde se misturam as duas crenças, cristã e judaica. Resta ainda tempo para apreciar a água fresca nas fontes que encontrar pelo caminho, muito conhecida pelas suas propriedades termais.
Sempre presente, o Parque Natural
Para além da sua herança cultural e histórica, o Parque Natural de São Mamede é um lugar de grande biodiversidade, onde se podem encontrar javalis, raposas, coelhos, texugos e gatos bravos e aves raras como a águia de Bonelli, o símbolo desta área protegida, e o grifo, os gaviões, as águias cobreiras e as corujas do mato.
A paisagem é muito rica do ponto de vista geológico e a natureza exprime-se de forma muito particular nas imponentes formações de rochedos quartzitos que chamam a atenção. Quem puder, poderá desfrutar deste ambiente especial numa caminhada ou num percurso em BTT, optando por um dos percursos assinalados.
Para fazer este passeio, o ideal será guardar cerca de 4 dias, mas facilmente se percebe que é muito natural que apeteça ficar mais tempo.
Rotas dos Vinhos
- visitar as caves de Vila Nova de Gaia onde o vinho do Porto envelhece, na Rota do Vinho do Porto
- brindar também com os recentes mas excelentes espumantes de vinho verde
- degustar alguns vinhos portugueses nas Salas de Provas Vinhos de Portugal, de Lisboa ou do Porto. Ficam ambas em imóveis e locais que só por si merecem visita
- fazer um passeio de barco com os golfinhos do Sado, na rota dos Vinhos de Setúbal
- na mesma rota, conhecer a Península de Troia onde fica a maior extensão de praias da Europa
- conhecer no Alentejo o maior lago artificial da Europa, o Alqueva, onde pode fazer-se um cruzeiro ou alugar um barco-casa e passar uns dias de puro relaxamento
Através das rotas dos vinhos de Portugal podemos fazer excelentes passeios e conhecer um prazer aperfeiçoado ao longo dos tempos.
Com efeito, sabe-se que pelo menos à época do Império Romano o vinho já era amplamente cultivado em Portugal. A sua produção passou muitas fases ao longo do tempo, mas vale a pena destacar a data de 1756, em que o Marquês de Pombal criou a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, com a função de delimitar a 1ª região demarcada do mundo, registar as vinhas e classificar os vinhos de acordo com a sua qualidade.
Rota dos Vinhos Verdes
Começando pelo norte, temos a Rota dos Vinhos Verdes desde o Minho até ao Douro. O verde, que dá o nome ao vinho, é a cor que predomina na região, pontuada, contudo, por cidades históricas, como Braga ou Guimarães e outras mais pequenas mas cheias de encanto junto aos rios que as bordam. É o caso de Amarante, Viana do Castelo, Barcelos, Ponte de Lima e outras ainda. É uma zona de turismo rural, com solares e casas senhoriais cujas vinhas vale a pena visitar para conhecer como cresce a vinha em latada, os espigueiros e uma paisagem surpreendente que dá origem a vinhos leves, jovens e frescos.
Rota do Vinho Verde Alvarinho
A sub-região de Monção e Melgaço, junto ao rio Minho, integra a rota dos Vinhos Verdes, mas é berço da reputada casta Alvarinho, a mais apreciada casta de vinho verde. Por essa razão o vinho Alvarinho tem rota própria, com estas cidades como capitais. No Solar do Alvarinho, em Melgaço ou no Paço do Alvarinho, em Monção, podem fazer-se provas do vinho e degustar ou comprar outros produtos da região.
Rota do Vinho do Porto
A Rota do Vinho do Porto desenrola-se por encostas de grande beleza paisagística com o rio Douro a correr ao fundo entre montanhas. Tal beleza e singularidade conquistaram para a região do Alto Douro Vinhateiro o título de Património Mundial. A Rota abrange ainda a região do Parque Arqueológico de Foz Coa, outro núcleo do Património Mundial. Engloba cidades cheias de património e tradição, como Vila Real e Lamego, mas o que mais distingue o vale do Douro é a imensidão de quintas produtoras de vinho, muitas delas dedicadas ao enoturismo. Pode-se portanto pernoitar nestas unidades turísticas, fazer provas de vinho e participar nos trabalhos vinícolas, com especial destaque para as vindimas. Na mesma rota produzem-se hoje excelentes vinhos de mesa, os vinhos brancos, tintos e rosés do Douro, nas mesmas vinhas produtoras de Porto.
Rota da Bairrada
Em pleno Centro de Portugal, a Rota da Bairrada situa-se numa faixa junto ao litoral onde ficam Aveiro ou a praia da Figueira da Foz, mas abrange também a área de Coimbra, cidade classificada Património Mundial pela Unesco. Nesta região existem algumas das mais antigas e reputadas termas nacionais, com spas e programas de saúde. O leitão da Bairrada, um ex-libris da gastronomia nacional, é particularmente apreciado na companhia dos bons vinhos da região, nomeadamente dos espumantes de que a Bairrada foi uma das primeiras regiões produtoras em Portugal.
Rota dos Vinhos do Tejo
Os Vinhos do Tejo são produzidos numa região de horizontes vastos, atravessada pelo rio que lhe dá nome. Para conhecer a sua essência, nada como seguir a Tejo Wine Route 118, que ao longo de cerca de 150 km na margem esquerda do rio, atravessa uma paisagem pintada de tons de verde que se refletem no grande lençol de água. Pelo caminho, sugerem-se paragens nas quintas e adegas onde se pode experimentar a grande variedade de vinhos e também alguns desvios para conhecer as aldeias piscatórias “avieiras” ou visitar monumentos como o Convento de Cristo e os castelos de Almourol ou Santarém. Os passeios de barco são outra forma de apreciar as visitas deslumbrantes observando a natureza e neste território, em que a criação de cavalos e touros é uma atividade importante, vale ainda a pena conhecer melhor a arte equestre portuguesa.
Rota dos Vinhos da Península de Setúbal
É mais uma região de grande beleza, já a sul do Tejo, onde se perfila a Serra da Arrábida com o seu Parque Natural e a Reserva Natural do Estuário do Sado, conhecida pelos simpáticos golfinhos. Às bonitas praias de Sesimbra ou do Portinho da Arrábida, a norte do Sado, contrapõem-se os enormes areais da Península de Tróia, já do lado sul. Se Setúbal é a principal cidade com um centro histórico que merece visita a pé, Palmela e Vila Nogueira de Azeitão são as capitais da Rota, com adegas e quintas para visitar. Nesta região nasce o vinho Moscatel de Setúbal, um dos mais reputados de Portugal.
Photo: © Turismo do Alentejo
Rota do Vinho do Alentejo
A Rota do Vinho do Alentejo estende-se pelas planícies da região, marcadas pelo calor, exceto no extremo norte junto à Serra de S. Mamede. Aqui fica uma das mais bonitas aldeias do Alentejo, Marvão, entre muralhas, tal como outra mais a sul, Monsaraz, esta à beira do Alqueva. Borba, Redondo, Reguengos ou Vidigueira são nomes de terras e de vinhos com longa tradição. A capital da região, Évora, deve a sua classificação de Património Mundial à variedade e beleza do seu património, mas toda a região merece visita para desfrutar duma paisagem singular, feita de campos ondulantes, sobreiros e lagos que espelham o azul do céu e a alma duma região onde a força da terra nos conquista.
Bragança
- fazer percursos a pé ou de BTT nos trilhos assinalados no Parque Natural de Montesinho, ou o percurso de automóvel também assinalado
- visitar a região por ocasião da Feira de Fumeiro de Vinhais, que se realiza no segundo fim-de-semana do mês de Fevereiro
Situada no extremo nordeste de Portugal, Bragança é uma antiga cidade cujo castelo mantém ainda um núcleo urbano medieval dentro das muralhas.
Entrando na cidadela ou praça de armas pela Porta da Vila, logo encontramos o Pelourinho, assente num berrão lusitano que lembra as origens celtas da região. Na gigantesca Torre de Menagem, que na Idade Média vigiava as fronteiras, o museu militar conta também a história do castelo, mandado construir por D. João I sobre fundações do anterior que o 1º rei de Portugal, Afonso Henriques, edificara. Do último piso desfruta-se de excelente a vista sobre a cidade e a vastidão do horizonte de montanhas que a envolvem. Na cidadela encontramos ainda a Igreja de Santa Maria e a Domus Municipalis, exemplar único de arquitetura civil românica existente em Portugal, onde se reuniria o senado da cidade.
Fora das muralhas, a cidade expandiu-se para Oeste, conservando casas nobres e monumentos como a Sé Catedral, a Igreja de São Vicente, a Capela da Misericórdia ou a Igreja de Santa Clara. No antigo paço episcopal, está instalado o Museu Abade de Baçal com um valioso acervo, enquanto o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais apresenta obras desta conceituada pintora contemporânea e outras coleções de artes plásticas.
Nos arredores de Bragança fica a igreja de Castro de Avelãs, que recebia os peregrinos de Santiago durante a Idade Média, e aldeias antigas que ainda hoje mantêm tradições comunitárias, como no lagar de azeite e do vinho ou no forno do pão. Encontram-se sobretudo dentro do Parque Natural de Montesinho, uma zona de natureza preservada que vale a pena visitar. Na aldeia que dá nome ao Parque fica um núcleo de interpretação, enquanto em algumas aldeias existem museus rurais sobre as práticas comunitárias da região. As aldeias de Guadramil e Rio de Onor são duas das mais bem preservadas. A fronteira entre Portugal e Espanha atravessa a aldeia de Rio de Onor, que se situa assim em ambos os países.
Descobrir Sintra
- comer uma queijada e um travesseiro
- passear pela vila
- subir a serra de charrete
- apreciar a vista do Palácio da Pena
- fazer um passeio pedestre
Sintra, o Monte da Lua, é um daqueles lugares cheios de magia e mistério onde a natureza e o Homem se conjugaram numa simbiose tão perfeita, que a UNESCO o classificou como Património da Humanidade.
Itinerário para um dia
Manhã
Qualquer que seja o plano, começar no centro histórico com um pequeno-almoço revigorante, a antecipar um dia em pleno é sempre uma boa sugestão.
Logo na praça principal, vemos o Palácio da Vila com as suas duas chaminés cónicas, tão caraterísticas, que servirão de bússola para voltar a este ponto de encontro. Datado de finais do século XIV, foi a estância de veraneio de muitos reis ao longo da História de Portugal. Cada sala é decorada de forma diferente e tem uma história a saber, para além de o interior ser uma surpresa pois é um verdadeiro museu do azulejo, com aplicações desde o séc. XVI, do início da sua utilização em Portugal.
Depois de um passeio ao acaso pelas ruelas estreitas e pelas lojas de produtos regionais, sugerimos uma visita ao Palácio e Quinta da Regaleira. É um palácio do séc. XIX, embora pareça ser mais antigo, com uma decoração que impressiona, rica em simbologia maçónica. Muito perto da entrada da Regaleira, fica Seteais, um palácio do séc. XVIII atualmente transformado em hotel. Vale a pena entrar nos jardins e ir até ao miradouro, de onde se vê o Palácio da Pena, o Castelo dos Mouros e o mar ao longe...
Antes de começar a subir a serra, será melhor almoçar e optar por um bom restaurante na vila ou fazer um piquenique no Parque dos Castanheiros, um parque de merendas cuja entrada se encontra a meio da Volta do Duche.
Tarde
A tarde será dedicada a conhecer a serra e a descobrir os recantos de uma paisagem que é Património Mundial.
Antes de entrar no refúgio botânico do Parque da Pena, passar pelo Chalet da Condessa D’Edla e subir ao Palácio que Richard Strauss apelidou de “Castelo do Santo Graal”, é imperativo passar pelo Castelo dos Mouros. É um testemunho da presença islâmica na região, construído entre os séculos VIII e IX e ampliado depois da Reconquista.
No topo, fica um dos palácios mais românticos de Portugal, o da Pena, uma reconstituição fantasiosa e revivalista, ao gosto do romantismo oitocentista, que se ficou a dever à paixão e imaginação do rei artista D. Fernando de Saxe-Coburgo Gotha, consorte de D. Maria II.
Regressando à vila, caso não se tenha feito de manhã, é imperativo entrar numa das pastelarias para saborear as famosas queijadas e os travesseiros, especialidades de eleição para um fim de tarde numa terra de sonho.
E ainda…
Com um dia não ficará tudo visto em Sintra, por isso será preferível ficar mais tempo ou, eventualmente, organizar a visita de outra forma, consoante a disponibilidade.
Para além de outros museus de interesse, merecem grande destaque o Parque de Monserrate, com o seu exótico palácio neogótico, e o Convento dos Capuchos, construído no séc. XVI utilizando cortiça como revestimento dos pequenos espaços, seguindo os preceitos de pobreza da Ordem de São Francisco de Assis, contrastando com os palácios que entretanto se visitaram. A 2 km do convento, fica a Peninha, um dos pontos mais altos da serra e, já a caminho da costa, vale a pena conhecer o Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas, com uma importante coleção epigráfica com mais de dois mil anos.
Para quem viajar durante os meses de julho e agosto, será uma oportunidade de assistir aos espetáculos de música clássica e de bailado do Festival de Sintra, que se realizam nos Palácios de Sintra e da Pena e no Centro Cultural Olga de Cadaval.
Entre Sintra e Lisboa, seguindo pelo IC19, vale a pena parar no Palácio Nacional de Queluz, sumptuoso palácio do séc. XVIII em estilo “rocaille”. No espaço dos jardins, podemos assistir a uma exibição da Escola Portuguesa de Arte Equestre e apreciar as qualidades dos cavalos lusitanos, criados em Alter, no Alentejo, na antiga coudelaria da casa real.
No país dos azulejos
É difícil não dar por eles, onde quer que se esteja em Portugal. Os azulejos percorrem estilos e linguagens de todos os tempos e enchem de cor qualquer passeio ou visita.
Al-zuleique é a palavra árabe que originou o português azulejo e designava a "pequena pedra lisa e polida" usada pelos muçulmanos, no tempo da Idade Média. A forma como usavam os azulejos para decorar chão e paredes agradou aos reis portugueses e ganharam um lugar privilegiado na arquitetura a partir do século XV. Podemos dizer que Portugal os adotou de forma ímpar, como em nenhum outro país europeu.
Foi no século XVIII que o azulejo "invadiu" igrejas e conventos, palácios e casas, jardins, fontes e escadarias. Com padrões geométricos, contando histórias da vida de santos ou temas profanos como as fábulas de La Fontaine, por vezes legendados como uma versão antiga de banda desenhada, tornou-se um dos principais elementos decorativos portugueses.
Viajar pelo país é visitar um autêntico museu vivo da azulejaria mas é no Museu Nacional do Azulejo, em Lisboa, que se pode conhecer de forma única toda a sua história e a evolução técnica e artística, desde os primeiros tempos até à produção contemporânea.
Aproveite para conhecer o Museu e o Convento da Madre de Deus através das exposições e visitas virtuais aqui e aqui.
Em pleno século XXI, o azulejo continua a ser usado com notoriedade pelas correntes mais vanguardistas marcando a arte pública.
Enunciar todos os locais onde se podem admirar seria difícil, mas vale a pena referir alguns em que foram aplicados de forma sistemática ou original. As estações do Metro de Lisboa são todas forradas a azulejo, com obras de artistas portugueses como Vieira da Silva ou Júlio Pomar. Esta ideia passou fronteiras e levou também obras de arte para estações de metro em Bruxelas (Jardin Botanique), Paris (Champs Élysées/Clémenceau), Budapeste (Deák Tér), Moscovo (Belourusskaya) e Sydney (Martin Place).
Por todo o país somos surpreendidos por painéis de azulejo nas antigas estações de comboio, na maior parte das vezes com alusões a costumes, tradições e paisagens das regiões em que estão situadas. Uma das mais notáveis é a de São Bento, no Porto.
Em Aveiro, é histórica a sua utilização nos edifícios em estilo Arte Nova que se encontram no centro da cidade. Um dos ceramistas do séc. XIX mais conhecidos em Portugal, Rafael Bordalo Pinheiro resolveu dar-lhes volume e construiu padrões com representações de insetos e plantas. Foram inovadores na sua época mas ainda hoje são surpreendentes. Podemos vê-los, por exemplo, em Lisboa, no museu que lhe é dedicado, o Museu Rafael Bordalo Pinheiro.
Em Sintra, numa paisagem que é Património da Humanidade, podemos ver no Palácio da Vila uma aplicação genuína da arte da azulejaria ao longo dos séculos, ao gosto dos antigos reis que aí viveram.
A Igreja de São Lourenço, em Almancil, é um exemplo de referência do revestimento azulejar total (paredes e teto) integrado no estilo barroco português, e igualmente um ponto de visita obrigatória do património histórico algarvio.
Mas estes objetos não têm de ficar apenas na memória e nas fotografias. Numa versão mais clássica ou mais moderna, avulso ou em painel, são com certeza uma boa recordação de Portugal para levar para casa ou oferecer a um amigo.
Madeira: Ilhas dos Amores
O arquipélago da Madeira é sinónimo de requinte e sofisticação, lugar ideal para um roteiro preenchido pelo romance.
No Funchal, deixamo-nos encantar pelo colorido do Mercado dos Lavradores, onde flores, legumes e os trajes típicos das vendedeiras compõem um mosaico cheio de vida. A poucos passos de distância, podemos subir ao Monte no teleférico para olhar a baía pintada de iates bailando ao largo. Já no cimo, continuamos o passeio tranquilo pelo soberbo Jardim Tropical Monte Palace.
Em pleno Parque Natural da Madeira, em Ribeiro Frio, é tempo de fazer uma pausa e almoçar em boa companhia, envolvidos pela exuberante paisagem da floresta Laurissilva, que os descobridores da ilha aqui encontraram há mais de cinco séculos.
Antes ou depois, podemos subir ao Pico do Areeiro. No terceiro ponto mais alto da ilha, a 1818m de altitude, namore acima das nuvens com uma vista espetacular, mesmo no coração da Madeira.
Regressamos ao Funchal para uma nova panorâmica, desta vez numa volta de helicóptero. Ou para ver como o sol pinta a Madeira de vários tons de laranja num passeio de barco ao entardecer. Dormir numa antiga quinta de veraneio adaptada ao turismo, é o ambiente certo para viver uma grande paixão.
Para o segundo dia, um minicruzeiro ao Porto Santo é a melhor sugestão para um momento especial. Neste refúgio atlântico, um passeio pela praia de areias douradas servirá para descobrir o caráter único da ilha. Este paraíso de calma e paz é o ideal para experimentar um programa de relaxamento na Clínica de Talassoterapia.
Na Ponta da Calheta, a vista sobre a praia é um excelente cenário para almoçar e brindar aos bons momentos. A descoberta do Porto Santo continua até ao extremo oeste desta pequena ilha e subindo ao Miradouro das Flores. A perspetiva da Madeira flutuando ao longe como um jardim em pleno mar, é o remate perfeito para estes dias de sonho.
Herança Judaica
- conhecer no Museu Arqueológico de Lisboa a Pedra de Monchique, epígrafe em hebraico proveniente da Judiaria de Monchique, no Porto
- visitar em Trancoso o Centro de Interpretação Judaica Isaac Cardoso
- visitar o Museu Luso-Hebraico de Abraão Zacuto, em Tomar, onde se encontra uma lápide relativa à fundação da Grande Sinagoga de Lisboa, de 1307
- conhecer no Museu de Évora a arca (cofre) e Mesa do Tribunal da Inquisição, de meados do séc. XVI
- visitar em Faro o Museu Isaac Bitton, onde se representa um Bar Mitzvah (confirmação dum rapaz de 13 anos) e um Casamento num cenário em tamanho natural
Por vilas, cidades e aldeias, parte-se à descoberta de um património rico em memórias evocativas da presença judaica em Portugal.
Embora haja referências anteriores, foi entre os séculos V e XV que os judeus sefarditas se estabeleceram na Península Ibérica, contribuindo das mais diversas formas para a cultura portuguesa. Protegidos pelos reis, entre os seus membros encontravam-se filósofos, humanistas, cientistas e mercadores, mas também gente de profissões mais comuns, como sapateiros, alfaiates ou tecelões. Os sefarditas participaram ativamente em vários momentos importantes da História lusa, tais como a fundação da nacionalidade, tendo contribuído para o povoamento do território e, mais tarde, também com conhecimento financeiro e científico durante a época dos Descobrimentos. Destacou-se o grande matemático e cosmógrafo do séc. XVI, Pedro Nunes, que criou o Nónio, que era um instrumento de navegação.
Em 1496, o Édito de Expulsão dos Judeus em Portugal obrigou-os à conversão ao catolicismo, para se tornarem cristãos-novos. Muitos saíram do país, mas houve quem ficasse e mantivesse a sua fé de forma secreta, dando origem aos chamados marranos ou cripto-judeus. As marcas e inscrições simbólicas desses tempos podem ver-se ainda esculpidas nas casas das antigas judiarias, cujos vestígios se preservam em localidades como Trancoso, Belmonte, Guarda ou Castelo de Vide.
Rua Nova, Rua Direita, Rua da Estrela ou Espinosa são exemplos de nomes que assinalam a existência passada de uma judiaria no local. Reparando nas casas, vê-se no piso térreo uma porta larga de acesso à loja, e outra mais estreita, de entrada na habitação, localizada no piso superior – são uma prova do importante impulso que os judeus deram à atividade comercial. Nalgumas ainda se vê a ranhura da “Mezuzah”, um pergaminho com palavras da Bíblia, que na fé judaica se colocava do lado direito da ombreira da porta.
Uma das primeiras obras impressas no país foi uma edição do “Pentateuco”, feita por Samuel Gacon em Faro, em 1487. Hoje, existem vários museus sobre a presença judaica em Portugal, em sítios como Castelo de Vide, Belmonte, Faro ou Tomar – este último instalado numa antiga sinagoga do séc. XV. E pode-se facilmente descobrir a história judaica em Portugal seguindo a Rota das Judiarias, que preserva o testemunho do encontro de povos e culturas.
Na sua diáspora, os judeus também divulgaram a língua e cultura portuguesas. Durante a II Guerra Mundial, Portugal recebeu muitos milhares de judeus em fuga das perseguições nazis. Com existência legal no país desde 1912, a comunidade judaica tem atualmente sinagogas em Lisboa, Porto, Trancoso e Belmonte.
Obtenha mais informação sobre os locais a visitar em Portugal relacionados com a Herança Judaica Sefardita em www.pathsoffaith.com.
Ilhéu de Vila Franca do Campo
- não deixe de levar equipamento de snorkeling e máquina fotográfica
Pequeno paraíso dentro de um maior que é a ilha de São Miguel, o Ilhéu de Vila Franca do Campo proporciona um dia intenso a quem o visitar.
Situado em frente à povoação de Vila Franca do Campo, a cerca de 1 km da costa, este local é o resultado da cratera de um antigo vulcão submerso, considerando uma das principais atrações turísticos da ilha de São Miguel, especialmente desde que aqui se realizou uma das etapas do Red Bull Cliff Diving – o campeonato mundial de mergulho em penhascos.
Classificado como Reserva Natural, tem as paredes da sua cratera revestidas por uma vegetação endémica, enquanto no seu interior existe uma piscina natural com uma forma quase perfeitamente circular, que comunica com o mar por uma estreita passagem. Esta abertura é designada por Boquete e está voltada a Norte, isto é na direção da costa da ilha, o que impede a entrada da agitação marítima para o interior. As suas águas cristalinas e a pequena, mas encantadora praia, são excelentes para a prática de natação e mergulho.
Atualmente, os bordos da cratera compreendem dois ilhéus, o ilhéu Pequenino situado na costa nordeste e o Ilhéu Grande que constitui a maior estrutura emergente. Blocos de rocha basáltica dominam as zonas mais influenciadas pela ação da ondulação, tais como o canal de entrada e as várias fissuras através das quais a água sai da cratera, localmente conhecidas por golas.
A sul do Ilhéu erguem-se dois rochedos vulcânicos, curiosamente corroídos pelo mar e ventos, que servem de abrigo às muitas aves marinhas que visitam o ilhéu, tais como cagarros, garajaus entre outros.
Durante a época balnear, de junho a outubro, o ilhéu pode ser visitado de barco, a partir do cais de Tagarete. Após uma pequena e agradável viagem pelas límpidas águas do Oceano Atlântico desembarcamos nesta pequena ilha, onde rapidamente percebemos o quão pequeninos somos perante aquilo que a mãe natureza nos dá. É realmente um daqueles locais que apenas vendo com os próprios olhos podemos ter noção do quão fantástico é...
Entre outubro e abril, o acesso é restrito e apenas pode ser realizado através de empresas certificadas e pré-aprovadas pelo governo regional. Nesta altura não é permitido nadar. Entre abril e junho, durante a Primavera, o acesso ainda é mais restrito para não perturbar a época de acasalamento das aves.
Passeio pela Guarda
- percorrer as ruas da Judiaria e descobrir os símbolos hebraicos gravados na pedra
- visitar a catedral
- descansar numa esplanada sob as arcadas quinhentistas da Praça Velha
- subir à Torre de Menagem do castelo para apreciar a vista sobre a cidade e a serra
Na cidade mais alta de Portugal um ar de montanha, leve e saudável, corre por entre as ruas medievais a que o granito dá nobreza e uma cor morena.
É essa a cor da Sé Catedral. Alta, imensa e imponente, tem aspeto de fortaleza com as possantes torres erguendo-se como símbolo de defesa da fé e do território. E se o exterior nos impressiona pela inspiração do desenho e da decoração gótica, lá dentro surpreende pela esmagadora altura das naves e um enorme retábulo todo esculpido em pedra.
Cá fora, na praça, as arcadas quinhentistas albergam cafés onde podemos descansar e ver como pulsa o coração da cidade. Daqui partem ruas estreitas de palácios em granito e casas antigas com janelas góticas e gárgulas nos beirais. Todo o centro histórico está protegido por muralhas, portas e torres medievais que chegaram até aos nossos dias quase intactas.
Junto às muralhas situa-se a Judiaria. A maioria das construções remonta à Idade Média, conservando símbolos gravados na pedra e a arquitetura original com duas portas – uma estreita para acesso ao piso superior residência da família, e outra mais larga para a loja no piso térreo, já que a maioria dos judeus se dedicava ao comércio.
A visita não ficará completa sem uma passagem pelo Museu da Guarda instalado no antigo Paço Episcopal, pela Igreja da Misericórdia de interior barroco e pela Igreja de São Vicente com notáveis painéis de azulejos. Fora do centro urbano, a Capela de Nossa Senhora do Mileu, em estilo românico, é um dos monumentos mais antigos, anterior ao século XII.
Passeio em Castelo Branco
- passear nos Jardins do Paço episcopal
- admirar as colchas de Castelo Branco
- subir ao castelo e admirar a vista
Nem demasiado grande, nem muito pequena, Castelo Branco é uma cidade à medida humana que vale a pena conhecer. Damos algumas sugestões, mas a descoberta deve ser feita ao ritmo de cada um, espreitando cantos e recantos, nem sempre conhecidos dos turistas.
A visita tem início na Sé (ou Igreja de São Miguel) e prossegue no Museu Francisco Tavares Proença Júnior. É aqui que podemos admirar as colchas de Castelo Branco em linho bordado à mão a fio de seda de várias cores que provam a habilidade das artesãs da região.
O Museu está instalado no edifício do antigo Paço Episcopal cujos Jardins são o ex-libris da cidade. De traçado barroco, combinam fontes, lagos e cascatas, mas são sobretudo conhecidos pelas estátuas dos reis de Portugal que ornamentam as escadarias. E ao olharmos com mais atenção reparamos que três têm dimensões menores que as restantes… são as que representam os reis espanhóis que governaram o país entre 1580 e 1640. Uma forma irónica de afirmar a nossa independência!
Do outro lado da rua, a antiga horta do Palácio deu origem ao Parque da Cidade, espaço de lazer que para além de fontes e espelhos de água, conserva canteiros de produtos hortícolas e ervas aromáticas a lembrar a sua antiga função. Bem perto fica o Museu de Arte Sacra instalado no Convento da Graça, outra visita a não perder.
A Praça de Camões ou Praça Velha é o centro da cidade antiga. As fachadas de alguns edifícios têm marcas gravadas na pedra como a esfera armilar nos Paços do Concelho ou a Cruz de Cristo no antigo Celeiro da Ordem de Cristo. E nas casas das ruas adjacentes, como a Rua Nova ou a dos Peleteiros descobrimos mais traços medievais. Este caminho, subindo a encosta leva-nos ao castelo, o melhor miradouro da cidade.
As atrações mais recentes da cidade não podem ficar esquecidas: arquitetura moderna do Centro Cívico, ou o Museu Cargaleiro com um grande acervo da obra deste pintor. Para relaxar um passeio de barco na Lagoa do Parque Urbano ou um mergulho na Piscina-praia, se for verão, proporcionam momentos muito agradáveis.
Nas proximidades, vale a pena conhecer o Geoparque Naturtejo, um território preservado onde se conservam diversas espécies de fauna e flora. Aqui ainda se encontra um modo de vida tradicional ligado à agricultura e ao meio rural; a oportunidade de experimentar os produtos da região como o mel, os enchidos e o queijo de cheiro intenso, justamente designado como de Castelo Branco.



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